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Angela Merkel não deve se preocupar com espionagem, diz Obama

O presidente dos EUA, Barack Obama, chega para falar sobre as mudanças na espionagem americana nesta sexta-feira (17) (Foto: AFP)O presidente dos EUA, Barack Obama, chega para
falar sobre as mudanças na espionagem
americana nesta sexta-feira (17) (Foto: AFP)

O presidente americano, Barack Obama, garantiu que a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, não precisa “se preocupar” com a confidencialidade das comunicações dos alemães, enquanto ele for presidente dos Estados Unidos – declarou o próprio em entrevista à televisão alemã neste sábado (18).

“Enquanto eu for presidente dos Estados Unidos, a chanceler alemã não terá de se preocupar” com a vigilância, declarou Obama à emissora pública alemã ZDF, na entrevista que deve ser transmitida neste sábado.

Segundo Obama, os dois países têm uma “relação de amizade e de confiança”.

“Não tenho necessidade, e não quero, nutrir essa relação por um mecanismo de vigilância, que se colocaria no meio da comunicação e da confiança que nós temos”, frisou.

A entrevista foi dada depois do anúncio, na véspera, da reforma nos programas da Agência da Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), suspeita de ter espionado comunicações de líderes estrangeiros, incluindo o celular de Merkel.

Na sexta-feira (17), o porta-voz de Merkel comemorou “o fato de que a proteção dos dados e dos direitos das pessoas serão mais respeitados no futuro, sobretudo, dos cidadãos não americanos”.

Neste sábado, as reações foram mais críticas.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Bundestag, Norbert Rittgen, do partido conservador CDU da chanceler, declarou que o anúncio de Obama foi “técnico” e não respondia, “infelizmente, ao verdadeiro problema”. Para ele, há uma “divergência transatlântica” sobre o equilíbrio entre liberdade e segurança.

Em entrevista na edição de domingo do jornal “Bild”, o ministro alemão da Justiça, o socialdemocrata Heiko Maas, vi nos projetos de Obama “um primeiro passo”. Segundo ele, a confiança da Alemanha em seu parceiro americano será restaurada apenas “quando tivermos assinado um acordo que proteja, de maneira juridicamente vinculante, os dados de todos os cidadãos”.

Fonte G1

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Publicado por em 21 de janeiro de 2014 em Brasil

 

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Obama vai reduzir uso de metadados na espionagem, dizem agências

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, vai anunciar nesta sexta-feira (17) uma grande reforma no polêmico programa da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) que monitora grande quantidade de dados telefônicos de estrangeiros e norte-americano, disseram fontes graduadas do governo às agências Reuters e France Presse.

Em discurso às 14h (horário de Brasília) no Departamento de Justiça, Obama vai dizer que está ordenando uma transição que vai mudar de forma significativa o uso pela NSA do que ficou conhecido como programa de “metadados” de telefonemas.

A medida de Obama tem como objetivo restaurar a confiança nas práticas de inteligência dos Estados Unidos, e será anunciada após meses de revisão do programa pela Casa Branca, depois das revelações feitas pelo ex-prestador de serviço da NSA Edward Snowden.

Em um aceno aos defensores da privacidade, Obama vai dizer que ele decidiu que o governo não deve mais manter o enorme volume de metadados de telefonemas, uma decisão que pode frustrar alguns oficiais de inteligência.

Além disso, o presidente vai determinar, com efeito imediato, que “nós tomaremos medidas para modificar o programa para que uma decisão judicial seja necessária antes de consultar o banco de dados”, disse a fonte, que revelou detalhes do discurso sob condição de anonimato.

Vazamento
Em um dos maiores vazamentos de segurança da história dos Estados Unidos, Snowden, um ex-contratado da NSA agora exilado na Rússia, divulgou por meses nos meios de comunicação denúncias sobre a espionagem americana de líderes de outros países, como Brasil e Alemanha.

As revelações enfureceram os aliados de Washington, envergonharam a Casa Branca e escandalizaram legisladores e ativistas do direito à privacidade.

O governo assegura que a informação arrecadada é usada apenas para localizar suspeitos de terrorismo e que as autoridades não ouvem ligações telefônicas pessoais.

Obama disse que tentará restaurar a confiança pública nas operações de inteligência.

O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, por sua vez, admitiu que, para o presidente, as revelações de Snowden são prejudiciais, mas as reformas também são necessárias.

Em sua edição de quarta-feira, o “New York Times” ressalta que não se espera uma revolução na maneira de trabalhar da NSA.

Em dezembro, um painel de cinco especialistas escolhidos por Obama formulou 46 recomendações, muitas delas focadas no programa ultrassecreto de coleta de dados das chamadas telefônicas feitas nos Estados Unidos.

“Estamos dando as últimas pinceladas na revisão dos nossos programas de vigilância eletrônica”, declarou Carney, sem comentar a matéria.

Segundo o jornal, é provável que Obama rejeite a recomendação do painel de atribuir às operadoras o poder de armazenar os dados, e não à NSA. Mas seu discurso será marcado por “um espírito de reforma (…) e deixará a porta aberta para novas mudanças mais à frente”.

Os analistas acreditam que a reforma será ainda mais restrita para os programas de vigilância no exterior, já que o grupo de especialistas evitou pedir o final do sistema Prism.

O Prism foi autorizado pelo artigo 702 de uma lei votada em 2008 pelo Congresso e é defendido como um dos instrumentos mais eficazes da NSA. Ele permite acessar e-mails, fotos e demais comunicações eletrônicas trocadas nos sites mais visitados do mundo, como Gmail, Hotmail e Skype.

“No que se refere ao programa 702, conservaremos, a grosso modo, a mesma estrutura que hoje”, disse na terça-feira o professor Peter Swire, um ex-funcionário do governo e especialista no tema.

“Querem ter o direito a ser mais transparentes sobre os dados que proporcionam e as condições em que fazem isso”, explica Mark Rumold, da Electronic Frontier Foundation, mas, “em termos de reforma da legislação, não acho que o presidente Obama proponha grande coisa”.

Depois do pronunciamento de Obama, espera-se que a reforma seja submetida à votação no Congresso. O consenso político que permitiu a aprovação da ‘Patriot Act’ em 2001 já não existe, e os principais críticos dos métodos da NSA se encontram no partido do presidente.

Na véspera do discurso, o jornal “Guardian” publicou as mais recentes revelações dos vazamentos de Snowden.

Segundo a matéria, a NSA teria coletado cerca de 200 milhões de mensagens de texto diários (SMS) de celulares em todo o mundo para extrair informações sobre a localização, redes de contato e cartões de crédito dos usuários.

Prontos para levar sua luta ao Congresso se necessário, os ativistas das liberdades civis esperam pelo discurso de Obama com ceticismo.

“A trajetória do presidente Obama nesses assuntos, de reformador a partidário desses programas, é muito desanimadora”, afirma Kevin Bankston, diretor do Open Technology Institute, da New America Foundation, um centro de estudos em Washington.

“Se ele não assumir a liderança corajosa que é necessário será responsabilidade do Congresso revisar as revelações e esperamos trabalhar com eles para isso”, afirmou Bankston.

Espera-se que Obama defenda medidas extraordinárias para proteger a privacidade de estrangeiros atingidos pelas interceptações eletrônicas e limitar a espionagem de seus aliados.

Fonte G1

 
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Publicado por em 17 de janeiro de 2014 em Brasil

 

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Obama vai reduzir uso de metadados na espionagem, dizem agências

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, vai anunciar nesta sexta-feira (17) uma grande reforma no polêmico programa da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) que monitora grande quantidade de dados telefônicos de estrangeiros e norte-americano, disseram fontes graduadas do governo às agências Reuters e France Presse.

Em discurso às 14h (horário de Brasília) no Departamento de Justiça, Obama vai dizer que está ordenando uma transição que vai mudar de forma significativa o uso pela NSA do que ficou conhecido como programa de “metadados” de telefonemas.

A medida de Obama tem como objetivo restaurar a confiança nas práticas de inteligência dos Estados Unidos, e será anunciada após meses de revisão do programa pela Casa Branca, depois das revelações feitas pelo ex-prestador de serviço da NSA Edward Snowden.

Em um aceno aos defensores da privacidade, Obama vai dizer que ele decidiu que o governo não deve mais manter o enorme volume de metadados de telefonemas, uma decisão que pode frustrar alguns oficiais de inteligência.

Além disso, o presidente vai determinar, com efeito imediato, que “nós tomaremos medidas para modificar o programa para que uma decisão judicial seja necessária antes de consultar o banco de dados”, disse a fonte, que revelou detalhes do discurso sob condição de anonimato.

Vazamento
Em um dos maiores vazamentos de segurança da história dos Estados Unidos, Snowden, um ex-contratado da NSA agora exilado na Rússia, divulgou por meses nos meios de comunicação denúncias sobre a espionagem americana de líderes de outros países, como Brasil e Alemanha.

As revelações enfureceram os aliados de Washington, envergonharam a Casa Branca e escandalizaram legisladores e ativistas do direito à privacidade.

O governo assegura que a informação arrecadada é usada apenas para localizar suspeitos de terrorismo e que as autoridades não ouvem ligações telefônicas pessoais.

Obama disse que tentará restaurar a confiança pública nas operações de inteligência.

O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, por sua vez, admitiu que, para o presidente, as revelações de Snowden são prejudiciais, mas as reformas também são necessárias.

Em sua edição de quarta-feira, o “New York Times” ressalta que não se espera uma revolução na maneira de trabalhar da NSA.

Em dezembro, um painel de cinco especialistas escolhidos por Obama formulou 46 recomendações, muitas delas focadas no programa ultrassecreto de coleta de dados das chamadas telefônicas feitas nos Estados Unidos.

“Estamos dando as últimas pinceladas na revisão dos nossos programas de vigilância eletrônica”, declarou Carney, sem comentar a matéria.

Segundo o jornal, é provável que Obama rejeite a recomendação do painel de atribuir às operadoras o poder de armazenar os dados, e não à NSA. Mas seu discurso será marcado por “um espírito de reforma (…) e deixará a porta aberta para novas mudanças mais à frente”.

Os analistas acreditam que a reforma será ainda mais restrita para os programas de vigilância no exterior, já que o grupo de especialistas evitou pedir o final do sistema Prism.

O Prism foi autorizado pelo artigo 702 de uma lei votada em 2008 pelo Congresso e é defendido como um dos instrumentos mais eficazes da NSA. Ele permite acessar e-mails, fotos e demais comunicações eletrônicas trocadas nos sites mais visitados do mundo, como Gmail, Hotmail e Skype.

“No que se refere ao programa 702, conservaremos, a grosso modo, a mesma estrutura que hoje”, disse na terça-feira o professor Peter Swire, um ex-funcionário do governo e especialista no tema.

“Querem ter o direito a ser mais transparentes sobre os dados que proporcionam e as condições em que fazem isso”, explica Mark Rumold, da Electronic Frontier Foundation, mas, “em termos de reforma da legislação, não acho que o presidente Obama proponha grande coisa”.

Depois do pronunciamento de Obama, espera-se que a reforma seja submetida à votação no Congresso. O consenso político que permitiu a aprovação da ‘Patriot Act’ em 2001 já não existe, e os principais críticos dos métodos da NSA se encontram no partido do presidente.

Na véspera do discurso, o jornal “Guardian” publicou as mais recentes revelações dos vazamentos de Snowden.

Segundo a matéria, a NSA teria coletado cerca de 200 milhões de mensagens de texto diários (SMS) de celulares em todo o mundo para extrair informações sobre a localização, redes de contato e cartões de crédito dos usuários.

Prontos para levar sua luta ao Congresso se necessário, os ativistas das liberdades civis esperam pelo discurso de Obama com ceticismo.

“A trajetória do presidente Obama nesses assuntos, de reformador a partidário desses programas, é muito desanimadora”, afirma Kevin Bankston, diretor do Open Technology Institute, da New America Foundation, um centro de estudos em Washington.

“Se ele não assumir a liderança corajosa que é necessário será responsabilidade do Congresso revisar as revelações e esperamos trabalhar com eles para isso”, afirmou Bankston.

Espera-se que Obama defenda medidas extraordinárias para proteger a privacidade de estrangeiros atingidos pelas interceptações eletrônicas e limitar a espionagem de seus aliados.

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Publicado por em 17 de janeiro de 2014 em Tecnologia

 

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‘Blackphone’ é smartphone que tenta impedir espionagem dos EUA

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Publicado por em 16 de janeiro de 2014 em Tecnologia

 

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EUA rejeitam pedido de empresas para esclarecer espionagem

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos disse a uma corte de vigilância secreta que rejeita o pedido de companhias de tecnologia para que as demandas por informações de usuários sejam melhor explicadas, de acordo com documentos do tribunal divulgados nesta quarta-feira (2).

Negociações entre o governo federal e companhias como o Google têm durado meses, e enquanto agências de espionagem dos EUA dizem que planejam ser mais transparentes, se opõem a pedidos das companhias para que dados mais detalhados sejam revelados.

Os documentos da Justiça foram arquivados no Tribunal de Vigilância de Inteligência Externa dos Estados Unidos, um órgão originalmente criado para conter abusos de inteligência.

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Publicado por em 4 de outubro de 2013 em Tecnologia

 

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Criador de antivírus cria dispositivo de US$ 100 que bloqueia espionagem

O criador do antivírus McAfee, John McAfee, divulgou uma invenção que promete bloquear em PCs e smartphones qualquer tentativa de espionagem do governo sobre os usuários. Chamado de “D-Central”, a proposta do dispositivo é se comunicar com smartphones, tablets, notebooks e PCs, criando redes descentralizadas que não podem ser acessadas pelas agências.

McAfee, em discurso no sábado (28) durante um evento, disse que quer vender o aparelho por menos de US$ 100 nos Estados Unidos. “Não haverá meio de o governo dizer quem você é ou onde você está”, disse o executivo. Ele contou que trabalha com o dispositivo há anos, mas que intensificou seu desenvolvimento nos últimos meses. O protótipo final deve ser testado dentro de seis meses.

Na prática, o aparelho cria pequenas redes privadas que não podem ser acessadas por terceiros. Ele não foi feito para substituir a internet. Em vez disso, fornece redes dinâmicas que permite aos usuários se comunicarem de forma privadas e a compartilhar arquivos em segurança. O dispositivo terá um modo privado e outro público.

O “D-Central”, explicou McAfee, tem um alcance limite de três quadras e que todos dentro dessa área podem se comunicar entre si. Foi criado um sistema de proteção de dados que o executivo afirma que não poderá ser quebrado pelas agências de espionagem norte-americanas

Questões como terrorismo e crimes podem fazer com que o “D-Central” não seja comercializado. “É claro que ele pode ser usado para crimes, do mesmo modo como o telefone pode ser usar para cometer crimes”, disse. “Caso o aparelho seja banido nos EUA, podemos vendê-lo em outro país como Japão, Reino Unido ou nos países da América Latina e da Ásia”.

Ainda não há previsão de um anúncio oficial do aparelho. Entretanto, McAfee criou um site com um relógio que avisará quando o aparelho terá novas informações divulgadas (clique aqui).

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Publicado por em 2 de outubro de 2013 em Tecnologia

 

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Dilma diz na ONU que espionagem fere soberania e direito internacional

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira (24) em discurso de abertura da  68ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York, que as ações de espionagem dos Estados Unidos no Brasil “ferem” o direito internacional e “afrontam” os princípios que regem a relação entre os países.

Dilma iniciou o discurso, de 23 minutos, lamentando atentado terrorista da semana passada no Quênia que matou mais de 50 pessoas. “Jamais transigiremos com a barbárie”, disse.

Em seguida, passou a criticar as ações de espionagem dos Estados Unidos das quais ela, assessores e a estatal Petrobras foram alvos, segundo revelou o programa Fantástico.

“Quero trazer à consideração das delegações uma questão à qual atribuo a maior relevância e gravidade. Recentes revelações sobre as atividades de uma rede global de espionagem eletrônica provocaram indignação e repúdio em amplos setores da opinião pública mundial”, disse Dilma no discurso, tradicionamente proferido pelo presidente do Brasil, primeiro país a aderir à ONU em 1945.

Imiscuir-se dessa forma na vida dos outros países fere o direito internacional e afronta os princípios que devem reger as relações entre eles, sobretudo, entre nações amigas.”

A presidente destacou que o Brasil apareceu como alvo “dessa intrusão”.

“Dados pessoais de cidadãos foram indiscriminadamente objeto de interceptação. Informações empresariais – muitas vezes com alto valor econômico e mesmo estratégico – estiveram na mira da espionagem. Também representações diplomáticas brasileiras, entre elas a Missão Permanente junto às Nações Unidas e a própria Presidência da República do Brasil tiveram suas comunicações interceptadas”, afirmou.

Para a presidente, “imiscuir-se dessa forma na vida dos outros países fere o direito internacional e afronta os princípios que devem reger as relações entre eles, sobretudo, entre nações amigas”.

Diante das delegações de mais de 190 países, inclusive dos Estados Unidos, Dilma afirmou que “não procedem” as afirmações do governo norte-americano de que a interceptação da comunicação de autoridades destina-se a proteger os cidadãos contra o terrorismo.

A fala de Dilma antecedeu o discurso do presidente norte-americano, Barack Obama. Na última terça-feira (17), ela anunciou o adiamento da visita de Estado que faria em outubro a Washington, nos Estados Unidos, em razão das denúncias de espionagem.

A presidente brasileira afirmou que “ações ilegais” são “inadmissíveis”.

As tecnologias de telecomunicações e informação não podem ser novo campo de batalha entre os estados. Este é o momento de criamos as condições para evitar que o espaço cibernético seja instrumentalizado como arma de guerra, por meio da espionagem, da sabotagem, dos ataques contra sistemas e infraestrutura de outros países.”

“Jamais pode o direito à segurança dos cidadãos de um país ser garantido mediante a violação de direitos humanos fundamentais dos cidadãos de outro país. Não se sustentam argumentos de que a interceptação ilegal de informações e dados destina-se a proteger as nações contra o terrorismo”, afirmou Dilma.

A presidente destacou que o Brasil é pacífico e democrático e não tem histórico de terrorismo. Segundo ela, o país “sabe se proteger” e “repudia” e “não dá abrigo” a grupos terroristas. “Somos um país democrático, cercado de países democráticos, pacíficos e respeitosos do direito internacional”, disse.

Ao lembrar que lutou na juventude contra a ditadura militar, a presidente afirmou que vai defender “de modo intransigente” o direito à privacidade dos indivíduos.

“Sem ele, o direito à privacidade, não há efetiva liberdade de expressão e opinião e, portanto, não há efetiva à democracia. Sem respeito à soberania, não há base para o relacionamento entre as nações”, afirmou Dilma.

De acordo com a presidente, o problema afeta a própria comunidade internacional. “Temos que criar as condições para evitar que o espaço cibernético seja arma de guerra”, disse.

Dilma Rousseff faz discurso de abertura da 68ª Assembleia Geral da ONU e critica práticas de espionagem dos EUA (Foto: Stan Honda/AFP)Dilma Rousseff durante discurso de abertura da 68ª Assembleia Geral da ONU (Foto: Stan Honda/AFP)

Internet
Para Dilma, a ONU deve liderar uma iniciativa de regulamentação do papel dos estados em relação às tecnologias. Segundo ela, o Brasil fará uma proposta sobre o tema.

“A ONU deve desempenhar liderança no esforço de regular o comportamento dos estados frente a essas tecnologias. Por essa razão, o Brasil apresentará propostas para o estabelecimento de um marco civil mulitlateral para governança e o uso da internet”, declarou.

Segundo ela, “as tecnologias de telecomunicações e informação não podem ser novo campo de batalha entre os estados. Este é o momento de criamos as condições para evitar que o espaço cibernético seja instrumentalizado como arma de guerra, por meio da espionagem, da sabotagem, dos ataques contra sistemas e infraestrutura de outros países”.

De acordo com a presidente, esse marco regulatório deve garantir sobretudo a liberdade de expressão, privacidade dos indivíduos e a “neutralidade” da rede de computadores. Para ela, o acesso à internet não pode ser impedido por motivos políticos, comerciais ou religiosos.

Questão interna
Dilma utilizou parte do discurso para relacionar o que apontou como conquistas sociais e econômicas do governo.

Ela disse que o Brasil retirmou da pobreza extrema 22 milhões de pessoas em dois anos e reduziu “de forma drástica” a mortalidade infantil. Também lembrou da proposta aprovada pelo Congresso que vinculou à educação 75% dos royaltes da exploração do petróleo e à saúde os outros 25%. Segundo ela, nesta década, o Brasil obteve a maior redução da desigualdade dos últimos 50 anos.

Impõe evitar a derrota coletiva que representaria chegar a 2015 sem um conselho de segurança capaz de exercer plenamente suas responsabildaides no mundo de hoje. É preocupante a limitada representação do Conselho de Segurança da ONU face os desafios do século 21. Exemplos disso são a dificuldade no conflito sírio e a paralisia na questão israelo-palestina.”

A presidente fez referência às manifestações de rua em junho. Disse que o governo não tentou contê-las e afirmou que são “parte indiscutível” do processo de construção da democracia.

“O meu governo não as reprimiu. Pelo contrário, ouviu e compreendeu as vozes das ruas. Porque nós viemos das ruas. A rua é nosso chão, a nossa base. Os manifestantes não pediram a volta do passado. Pediram um avanço para um fuuro com mais direitos, mais conquistas sociais.”

Para ela, os “avanços conquistados” são só um começo.

“Sabemos que democracia gera mais desejo de democracia, qualidade de vida desperta anseio por mais qualidade de vida”, declarou.

Economia
Segundo a presidente, “passada a fase mais aguda da crise internacional”,  a economia mundial continua “frágil” e com nível de desemprego “inaceitável”, fenômeno que, avaliou, afeta países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Ela defendeu uma ação coordenada para a retomada do crescimento mundial. “Estamos todos no mesmo barco. Meu país está recuperando o crescimento, apesar do impacto da crise.”

Ela voltou a defender a posição do Brasil de se promover uma mudança na composição do Fundo Monetário Internacional (FMI), com a ampliação da representatividade dos países em desenvolvimento.

“Seguimos apoiando a reforma do FMI. A governança do fundo deve refletir o peso do emergentes e em desenvolvimento. A demora reduz sua legitimidade e eficácia, declarou.

Síria
Para a guerra civil na Síria, que já matou mais de 110 mil pessoas, Dilma defendeu uma solução diplomática, sem o uso de força militar.

“É preciso impedir a morte de inocentes, crianças, mulheres e idosos. É preciso calar a voz das armas – convencionais ou químicas – do governo ou dos rebeldes. Não há saída militar. A única solução é a negociada, o diálogo, o entendimento”, disse.

É preciso impedir a morte de inocentes, crianças, mulheres e idosos. É preciso calar a voz das armas – convencionais ou químicas – do governo ou dos rebeldes. Não há saída militar [para a Síria]. A única solução é a negociada, o diálogo, o entendimento.”

Dilma disse apoiar o acordo liderado pela Rússia para a eliminação de armas químicas na Síria.

“Cabe ao governo sírio cumpri-lo integralmente, de boa-fé e com ânimo cooperativo.

Em qualquer hipótese, repudiamos intervenções unilaterais ao arrepio do direito internacional, sem autorização do Conselho de Segurança”, afirmou.

Para a presidente uma  intervenção militar só “agravaria a instabilidade política da região e aumentaria o sofrimento humano”.

Reforma na ONU
A presidente também reivindicou a “reforma urgente” do Conselho de Segurança da ONU, organismo criado para dar solução a conflitos pelo mundo. Para ela, a ocasião para essa reforma é 2015, quando a ONU completará 70 anos.

“Impõe evitar a derrota coletiva que representaria chegar a 2015 sem um conselho de segurança capaz de exercer plenamente suas responsabildaides no mundo de hoje. É preocupante a limitada representação do Conselho de Segurança da ONU face os desafios do século 21. Exemplos disso são a dificuldade no conflito sírio e a paralisia na questão israelo-palestina”, disse.

Para a presidente, “urge” dotar o conselho de “vozes independentes e construtivas”.

“Somente a ampliação de membros permantenes e não-permanentes permitirá sanar o atual déficit de representatividade e legitimidade do conselho”, declarou.

O Brasil pleiteia um assento permanente no conselho, formado hoje por Estados Unidos, Rússia, China, França e Inglaterra.

Palestina
Dilma também reiterou a posição do governo brasileiro de defender a criação de um Estado Palestino.

“É chegada a hora de transformar em realidade o amplo consenso internacional em favor da solução de dois Estados”, disse.

Rio+20
A presidente também deu destaque à necessidade de cumprimento das resoluções firmadas na Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Clima, realizada em junho do ano passado no Rio de Janeiro.

“O grande passo que demos no Rio de Janeiro foi colocar a pobreza no centro da agenda do desenvolvimento sustentável. A pobreza não é um problema exclusivo dos países em desenvolvimento, e a proteção ambiental não é uma meta apenas para quando a pobreza estiver superada”, disse.

Dilma encerrou o discurso defendendo que a comunidade internacional reforce negociações multilaterais, como as encabeçadas pelas Nações Unidas.

“A história do século 20 mostra que o abandono do multilateralismo é o prelúdio de guerras, com seu rastro de miséria humana e devastação.”

Íntegra
Leia abaixo a íntegra do discurso de Dilma na ONU.

Embaixador John Ashe, Presidente da 68ª Assembleia-Geral das Nações Unidas,
Senhor Ban Ki-moon, Secretário-Geral das Nações Unidas,

Excelentíssimos Senhores Chefes de Estado e de Governo,

Senhoras e Senhores,

Permitam-me uma primeira palavra para expressar minha satisfação em ver um ilustre representante de Antígua e Barbuda – país que integra o Caribe tão querido no Brasil e em nossa região – à frente dos trabalhos desta Sessão da Assembleia-Geral.

Conte, Excelência, com o apoio permanente de meu Governo.

Permitam-me também, já no início da minha intervenção, expressar o repúdio do governo e do povo brasileiro ao atentado terrorista ocorrido em Nairóbi. Expresso as nossas condolências e a nossa solidariedade às famílias das vítimas, ao povo e ao governo do Quênia.

O terrorismo, onde quer que ocorra e venha de onde vier, merecerá sempre nossa condenação inequívoca e nossa firme determinação em combatê-lo. Jamais transigiremos com a barbárie.

Senhor Presidente,

Quero trazer à consideração das delegações uma questão a qual atribuo a maior relevância e gravidade.

Recentes revelações sobre as atividades de uma rede global de espionagem eletrônica provocaram indignação e repúdio em amplos setores da opinião pública mundial.

No Brasil, a situação foi ainda mais grave, pois aparecemos como alvo dessa intrusão. Dados pessoais de cidadãos foram indiscriminadamente objeto de interceptação. Informações empresariais – muitas vezes, de alto valor econômico e mesmo estratégico – estiveram na mira da espionagem. Também representações diplomáticas brasileiras, entre elas a Missão Permanente junto às Nações Unidas e a própria Presidência da República tiveram suas
comunicações interceptadas.

Imiscuir-se dessa forma na vida de outros países fere o Direito Internacional e afronta os princípios que devem reger as relações entre eles, sobretudo, entre nações amigas. Jamais pode uma soberania firmar-se em detrimento de outra soberania. Jamais pode o direito à segurança dos cidadãos de um país ser garantido mediante a violação de direitos humanos e civis fundamentais dos cidadãos de outro país.

Pior ainda quando empresas privadas estão sustentando essa espionagem.

Não se sustentam argumentos de que a interceptação ilegal de informações e dados destina-se a proteger as nações contra o terrorismo.

O Brasil, senhor presidente, sabe proteger-se. Repudia, combate e não dá abrigo a grupos terroristas.

Somos um país democrático, cercado de países democráticos, pacíficos e respeitosos do Direito Internacional. Vivemos em paz com os nossos vizinhos há mais de 140 anos.

Como tantos outros latino-americanos, lutei contra o arbítrio e a censura e não posso deixar de defender de modo intransigente o direito à privacidade dos indivíduos e a soberania de meu país. Sem ele – direito à privacidade – não há verdadeira liberdade de expressão e opinião e, portanto, não há efetiva democracia. Sem respeito à soberania, não há base para o relacionamento entre as nações.

Estamos, senhor presidente, diante de um caso grave de violação dos direitos humanos e das liberdades civis; da invasão e captura de informações sigilosas relativas as atividades empresariais e, sobretudo, de desrespeito à soberania nacional do meu país.

Fizemos saber ao governo norte-americano nosso protesto, exigindo explicações, desculpas e garantias de que tais procedimentos não se repetirão.

Governos e sociedades amigas, que buscam consolidar uma parceria efetivamente estratégica, como é o nosso caso, não podem permitir que ações ilegais, recorrentes, tenham curso como se fossem normais. Elas são inadmissíveis.

O Brasil, senhor presidente, redobrará os esforços para dotar-se de legislação, tecnologias e mecanismos que nos protejam da interceptação ilegal de comunicações e dados.

Meu governo fará tudo que estiver a seu alcance para defender os direitos humanos de todos os brasileiros e de todos os cidadãos do mundo e proteger os frutos da engenhosidade de nossos trabalhadores e de nossas empresas.

O problema, porém, transcende o relacionamento bilateral de dois países. Afeta a própria comunidade internacional e dela exige resposta. As tecnologias de telecomunicação e informação não podem ser o novo campo de batalha entre os Estados. Este é o momento de criarmos as condições para evitar que o espaço cibernético seja instrumentalizado como arma de guerra, por meio da espionagem, da sabotagem, dos ataques contra sistemas e
infraestrutura de outros países.

A ONU deve desempenhar um papel de liderança no esforço de regular o comportamento dos Estados frente a essas tecnologias e a importância da internet, dessa rede social, para construção da democracia no mundo.

Por essa razão, o Brasil apresentará propostas para o estabelecimento de um marco civil multilateral para a governança e uso da internet e de medidas que garantam uma efetiva proteção dos dados que por ela trafegam.

Precisamos estabelecer para a rede mundial mecanismos multilaterais

1 – Da liberdade de expressão, privacidade do indivíduo e respeito aos direitos humanos.

2 – Da Governança democrática, multilateral e aberta, exercida com transparência, estimulando a criação coletiva e a participação da sociedade, dos governos e do setor privado.

3 – Da universalidade que assegura o desenvolvimento social e humano e a construção de sociedades inclusivas e não discriminatórias.

4 – Da diversidade cultural, sem imposição de crenças, costumes e valores.

5 – Da neutralidade da rede, ao respeitar apenas critérios técnicos e éticos, tornando inadmissível restrições por motivos políticos, comerciais, religiosos ou de qualquer outra natureza.

O aproveitamento do pleno potencial da internet passa, assim, por uma regulação responsável, que garanta ao mesmo tempo liberdade de expressão, segurança e respeito aos direitos humanos.

Senhor presidente, senhoras e senhores,

Não poderia ser mais oportuna a escolha da agenda de desenvolvimento pós-2015 como tema desta Sessão da Assembleia-Geral.

O combate à pobreza, à fome e à desigualdade constitui o maior desafio de nosso tempo.

Por isso, adotamos no Brasil um modelo econômico com inclusão social, que se assenta na geração de empregos, no fortalecimento da agricultura familiar, na ampliação do crédito, na valorização do salário e na construção de uma vasta rede de proteção social, particularmente por meio do nosso programa Bolsa Família.

Além das conquistas anteriores, retiramos da extrema pobreza, com o Plano Brasil sem Miséria, 22 milhões de brasileiros, em apenas dois anos.

Reduzimos de forma drástica a mortalidade infantil. Relatório recente do UNICEF aponta o Brasil como país que promoveu uma das maiores quedas deste indicador em todo o mundo.

As crianças são prioridade para o Brasil. Isso se traduz no compromisso com a educação. Somos o país que mais aumentou o investimento público no setor educacional, segundo o ultimo relatório da OCDE. Agora vinculamos, por lei, 75% de todos os royalties do petróleo para a educação e 25% para a saúde.

Senhor presidente,

No debate sobre a Agenda de Desenvolvimento pós-2015 devemos ter como eixo os resultados da Rio+20.

O grande passo que demos no Rio de Janeiro foi colocar a pobreza no centro da agenda do desenvolvimento sustentável. A pobreza, senhor presidente, não é um problema exclusivo dos países em desenvolvimento, e a proteção ambiental não é uma meta apenas para quando a pobreza estiver superada.

O sentido da agenda pós-2015 é a construção de um mundo no qual seja possível crescer, incluir, conservar e proteger.

Ao promover, senhor presidente, a ascensão social e superar a extrema pobreza, como estamos fazendo, nós criamos um imenso contingente de cidadãos com melhores condições de vida, maior acesso à informação e mais consciência de seus direitos.

Um cidadão com novas esperanças, novos desejos e novas demandas.

As manifestações de junho, em meu país, são parte indissociável do nosso processo de construção da democracia e de mudança social.

O meu governo não as reprimiu, pelo contrário, ouviu e compreendeu a voz das ruas. Ouvimos e compreendemos porque nós viemos das ruas.

Nós nos formamos no cotidiano das grandes lutas do Brasil. A rua é o nosso chão, a nossa base.

Os manifestantes não pediram a volta ao passado. Os manifestantes pediram sim o avanço para um futuro de mais direitos, mais participação e mais conquistas sociais.

No Brasil, foi nessa década, que houve a maior redução de desigualdade dos últimos 50 anos. Foi esta década que criamos um sistema de proteção social que nos permitiu agora praticamente superar a extrema pobreza.

Sabemos que democracia gera mais desejo de democracia. Inclusão social provoca cobrança de mais inclusão social. Qualidade de vida desperta anseio por mais qualidade de vida.

Para nós, todos os avanços conquistados são sempre só um começo. Nossa estratégia de desenvolvimento exige mais, tal como querem todos os brasileiros e as brasileiras.

Por isso, não basta ouvir, é necessário fazer. Transformar essa extraordinária energia das manifestações em realizações para todos.

Por isso, lancei cinco grandes pactos: o pacto pelo Combate à Corrupção e pela Reforma Política; o pacto pela Mobilidade Urbana, pela melhoria do transporte público e por uma reforma urbana; o pacto pela Educação, nosso grande passaporte para o futuro, com o auxílio dos royalties e do fundo social do petróleo; o pacto pela Saúde, o qual prevê o envio de médicos para atender e salvar as vidas dos brasileiros que vivem nos rincões mais remotos e pobres do país; e o pacto pela Responsabilidade Fiscal, para garantir a viabilidade dessa nova etapa.

Senhoras e Senhores,

Passada a fase mais aguda da crise, a situação da economia mundial ainda continua frágil, com níveis de desemprego inaceitáveis.

Os dados da OIT indicam a existência de mais de 200 milhões de desempregados em todo o mundo.

Esse fenômeno afeta as populações de países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Este é o momento adequado para reforçar as tendências de crescimento da economia mundial que estão agora dando sinais de recuperação.

Os países emergentes, sozinhos, não podem garantir a retomada do crescimento global. Mais do que nunca, é preciso uma ação coordenada para reduzir o desemprego e restabelecer o dinamismo do comércio internacional. Estamos todos no mesmo barco.

Meu país está recuperando o crescimento apesar do impacto da crise internacional nos últimos anos. Contamos com três importantes elementos: i) o compromisso com políticas macroeconômicas sólidas; ii) a manutenção de exitosas políticas sociais inclusivas; iii) e a adoção de medidas para aumentar nossa produtividade e, portanto, a competitividade do país.

Temos compromisso com a estabilidade, com o controle da inflação, com a melhoria da qualidade do gasto público e a manutenção de um bom desempenho fiscal.

Seguimos, senhor presidente, apoiando a reforma do Fundo Monetário Internacional.

A governança do fundo deve refletir o peso dos países emergentes e em desenvolvimento na economia mundial. A demora nessa adaptação reduz sua legitimidade e sua eficácia.

Senhoras e senhores, senhor presidente

O ano de 2015 marcará o 70º aniversário das Nações Unidas e o 10º da Cúpula Mundial de 2005.

Será a ocasião para realizar a reforma urgente que pedimos desde aquela cúpula.

Impõe evitar a derrota coletiva que representaria chegar a 2015 sem um Conselho de Segurança capaz de exercer plenamente suas responsabilidades no mundo de hoje.

É preocupante a limitada representação do Conselho de Segurança da ONU, face os novos desafios do século XXI.

Exemplos disso são a grande dificuldade de oferecer solução para o conflito sírio e a paralisia no tratamento da questão israelo-palestina.

Em importantes temas, a recorrente polarização entre os membros permanentes gera imobilismo perigoso.

Urge dotar o Conselho de vozes ao mesmo tempo independentes e construtivas. Somente a ampliação do número de membros permanentes e não permanentes, e a inclusão de países em desenvolvimento em ambas as categorias, permitirá sanar o atual déficit de representatividade e legitimidade do Conselho.

Senhor presidente,

O Debate Geral oferece a oportunidade para reiterar os princípios fundamentais que orientam a política externa do meu país e nossa posição em temas candentes da realidade e da atualidade internacional. Guiamo-nos pela defesa de um mundo multilateral, regido pelo Direito Internacional, pela primazia da solução pacífica dos conflitos e pela busca de uma ordem solidária e justa – econômica e socialmente.

A crise na Síria comove e provoca indignação. Dois anos e meio de perdas de vidas e destruição causaram o maior desastre humanitário deste século.

O Brasil, que tem na descendência síria um importante componente de nossa nacionalidade, está profundamente envolvido com este drama.

É preciso impedir a morte de inocentes, crianças, homens, mulheres e idosos. É preciso calar a voz das armas – convencionais ou químicas, do governo ou dos rebeldes.

Não há saída militar. A única solução é a negociação, o diálogo, o entendimento.

Foi importante a decisão da Síria de aceder à Convenção sobre a Proibição de Armas Químicas e aplicá-la imediatamente.

A medida é decisiva para superar o conflito e contribui para um mundo livre dessas armas. Seu uso, reitero, é hediondo e inadmissível em qualquer situação.

Por isso, apoiamos o acordo obtido entre os Estados Unidos e a Rússia para a eliminação das armas químicas sírias. Cabe ao Governo sírio cumpri-lo integralmente, de boa-fé e com ânimo cooperativo.

Em qualquer hipótese, repudiamos intervenções unilaterais ao arrepio do Direito Internacional, sem autorização do Conselho de Segurança. Isto só agravaria a instabilidade política da região e aumentaria o sofrimento humano.

Da mesma forma, a paz duradoura entre Israel e Palestina assume nova urgência diante das transformações por que passa o Oriente Médio.

É chegada a hora de se atender às legítimas aspirações palestinas por um Estado independente e soberano.

É também chegada a hora de transformar em realidade o amplo consenso internacional em favor de uma solução de dois Estados.

As atuais tratativas entre israelenses e palestinos devem gerar resultados práticos e significativos na direção de um acordo.

Senhor presidente, senhoras e senhores,

A história do século XX mostra que o abandono do multilateralismo é o prelúdio de guerras, com seu rastro de miséria humana e devastação.

Mostra também que a promoção do multilateralismo rende frutos nos planos ético, político e institucional.

Renovo, assim, o apelo em prol de uma ampla e vigorosa conjunção de vontades políticas que sustente e revigore o sistema multilateral, que tem nas Nações Unidas seu principal pilar.

Em seu nascimento, reuniram-se as esperanças de que a humanidade poderia superar as feridas da Segunda Guerra Mundial.

De que seria possível reconstruir, dos destroços e do morticínio, um mundo novo de liberdade, de solidariedade e prosperidade.

Temos todos a responsabilidade de não deixar morrer essa esperança tão generosa e tão fecunda.

Muito obrigada, senhores e senhoras.

Fonte G1

 
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Publicado por em 25 de setembro de 2013 em Brasil

 

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