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Governo divulga apenas um terço das pesquisas com animais no país

arte animais (Foto: Arte/G1)

Levantamento do G1 e dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que dados sobre pesquisas com animais realizadas hoje no país ainda são escassos, desconhecidos pelo governo ou mantidos sob sigilo. Só um terço das instituições autorizadas têm suas pesquisas divulgadas oficialmente, e apenas 4% buscam alternativas a esses métodos.

O governo federal publica a lista de instituições e tipos de testes no site do Concea (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal), órgão responsável pelo controle das pesquisas com animais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Dos 230 institutos ou universidades autorizados, 196 estão cadastrados, e apenas 77 têm suas informações disponibilizadas (33,4%).

Leia também:
Conselho nega vetar animais em testes e dá 5 anos para validar alternativas

O G1 pesquisou cada instituição da lista de credenciadas no site. Muitas das informações fornecidas estão truncadas ou incompletas e os registros nem sempre são atuais.

Por meio da Lei de Acesso à Informação, o G1 pediu ao ministério o “detalhamento do tipo de pesquisa aprovada e para quais fins se destina”. O Concea afirma que não possui os dados e que cabe às Comissões de Ética no Uso de Animais (CEUA) de cada universidade ou laboratório divulgá-los no site. A CEUA é uma comissão obrigatória criada pelas próprias instituições para avaliar e autorizar os testes.

Sigilo
O conselho diz também que as comissões, com base na Lei Arouca, não estão obrigadas a informar ao público que tipo de pesquisa estão fazendo com os animais. “Compete à CEUA decidir sobre a não disponibilização da informação”, respondeu José Mauro Granjeiro, coordenador do Concea.

“A Resolução Normativa do Concea nº 12, de 2013, em seu item 5.2.3.6, colocou as informações produzidas no âmbito da CEUA sob o resguardo de sigilo e confidencialidade. São consideradas imprescindíveis à segurança da sociedade ou do Estado e, portanto, passíveis de classificação as informações cuja divulgação ou acesso irrestrito possa prejudicar ou causar risco a projetos de pesquisa e desenvolvimento científico ou tecnológico (…)”, completa.

O que diz o Concea sobre a divulgação de informações
‘São consideradas imprescindíveis à segurança da sociedade ou do Estado e, portanto, passíveis de classificação [sigilo] as informações cuja divulgação ou acesso irrestrito possa prejudicar ou causar risco a projetos de pesquisa e desenvolvimento científico ou tecnológico.’

Sem controle
A reportagem do G1 procurou alguns dos institutos que, segundo o ministério, não publicaram suas informações.

No caso do Instituto Royal, invadido por um grupo para resgatar dezenas de beagles usados em pesquisas em São Paulo, o governo foi quem declarou o sigilo das pesquisas. O instituto encerrou suas atividades, mas chegou a ter projeto de R$ 5,25 milhões aprovado em parceria com dois ministérios, divulgado apenas como “criação, manejo e fornecimento de animais para desenvolvimento pré-clínico de fármacos” e classificado pela Finep (Agência Brasileira da Inovação).

Ana Lúcia Marigo é secretária da CEUA da Embrapa Meio Ambiente, um dos institutos para os quais não constam informações no site. Segundo ela, as instituições são informadas de que devem se cadastrar no Ciuca (Cadastro das Instituições de Uso Científico de Animais), lançado em 2008 quando foi instituído o Concea. “Mas está tudo tão cru ainda”, diz.

O governo divide as instituições entre “deferidas” (76 ao todo) e “em andamento” (154), mas todas estão autorizadas a realizar as pesquisas, ainda que o Concea não tenha analisado a documentação.

“São pouquíssimas as que já têm o credenciamento deferido. A gente tinha um prazo até o ano passado para submeter e, em janeiro, recebemos uma correspondência dizendo que os dados estão sendo avaliados”, afirma a pesquisadora.

Segundo Marigo, hoje o Brasil não possui nenhum controle prévio sobre as pesquisas com animais e não é possível saber, por exemplo, se o mesmo procedimento está sendo feito em estados diferentes com o mesmo objetivo, sacrificando mais de um animal.

Até tudo começar a caminhar do jeito que deve ser vai demorar muito tempo. Muita gente está perdida e tem muita coisa errada para ser arrumada. Imagine um pesquisador que trabalha com animais há 30 anos, nunca precisou preencher um protocolo, sempre matou quantos ratos quis. É claro que a gente segue as orientações [do Concea], mas a fiscalização deles é perante os relatórios das pesquisas”Ana Lúcia Marigo, secretária da CEUA da Embrapa Meio Ambiente

“[O Concea] começou esse levantamento em 2008. Até tudo começar a caminhar do jeito que deve ser vai demorar muito tempo. Muita gente está perdida e tem muita coisa errada para ser arrumada. Imagine um pesquisador que trabalha com animais há 30 anos, nunca precisou preencher um protocolo, sempre matou quantos ratos quis. É claro que a gente segue as orientações [do Concea], mas a fiscalização deles é perante os relatórios das pesquisas”, afirma.

Octavio Presgrave, coordenador do CEUA da Fiocruz no Rio de Janeiro, também diz que o instituto vem colaborando com o Concea, apesar de as pesquisas do Centro de Pesquisas René Rachou, parte da Fiocruz Minas, não estarem listadas no site. “A gente vem alimentando, mas não sei responder se isso eles vão tornar isso público”, afirma.

Para o cientista, ainda que mantenha parte das pesquisas em sigilo, em razão de quebra de patentes, por exemplo, o governo poderia divulgar relatórios quantitativos para auxiliar a comunidade científica. “A União Europeia publica relatórios sobre quantos animais são utilizados nas pesquisas, áreas de pesquisa. Hoje só é possível saber o que o outro está fazendo através de artigos que são publicados. Acho que a ideia do Concea é juntar esses dados para poder divulgar”, afirma.

Reprodução do site do Ministério da Ciência e Tecnologia mostra um dos cadastros de pesquisas realizadas com animais no sistema. Em seu site próprio, o Centro de Pesquisas René Rachou da FioCruz Minas especifica que pesquisas realiza (Foto: Reprodução)Reprodução do site do Ministério da Ciência e Tecnologia mostra um dos cadastros no sistema do governo, no qual deveriam constar todas as informações sobre pesquisas com animais. Em seu site próprio, o Centro de Pesquisas René Rachou da FioCruz Minas especifica que pesquisas realiza e também afirma que enviou informações sobre elas ao governo (Foto: Reprodução).


Alternativas
Um relatório do governo obtido pelo G1 por meio da Lei de Acesso à Informação mostra ainda que, apesar de 230 instituições possuírem autorização para utilizar animais, apenas dez entidades buscam alternativas a esses métodos. São os dados mais recentes de que o governo dispõe no Concea em questionário realizado entre outubro e novembro de 2012.

“É chocante”, afirma Presgrave. “Quando você me dá um dado desse, óbvio, precisava ter mais, mas, no momento em que o governo financiar mais essas pesquisas, eu garanto que esse número aumenta”, avalia.

É chocante. Quando você me dá um dado desse, óbvio, precisava ter mais, mas, no momento em que o governo financiar mais essas pesquisas [alternativas], eu garanto que esse número aumenta”Octavio Presgrave, coordenador do CEUA da Fiocruz no Rio de Janeiro

Segundo o conselho, realizam pesquisas alternativas o Instituto Butantan (SP), Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto (USP/RP), Instituto Adolfo Lutz, Fiocruz (BA), Instituto Sírio Libanês, Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo do Campus de Ribeirão Preto (FCF-USP-RP), Fort Dog Saúde Animal, Laboratório Nacional de Biociência (LNBio) e Centro de Pesquisa Ageu Magalhães –as quatro primeiras também realizam pesquisas com animais.

Reportagem do G1 mostra que o Brasil não possui hoje um órgão para validar métodos alternativos ao uso de animais em pesquisas científicas, apesar de ser proibido por lei o uso de animais quando há outros meios de se chegar ao mesmo resultado. Em março, o plenário do Concea decidiu que ocorrerá a substituição progressiva por métodos alternativos que começarão a ser validados no Brasil.

“O governo não incentiva esse tipo de pesquisa. A primeira vez que teve um edital específico foi em 2012, no valor de R$ 1,5 milhão, ao passo que um único programa na União Europeia chega a ter 50 milhões de euros de financiamento”, avalia o cientista da Fiocruz. “O que precisa é de vontade política para que isso seja executado, e mais ainda, uma boa coordenação.”

O Concea reforçou que o “monitoramento constante e periódico do emprego de técnicas alternativas no Brasil é fundamental para a avaliação de estratégias que visem intensificar o uso das mesmas, contribuindo para a maior aderência e disseminação de métodos alternativos, particularmente na comunidade acadêmica” e que “está sendo planejada uma consulta mais ampla a ser implementada em 2014”.

Financiamento
Informações sobre valores repassados a essas pesquisas também são difíceis de se obter. O ministério informou que não repassa recursos diretamente aos projetos, mas que as instituições podem pedir auxílio financeiro às agências de financiamento oficiais da área de C&T&I (Ciência, Tecnologia e Inovação) como a Finep e o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). “Este ministério não possui informações sobre elas”, informou.

arte g1 pesquisas animais (Foto: Arte/G1)

O G1 procurou os órgãos responsáveis. À Finep, requereu o total financiado nos últimos cinco anos, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico ou Fundo Nacional de Saúde, em projetos de pesquisas relacionados a biotérios ou animais de laboratório. A empresa pública vinculada ao ministério é quem controla essa verba.

De acordo com os dados, desde 2008 foram financiados 86 projetos com animais, que receberam R$ 270,4 milhões do fundo, e um foi identificado como “projeto da indústria de cosméticos que utiliza ensaios in vitro em substituição ao uso de animais de laboratório”.

Trata-se de um contrato de 2007 sob a rubrica “inovação tecnológica em formulações dermo-cosméticas: substâncias bioativas de origem natural micro e nanoestruturadas”, desenvolvido pela Leviale Indústria Cosmética Ltda., no valor de R$ 959.808. O contrato corresponde a 0,3% do total financiado nos últimos cinco anos nessa área.

A Finep não especificou quantos institutos que receberam verba de fomento à pesquisa realizam testes cosméticos ou relacionados à saúde. “Esclarecemos que as Instituições de Ciência e Tecnologia que desenvolvem projetos envolvendo animais de laboratório devem observar a legislação específica em vigor, Lei nº 11.794, de 8 de outubro de 2008 [Lei Arouca], cabendo às próprias instituições a constituição das Comissões de Ética no Uso de Animais.”

O CNPq financiou a R$ 437 milhões em bolsas no ano de 2013 a instituições que utilizam animais em suas pesquisas, a grande maioria universidades. O valor inclui qualquer tipo de pesquisa nessas entidades, com ou sem uso de animais, já que o conselho informou não catalogar essa informação específica em seu sistema de fomento. A Finep informou que foram financiadas bolsas no valor de R$ 1,9 milhão desde 2008 envolvendo pesquisas com animais e biotérios.

Nenhum dos órgãos possuía dados sobre verbas de incentivo a projetos de busca por alternativas aos testes com animais.

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Publicado por em 30 de abril de 2014 em Tecnologia

 

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Na BA, pesquisas com o cacau buscam resistência e produtividade

Produtores de cacau da Bahia ganharam novas opções para conter o avanço da vassoura de bruxa. As novas variedades vêm de estudos realizados pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac). As mudas foram clonadas de plantas mais resistentes à doença e com boa produtividade.

A nova indicação feita pela entidade reúne 18 clones, 12 já conhecidos e 6 recomendados pela primeira vez. Os clones são reproduções de plantas feitas entre si, a partir do cruzamento de variedades que se destacaram identificadas pelos próprios produtores da região.

Junto aos clones, o programa de melhoramento do cacau ainda conta com estudos e avaliações que partem do Centro de Pesquisas da Ceplac. Hoje, o órgão trabalha com cerca de 600 clones.

Um dos destaques deste último estudo é a variedade salobrinho 3. Avaliada em 11 fazendas, ela chamou a atenção pela resistência ao fungo causador da doença conhecida como vassoura de bruxa e pela produtividade.

No campo, esses dados representam otimismo para os produtores. Com cinco mil pés de cacau plantados em 50 hectares, João Carlos Santos tem acompanhado a variedade e está confiante com os primeiros resultados.

A lista com novas variedades de cacau indicadas pela Ceplac é divulgada a cada quatro anos. Outra variedade entre os seis novos clones indicados é a vencedora 20, planta que com apenas um ano e meio está completamente carregada de birros, frutinhos pequenos que dentro de três meses já vão estar transformados em frutos maduros.

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Fonte G1

 
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Publicado por em 13 de março de 2014 em Tecnologia

 

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Pesquisas ajudam a melhorar a criação de tambaqui em cativeiro

O tambaqui é considerado um peixe nobre na Amazônia. A grande exploração fez com que o peixe praticamente sumisse da maioria dos rios. Por isso, é realizado um trabalho para tornar a criação em cativeiro cada vez mais eficiente.

O pescador Wagner Maia Sampaio, que sai cedo para a lida no Rio Solimões, em Manaus, sabe as espécies que devem ir para a rede. Mas entre elas não está o tambaqui. “Há mais de 15 anos que eu peguei um tambaqui nessa região. É muito difícil”, diz.

Até a década de 1980 havia tambaqui em abundância na região de Manaus. Mas, a pesca sem controle e o aumento da população causaram um desequilíbrio. A procura superou em muito a oferta. Nas feiras, é possível encontrar tambaquis de dez ou 14 quilos, que são de rios bem distantes da capital do Estado.

O peixe de cativeiro é o mais comprado na região. O preço do quilo do peixe de cativeiro custa menos da metade em relação ao valor do peixe de rio. A criação em tanques deu certo graças ao trabalho de domesticação da espécie, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

O biólogo Alexandre Honczaryk, que produz alevinos de várias espécies, explica que as fêmeas de tambaqui recebem injeções de hormônio para estimular a reprodução em cativeiro. Depois, os óvulos são misturados ao sêmen do macho e vão para as incubadoras. Quando nascem, os alevinos ficam em piscinas de pedra até a venda.

“Foram formadas famílias. Essas famílias foram colocadas sob uma criação. Foram selecionados exemplares. Esses exemplares então foram pontuados de acordo com essas características zootécnicas que a gente precisa saber e que a gente quer na linhagem”, diz Honczaryk.

A doutora em biologia Vera Val, também do INPA, diz que ainda falta desenvolver características diferenciadas no peixe. “Determinar, se eu quero uma quantidade mais de carne lombo, se eu quero uma costela de tambaqui maior, com mais carne, mais entre-costelas. Então, vamos trabalhar este aspecto”.

O consumo crescente em Manaus fez os criadores de Rondônia se anteciparem para abastecer esse mercado. A produção nos tanques da região de Ariquemes, que inclui nove municípios, saltou de 12 mil, há quatro anos, para mais de 40 mil tambaquis. Com venda garantida, uma cooperativa investiu pesado na fabricação da ração e em novas tecnologias.

São três fases de desenvolvimento. Cada filhote, ou alevino, chega pesando entre dois e cinco gramas. O abate acontece quando o tambaqui alcança de dois a três quilos. “Gira em torno de um ano o tempo total do cultivo. Mas isso vai variar de acordo com características da água, tempo de recria, tamanho final pra abate”, explica o engenheiro de pesca Vinícius Pedroti.

Os cuidados são intensos para conseguir bons resultados. O tanque recebe tratamento especial antes da colocação dos peixes. A medida é tomada para evitar riscos aos filhotes. Já com os tanques cheios, amostras de água são coletadas para análise uma vez por semana. O dono da propriedade Edson Sapirás, que aposta na mecanização, comprou um equipamento chamado de aerador, que ajuda a equilibrar o nível de oxigênio na água, que normalmente diminui à noite, sem a luz do sol.

O tamanho preferido do peixe para o consumidor de Manaus varia de três e 3,5 quilos. E 80% da produção de tambaqui de Rondônia são enviados para a capital do Amazonas. A média brasileira de consumo anual de peixe gira em torno de seis a sete quilos por pessoa. Em Manaus, os números são bem superiores, de 30 a 40 quilos.

Fonte G1

 
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Publicado por em 10 de outubro de 2013 em Tecnologia

 

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Pesquisas apontam as diferenças entre o açaí produzido no AM e no PA

A reportagem especial que marca os 13 anos das edições diárias do Globo Rural traz o melhoramento genético do açaí. Há diferenças entre o fruto das palmeiras do Pará e do Amazonas.

A voadeira, uma canoa com motor na popa, navega pelo Rio Solimões em direção às comunidades da região de Manacapuru, no centro-leste do Amazonas, onde há moradores que vivem da extração do açaí. A palmeira que predomina na região é chamada de açaí do Amazonas ou açaí solteiro. A planta da espécie euterpe precatoria é caracterizada por possuir uma única estipe, que é como os pesquisadores chamam o caule.

Alguns frutos caem naturalmente pelo caminho durante o transporte. Sem perceber, os coletores semeiam pés de açaí pela floresta. As mudas que não foram plantadas crescem ao acaso e contribuem para o aumento da quantidade de açaizeiros justamente em áreas aonde há extração do fruto. Os pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em Manaus, tentam esclarecer as dúvidas dos produtores. O instituto realiza estudos com o objetivo de conhecer melhor a espécie para buscar o aumento da produtividade.

“Eu coleto populações de açaí ao longo do Rio Solimões e vou comparar a genética dessas populações. Essa é a primeira informação a ser gerada para o melhoramento genético. É muito diferente do açaí do Pará”, diz a Poliana Perrut, pesquisadora do INPA.

Na Ilha do Combu, no Pará, é possível encontrar o açai do pará, um tipo de palmeira da espécie euterpe olerácea que não há no Amazonas. A principal característica dos açaizais das regiões de várzea é o que os especialistas chamam de perfilhamento ou brotação. O estipe da palmeira, como é chamado o tronco dessa espécie, multiplica-se rapidamente e dá origem a vários outros estipes na mesma planta.

“Uma característica da palmeira açaí é a presença nesse tipo de solo úmido, solo úmido, hidromófico alagado. A presença de água e a quantidade de matéria orgânica que aqui existe faz com que várias bactérias se associem ao sistema radicular da palmeira formando esse conjunto de bactérias que vão ajudar na oxigenação da planta. Por esse motivo ela cresce intensivamente”, diz o engenheiro florestal Mário Augusto Jardim.

O extrativista Rosivaldo Quaresma, que pertence a uma família de extrativistas no Combu, usa com habilidade a peconha, espécie de corda feita com cordas da palmeira que fica presa aos pés e apoiada no tronco. A peçonha é utilizada facilitar a subida aos cachos. Ele faz a colheita de açaí preto e de açaí branco, que na verdade fica verde quando está maduro. Os açaizeiros rendem 4,5 mil frutos por cacho, também chamado de touceira.

Com tantas palmeiras brotando de uma mesma planta, Rosivaldo Quaresma não tem motivos para reclamar nem na entressafra, período em que extrai o palmito da parte mais alta e nova do açaizeiro. Com um facão, ele corta o caule até chegar a um ingrediente usado em várias receitas. “A gente derruba os palmitos da adulta e os perfilhos ficam dando fruto pra poder continuar a colheita”, diz.

Há 30 anos, a Embrapa realiza estudos de domesticação do açaí do Pará. As pesquisas resultaram em um banco de germoplasma que tem mais de 800 mudas de açaí plantadas numa área de terra firme, em Belém. Depois, foram selecionadas 25 plantas de elite, que deram mais frutos e de melhor qualidade. Os estudos da formação e do material genético da planta melhoraram a produção das sementes, que deram origem a outras duas plantações de açaí.

Os resultados já começaram a surgir. As palmeiras já estão frutificando precocemente, ou seja, um ano e meio mais cedo do que os açaizeiros encontrados na floresta. O próximo passo é verificar em laboratório se esses frutos têm mais polpa e mais antocianina, um corante natural muito benéfico à saúde.

Fonte G1

 
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Publicado por em 9 de outubro de 2013 em Tecnologia

 

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Butantan começa a substituir roedores por peixes em pesquisas

O peixe paulistinha já está sendo criado no Instituto Butantan para participar de pesquisas. (Foto: Camilla Carvalho/Instituto Butantan)O peixe paulistinha já está sendo criado no Instituto Butantan para participar de pesquisas. (Foto: Camilla Carvalho/Instituto Butantan)

O peixe paulistinha, ou zebrafish, já é utilizado há 30 anos como modelo experimental ao redor do mundo, substituindo os roedores. No Brasil, o uso dessa alternativa ainda é raro. Agora, pesquisadores do Laboratório Especial de Toxinologia Aplicada (Leta), do Instituto Butantan, preparam-se para introduzir a prática em áreas como imunologia e farmacologia.

Segundo a pesquisadora Mônica Lopes Ferreira, do Leta, mundialmente, cerca de 2 mil artigos publicados anualmente utilizam o paulistinha como modelo experimental. No Brasil, esse índice é de apenas 40 artigos por ano. “Pouquíssimos brasileiros estão usando essa técnica, estamos atrasados em relação ao mundo”, afirma.

O peixe pode substituir camundongos ou ratos na maioria dos estudos, segundo Mônica. “O único limite é que, como o camundongo vem sendo usado há muito tempo, temos muitos reagentes específicos para camundongos”, diz a pesquisadora. Além disso, algumas pesquisas demandam a coleta de sangue em maior quantidade, por exemplo, situações nas quais os roedores ainda são os mais indicados.

Entre as vantagens do uso do peixe está o custo. Se a manutenção de um camundongo custa, em média, R$ 8, o preço cai para R$ 0,50 com o zebrafish.

Paulistinha pode substituir roedores em quase todos os estudos. (Foto: Camilla Carvalho/Instituto Butantan)Paulistinha pode substituir roedores em quase
todos os experimentos. (Foto: Camilla Carvalho/
Instituto Butantan)

Além disso, o ciclo de vida do peixe é mais rápido, o que também acelera as pesquisas. Imagine que o pesquisador queira, por exemplo, avaliar o efeito de determinada substância na reprodução do animal. O processo que poderia demorar até três meses com o camundongo pode levar apenas 72 horas com o peixe.

É possível também trabalhar com o paulistinha sem sacrificá-lo, já que seu corpo transparente permite que as estruturas internas sejam observadas sem que seja necessário cortá-lo.

O projeto para introduzir o peixe nas pesquisas do Instituto Butantan começou há um ano. Mônica visitou laboratórios da Universidade do Chile, da Universidade de Lisboa e da PUC do Rio Grande do Sul, que já têm experiência com a técnica. Com o apoio da Fapesp, seu laboratório já comprou e instalou os equipamentos necessários para a criação do paulistinha.

Em seis meses, os peixes começarão a ser utilizados nas pesquisas do Leta. A ideia é que, em breve, o laboratório estabeleça parcerias com outros centros do Instituto Butantan e  até de outras instituições para trocar experiências sobre pesquisas com o zebrafish.

Mas os mais tradicionais camundongos ainda não vão se “aposentar”. Segundo Mônica, o uso do zebrafish será um complemento ao uso dos roedores, mas não pretende substituí-los totalmente.

Parecidos com o homem
Para os leigos, pode parecer que os peixes estão muito mais distantes do homem do que os roedores. Mas a diferença não é tão grande. Mônica conta que o sequenciamento genômico dos camundongos revela que eles têm 80% de genes em comum com o homem. Já os peixes paulistinhas têm 70% de semelhança. “Somos muito parecidos. O que eu testar no zebrafish, posso transpor para o humano, guardadas as devidas limitações que são as mesmas em relação aos camundongos”, diz a pesquisadora.

Fonte G1

 
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Publicado por em 13 de setembro de 2013 em Tecnologia

 

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Maioria dos americanos não quer ataque à Síria, dizem pesquisas

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Os americanos se opõem amplamente a um ataque militar ao regime sírio, segundo duas pesquisas divulgadas nesta terça-feira (3), no momento em que o governo Obama realiza uma campanha para obter o apoio do Congresso para uma operação.

Cerca de uma em cada duas pessoas consultadas (48%) disse que se opõe a ataques aéreos à Síria, contra 29% que disseram concordar (23% não têm opinião formada), segundo uma pesquisa realizada pelo Pew Research Center for the People and the Press.

A oposição a uma intervenção americana contra Bashar al-Assad é ainda mais forte em uma outra pesquisa da ABC e do “Washington Post”: 36% das pessoas consultadas dizem apoiar essa eventualidade, contra 59% que se opõem a essa iniciativa (5% dizem que não tomaram uma postura).

Apesar de outros países, como Reino Unido e França participarem dessa operação, apenas 46% das pessoas interrogadas é favorável a uma intervenção militar, contra 51% que continuam se opondo a ela, segundo a pesquisa ABC/Washington Post. Nessa pesquisa, até a proposta de armar os rebeldes sírios é muito impopular: 70% se opõem a essa possibilidade, contra 27% que a apoiam.

Cerca de três em cada quatro pessoas consultadas pela Pew (74%) acreditam que um ataque à Síria pode desencadear represálias contra os Estados Unidos e seus aliados na região. Mais de seis em cada dez consultados (61%) acreditam que isso levaria a um envolvimento de longo prazo no país árabe. E apenas um terço (33%) pensam que uma ação efetivamente impediria o uso de armas químicas no futuro.

A pesquisa do Pew Research Center foi realizada entre 29 de agosto e 1º de setembro com 1.000 adultos e tem margem de erro de 3,7 pontos. A ABC/Washington Post foi realizada entre 28 de agosto e 1º de setembro com 1.012 pessoas e tem margem de erro de 3,5 pontos.

arte síria 3/9 (Foto: 1)

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Publicado por em 4 de setembro de 2013 em Brasil

 

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Brasil e China vão desenvolver pesquisas em nanotecnologia

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Um centro será instalado no Brasil com apoio dos dois países para estimular empresas locais a desenvolverem projetos nessa área.

16 de fevereiro de 2012 – 19h36

O Brasil e a China vão trabalhar juntos para desenvolver novas tecnologias na área de Nanotecnologia – ciência que trabalha com objetos e matérias de tamanho até dez mil vezes menor que o diâmetro de um fio de cabelo. 

O Diário Oficial da União publicou, da última terça-feira (14), publicou a portaria assinada pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antonio Raupp, instituindo o Centro Brasil-China de Pesquisa e Inovação em Nanotecnologia (CBC-Nano).

Segundo a portaria, o CBC-Nano terá a forma de uma rede cooperativa de pesquisa e desenvolvimento, como mecanismo de implementação do Acordo sobre Cooperação Científica e Tecnológica firmado por ambos os países, no âmbito dos objetivos estratégicos nacionais nesta área.

O centro vai coordenar as atividades envolvendo a cooperação Brasil-China em áreas de nanotecnologia no âmbito do MCTI. O local deve promover o avanço científico e tecnológico da investigação e aplicações de materiais nanoestruturados; consolidar e ampliar a pesquisa na área e expandir a capacitação científica.

A iniciativa tem como objetivo explorar os benefícios resultantes de projetos associados a implicações tecnológicas e criar programas de mobilização de empresas instaladas no Brasil para possíveis desenvolvimentos na área de nanomateriais.

*Com informações da Agência MCTI

Especial - IT Leaders 2011

O ITBOARD materializa a nova plataforma de conversas do Século XXI. Concentra o diálogo sobre tecnologia e inovação movido a tweets de quem está imerso nesses assuntos. ENTRE NA CONVERSA

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Publicado por em 6 de março de 2012 em Tecnologia

 

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