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Farc querem perdão coletivo para conflito armado na Colômbia

A guerrilha das Farc se manifestou nesta quinta-feira (3) a favor de um perdão coletivo e de um ressarcimento para as vítimas do conflito armado na Colômbia ao retomar as negociações com o governo de Bogotá em Havana depois de um recesso de duas semanas.

“Trata-se de abrir nas negociações de Havana o capítulo que permitirá estabelecer a verdade histórica que levou a mais de 60 anos de derramamento de sangue nacional, à identificação das vítimas e sua necessária reparação”, afirmou a guerrilha em um documento lido por seu negociador-chefe, Iván Márquez.

“Tudo com o ânimo de ressaltar a necessidade de que o ressarcimento inclua a obrigação para as duas partes do perdão coletivo, uma vez que, alcançada a paz definitiva – se chegarmos a ela -, que nos obriguemos todos a um ‘nunca mais”, acrescentou.

A delegação do governo, liderada por Humberto de la Calle, não fez declarações à imprensa no início desse 15º ciclo de negociações, que tem por objetivo acabar com um conflito armado de quase meio século e que deixou 600 mil mortos e mais de três milhões de deslocados.

Já a delegação de guerrilheiros divulgou um documento no qual resumiu os avanços e dificuldades do diálogo, e onde lamentou que em dez meses de negociações os avanços tenham sido modestos.

Fonte G1

 
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Publicado por em 3 de outubro de 2013 em Brasil

 

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Parentes de vítimas de crimes brutais superam dor com ‘terapia do perdão’

Quando ainda era adolescente, Paula Cooper (à dir.) matou Ruth Pelke a facadas (Foto: BBC)Quando ainda era adolescente, Paula Cooper (à dir.) matou Ruth Pelke a facadas (Foto: BBC)

O momento em que um assassino sai da prisão pode ser traumático para a família da vítima. No entanto, para o americano Bill Pelke, a libertação da mulher que matou sua avó a facadas foi diferente. Ele não só a perdoou, como quer ajudá-la a começar uma nova vida. Mas como é possível ser capaz de perdoar um crime tão brutal como esse?

Era tarde de maio de 1985. Bill Pelke estava na casa de sua noiva quando recebeu um telefonema de seu cunhado. “Esfaquearam a minha vó até matá-la”, lembra Pelke, em entrevista à BBC. “A casa havia sido saqueada e meu pai encontrou o corpo”.

Sua avó, Ruth Pelke, de 78 anos, professora de religião, havia sido assassinada em sua casa por quatro adolescentes. No dia seguinte, Pelke estava na barbearia preparando-se para o funeral, quando recebeu a notícia de que as assassinas de sua avó foram presas. “Fiquei surpreso que quatro meninas tão jovens pudessem ser capazes de um crime tão brutal”, diz. “Tinha filhos da mesma idade”.

Três das acusadas receberam longas penas de prisão, variando de 25 a 60 anos. Uma delas, Paula Cooper, considerada a líder do grupo, foi condenada à morte em 11 de julho de 1986. Pelke assistiu ao julgamento e à condenação de Paula. Naquele momento, a pena de morte lhe pareceu uma sentença adequada. No entanto, 18 meses depois da morte de sua avó, começou a repensar o destino da menina que destruiu parte de sua família.

“Alívio profundo”
“Imaginava a todo momento minha avó sendo esfaqueada na sala de jantar, onde nossa família se reunia na Páscoa, no Dia de Ação de Graças e no Natal. Não suportava pensar nisso”, lembra. Mas Pelke começou a se perguntar qual impacto a pena de morte teria na família da adolescente, em especial no avô de Cooper, que assistiu ao julgamento e chorou compulsivamente ao escutar a leitura da sentença.

“Minha avó não gostaria de ver esse senhor presenciar a morte de sua neta”, afirma. “Todos no noroeste de Indiana [Estado americano] queriam ver Paula Cooper morta. Tenho certeza de que minha avó ficaria horrorizada caso essa menina viesse a ser punida dessa maneira”.

Pelke estava cada vez mais convencido de que sua avó – uma cristã devota – demonstraria compaixão por Paula e gostaria que alguém de sua família tivesse o mesmo sentimento.

“Quando me deixei comover pela compaixão e pelo perdão, deixei de imaginar minha avó morta, só me lembrava dela viva. Algo de diferente aconteceu comigo”. Pelke disse que sua decisão de perdoar a assassina de sua avó lhe deixou com uma sensação de “alívio profundo”.

Família Pelke (Foto: BBC)Família Pelke (Foto: BBC)

Reação da família
No entanto, para alguns membros da família, foi difícil aceitar a decisão de Pelke, especialmente para seu pai, que havia encontrado o corpo da própria mãe e testemunhado perante a Corte. “Meu pai não apoiou minha decisão”, diz Pelke. “Tivemos uma relação tensa durante anos, mas depois ele me perdoou por ter perdoado Paula Cooper”.

Foi então que Pelke decidiu marcar um encontro com Paula na prisão, mas a permissão só foi concedida oito anos depois da morte de sua avó: no dia de Ação de Graças de 1994. “Entrei e lhe dei um abraço”, diz Pelke. Logo em seguida, conta que fitou Paula nos olhos e disse que a perdoava.

O episódio foi o começo da construção de uma relação entre os dois, com trocas de cartas semanais e visitas à prisão – foram 15, ao todo. Mas Pelke nunca perguntou a Paula sobre o crime. “Sei que a resposta não será boa”, diz.

Superação
Promover o encontro dos autores de um crime com suas vítimas pode trazer benefícios para ambas as partes, afirma à BBC Howard Zehr, professor de Direito da Universidade Menonita do Leste, em Harrisonburg, no Estado americano da Virgínia. Há décadas, Zehr vem ajudando a unir centenas de criminosos e suas vítimas (ou familiares delas, quando há fatalidades).

O especialista acredita que a frequência dos encontros ajuda a reduzir o trauma. Além disso, permite ao agressor perceber como as pessoas foram afetadas por seu crime. Ele acrescenta que vítimas de casos graves de violência costumam relatar um alto nível de satisfação. “As vítimas ficam normalmente presas a essas experiências passadas”, explica Zehr. “As reuniões permitem a eles obter respostas e passar uma borracha no que aconteceu.”

Um dos mais memoráveis para Zehr foi quando um homem que havia estuprado 14 mulheres com menos de 18 anos conheceu sua mais recente vítima. “Ela o confrontou com a seguinte pergunta: “Como você pôde fazer isso? Você roubou a minha infância!””, relembra Zehr.

“O estuprador disse que pela primeira vez percebeu a gravidade do que tinha feito. A mulher o perdoou, mas essa experiência ficará marcada em sua vida para sempre.” No entanto, Zehr recomenda a vítimas que queiram se encontrar com o agressor para que busquem apoio de um mediador. “O sucesso depende do nível de preparação de ambos os lados, e às vezes pode levar até um ano”, alerta.

“Como mediador, eu converso com ambas as partes antes do encontro, trato de deixá-las cientes da dinâmica do trauma, bem como das possibilidades de que a expectativa não seja cumprida. O autor pode não ser capaz de responder às perguntas.”

Coleção de fotos mostra momentos íntimos de Linda White com sua filha, Cathy, que foi assassinada (Foto: Arquivo pessoal/BBC)Coleção de fotos mostra momentos íntimos de Linda White com sua filha, Cathy, que foi assassinada (Foto: Arquivo pessoal/BBC)

De cabeça para baixo
Vinte anos após a morte brutal de sua filha, a texana Linda White tem dezenas de perguntas ainda não respondidas sobre o dia em que ela foi assassinada. Em novembro de 1986, Cathy White, de 26 anos, grávida de seu segundo filho, foi sequestrada, estuprada e assassinada por dois adolescentes.

Como Pelke, Linda encontrou e perdoou um dos assassinos de sua filha, mas o processo levou muito mais tempo: quase 15 anos. “Para uma mãe, perder um filho é uma injustiça. O mundo vira de cabeça para baixo. Nada me animava e me sentia impotente”, diz ela à BBC.

Como forma de curar o trauma, Linda tentou aderir a um grupo de apoio para vítimas, mas não encontrou o consolo de que precisava. “Ninguém ali dava sinais de que conseguiria superar o trauma que passou. Eu, por outro lado, não queria continuar cheia de amargura, não queria ficar de luto para o resto da minha vida.”

Linda, que tinha outros dois filhos, passou a cuidar também de sua neta de cinco anos, que estava fazendo terapia para se recuperar da morte da mãe. Foi essa experiência que a levou a estudar psicologia e, posteriormente, se tornar uma terapeuta de luto.

Linda White (Foto: BBC)Linda White (Foto: BBC)

Legado
Ao ajudar outras pessoas a lidar com a perda e a dor, Linda começou a recuperar o controle de sua vida. Em janeiro de 1997, ela decidiu começar a dar aulas na prisão, uma experiência valiosa que “a curou”. “Acho que as pessoas podem ser mais do que a pior coisa que fizeram.”

Sua experiência de trabalho com criminosos na prisão resultou em uma decisão ainda mais radical: encontrar-se com um dos assassinos de sua filha, Gary Brown.”Eu nunca tinha visto sequer uma foto dele”, diz ela. Linda queria saber, se anos depois, conseguiria sentir compaixão por Brown. “Queria que a pessoa que eu me tornei se encontrasse com a pessoa que ele se tornou.”

Foi então que Linda e Ami, sua neta, então com 18 anos, encontraram-se com Brown na prisão em 2001. A conversa durou o dia todo. “Fiquei surpresa com sua aparência jovem e vulnerabilidade. Foi muito emocionante”, diz ela. Para Linda, um dos momentos mais difíceis foi ouvir a história do que aconteceu com sua filha antes de morrer. “Gary nos contou exatamente o que aconteceu, como aconteceu, o desenrolar dos fatos. Foi difícil de ouvir, mas eu estava pronta para aquilo.”

Brown também disse a Linda e à sua neta as últimas palavras de Cathy, antes de matá-la a tiros. “Eu te perdoo, e Deus também”. “Fiquei chocada ao ouvir isso”, diz Linda. “Estou muito feliz por estar livre”.

Linda mantém contato com Brown, que agora está fora da prisão e em liberdade condicional. Eles pretendem usar sua experiência para orientar “as crianças e adolescentes que estão indo pelo caminho errado”.

Ela também diz ter outras perguntas ao assassino de sua filha.”Eu ainda me pergunto como a noite acabou em tamanha violência. Por que ela foi estuprada? Os meninos não tinham antecedentes de violência”, diz ela. “Quando estiver preparada, quero fazer a ele essas perguntas cara a cara.”

Apesar de as dúvidas que persistem, Linda diz ter encontrado em Brown sua sanidade. “Se você deixar sua vida ser tomada pela dor, é como se o crime acontecesse de novo e de novo. Você acaba amarga. É como se a única lembrança que você tivesse de seu ente querido fosse contaminada por essa amargura”, diz ela. “Às vezes, a gente acha que buscar um caminho para solucionar a dor, ou a cura, é uma espécie de traição com a pessoa que foi morta, mas não é.”

Como Linda White, Bill Pelke quer manter contato com Paula Cooper, que foi libertada em junho, depois que sua sentença foi revogada e sua pena reduzida por bom comportamento na prisão. Enquanto Paula estava presa, Pelke fazia campanha por sua libertação.”Estou muito feliz por vê-la livre”, diz ele.

Pelke tem consciência de que muitas pessoas nunca conseguirão entender sua atitude. Mas para ele a decisão de perdoar mudou sua vida. “Se você se apegar à raiva e ao desejo de vingança, isso acaba se tornando um câncer e pode destruí-lo”, diz ele. “Tenho certeza de que fiz o que deveria ser feito.”

Fonte G1

 
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Publicado por em 2 de outubro de 2013 em Brasil

 

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Juízes pedem perdão por ‘ações e omissões’ na era Pinochet no Chile

A principal organização de juízes do Chile pediu pela primeira vez nesta quarta-feira (4) perdão por suas “ações e omissões” durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), em meio a um debate gerado pela proximidade da comemoração do 40º aniversário do golpe de Estado.

“O Poder Judiciário e, especialmente, a Suprema Corte da época, falharam em seu trabalho essencial de tutelar os direitos fundamentais e proteger os cidadãos que foram vítimas do abuso estatal”, afirmou em comunicado a Associação de Magistrados do Poder Judiciário.

Este gesto se soma a distintas declarações de condenação às violações de direitos humanos e a pedidos de perdão feitas por políticos de direita, como o ministro do Interior Andrés Chadwick e o senador Hernán Larraín, que eram partidários do regime.

“Nosso judiciário incorreu em ações e omissões impróprias de sua função, ao haver se negado, salvo isoladas mas valiosas exceções que nos honram, a proteger os que reivindicaram várias vezes sua intervenção”, declararam os magistrados.

A Associação ressaltou que “o Poder Judiciário podia e deveria ter feito muito mais”, e utilizou como exemplo a rejeição de milhares de recursos de amparo nos tribunais, a recusa sistemática a investigar os fatos e os centros de detenção e tortura.

“Acreditamos que chegou a hora de pedir perdão”, disse a associação, que convidou a Suprema Corte a realizar também uma autocrítica por suas atuações e omissões e por não conceder às vítimas “a proteção jurisdicional que tantas vezes foi reivindicada”.

Durante a ditadura, cerca de 3.200 pessoas foram assassinadas e outras 38 mil foram presas e torturadas por motivos políticos.

O regime militar, que durou 17 anos, contou não só com o apoio das Forças Ar/madas mas também com a conivência de influentes setores civis, entre eles o Poder Judiciário, poderosos grupos empresariais e vários meios de comunicação.

Fonte G1

 
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Publicado por em 6 de setembro de 2013 em Brasil

 

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