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Temperaturas extremas pressionam produção energética no mundo

Brasil sente os efeitos das altas temperaturas e de chuvas insuficientes (Foto: Reuters/BBC)Brasil sente os efeitos das altas temperaturas e de chuvas insuficientes (Foto: Reuters/BBC)

A tendência já verificada por cientistas de que extremos climáticos se tornem mais comuns, fazendo com que sejam registradas com frequência temperaturas muito mais altas ou muito mais baixas do que a média, tem pressionado a produção de energia no mundo.

Um relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, ligado à ONU) havia indicado, no semestre passado, que as mudanças nos padrões climáticos devem levar não apenas a temperaturas mais altas, como também a mais secas e enchentes. Estudos sugerem também que alterações em ventos de grande altitude, provocados pelas mudanças climáticas, favoreçam ondas de frio extremo.

Em países como Brasil, Argentina, Austrália, Estados Unidos e Canadá, operadoras de energia têm identificado mudanças nos padrões de consumo, com novos picos, em grande parte causadas pela necessidade de resfriar ou aquecer ambientes.

Ainda que não haja dados globais de consumo relacionados à temporada de forte calor e frio, a Agência Internacional de Energia aponta a forte correlação entre as temperaturas externas e o uso energético – e explica que o consumo extra muitas vezes tem anulado “os efeitos de medidas tomadas para melhorar a eficiência energética”.

No caso brasileiro, o verão extremamente quente e seco provocou recordes históricos de demanda de energia em dias de janeiro e fevereiro, segundo dados da ONS (Operadora Nacional do Sistema Elétrico).

Nesta quarta-feira (12), a operadora informou que o consumo de energia em fevereiro subiu 7,8% em relação ao mesmo mês de 2013.

Foram batidos consecutivos recordes de uso de energia, culminando com o pico histórico de demanda de 85.708 megawatts às 15h41 de 5 de fevereiro. “A causa se deve à continuidade das altas temperaturas e ao índice de desconforto térmico na hora de maior insolação”, constata boletim da operadora.

Além disso, o calor e a mudança nos padrões de consumo alterou os horários de pico brasileiros – tradicionalmente eram por volta de 18h às 20h, mas passaram a ocorrer entre 14h30 às 15h30, puxados em boa parte pelo uso de ar-condicionado em residências, escritórios e espaços comerciais.

“Um dos principais fatores é que aumentou muito a posse de aparelhos de ar-condicionado, (puxada pelo) aumento de renda e a nova classe média. Além disso, quando faz mais calor, é preciso mais energia para conseguir resfriar o ambiente”, diz à BBC Brasil Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética, vinculada ao Ministério de Minas de Energia.

“Antigamente, o horário de ponta tinha o chuveiro elétrico como vilão. Agora, o ar tem ficado ligado durante boa parte do dia.”

Estiagem
O problema maior atual, no entanto, não é o aumento consumo de energia no Brasil, opina Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor de Energia Elétrica (Gesel) da UFRJ.

“O problema é a seca, num período (de verão) em que deveríamos ter tido chuvas”, diz Castro à BBC Brasil, em referência à falta de chuvas no Sudeste brasileiro entre janeiro e fevereiro. “Como nossa matriz energética é 90% de hidrelétricas (ou seja, dependente da água da chuva), estamos perdendo reservatórios com as altas temperaturas e a falta de chuvas.”

Ele cita medições indicando que, nos primeiros 15 dias de fevereiro, choveu apenas um terço da média esperada para essa época do ano. No mês, as chuvas no Sudeste/Centro-Oeste tiveram o segundo pior volume do histórico de dados, desde que passaram a ser registrados.

Castro e Tolmasquim explicam que uma mudança importante é que o país não tem mais construído hidrelétricas com reservatórios de água (por motivos ambientais e porque o potencial dessas represas se esgotou). Na ausência de uma reserva, a chuva é ainda mais essencial para manter elevados os índices das hidrelétricas. E, na ausência de chuvas, o país tem tido que recorrer com mais frequência às usinas térmicas, que são mais poluentes.

Problema global
Os inconvenientes pelas altas temperaturas se repetiram na Austrália no início do ano, onde a alta demanda por energia elétrica provocou apagões pontuais em algumas regiões; e na Argentina, onde o jornal “La Nación” informou, em 1º de fevereiro, que o calor também provocou dias de recorde de consumo energético.

Já na América do Norte, o problema recente foi o frio extremo do início do ano, causado pelo fenômeno do vórtice polar (massas de ar do ártico na forma de ciclones) e por persistentes ondas frias.

“As temperaturas ao leste das Montanhas Rochosas estão significativamente mais frias neste inverno em comparação com o ano passado e a média anterior de dez anos, colocando pressão crescente sobre o consumo e sobre o preço de combustível para aquecer ambientes”, diz relatório de fevereiro da Administração de Informações Energéticas dos EUA.

Efeito semelhante foi sentido no leste do Canadá. Relatório de fevereiro da Organização Meteorológica Internacional, ligada à ONU, lista “uma série de condições climáticas extremas nas primeiras semanas de 2014, dando continuidade a um padrão visto em dezembro de 2013”.

Fonte G1

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Publicado por em 16 de março de 2014 em Tecnologia

 

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Congresso do México aprova histórica reforma energética

A histórica reforma energética do México foi aprovada de forma definitiva nesta quinta-feira (12) depois que o Congresso submeteu a uma última votação mudanças constitucionais importantes que permitem o investimento privado nacional e estrangeiro no setor.

A reforma foi aprovada por 353 votos a favor e 134 contra, principalmente da esquerda, que considera a norma ‘um assalto à nação’, disseram os legisladores ao declarar seus votos.

Na quarta-feira (11), a Câmara dos Deputados já havia aprovado a reforma, que abre as portas ao capital privado para a exploração de combustíveis, mas ainda restavam alguns pontos que precisam ser debatidos.

Após a aprovação no Senado sem os votos da esquerda, a polêmica reforma foi aprovada em termos gerais na Câmara com 354 votos a favor e 134 contrários. A votação foi tensa e aconteceu em meio a gritos e ofensas.

A reforma é considerada a mais importante das mudanças estruturais defendidas pelo presidente Enrique Peña Nieto para estimular o crescimento econômico e social do país.A reforma, aprovada graças aos votos do Partido Revolucionário Institucional (PRI), no poder, e do Partido Ação Nacional (PAN), pretende acabar com 75 anos de monopólio estatal do setor de energia e abrir ao capital privado nacional e estrangeiro a exploração e extração de combustíveis.

O projeto prevê diferentes tipos de contrato, de serviços, de utilidade e de produção compartilhada ou de licença, o que a esquerda considera uma ‘privatização’ do setor e a abertura a concessões dissimuladas.

A reforma também inclui a criação de um fundo que administrará os recursos petroleiros, levando em consideração que a Pemex, a empresa estatal do setor, destina atualmente 67% do lucro aos cofres públicos.

Fonte G1

 
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Publicado por em 2 de janeiro de 2014 em Brasil

 

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Transição energética na Alemanha já afeta grandes empresas do setor

O plano de transição energética da Alemanha, que pretende substituir usinas poluentes, como as de carvão, ou aquelas consideradas perigosas, como as nucleares, por complexos renováveis já traz consequências negativas para empresas do setor, que têm planos de fechar unidades ou mesmo transferir plantas para outro país.

O futuro das usinas movidas a carvão e gás é um dos grandes pontos de interrogação desta transição, que deve levar a Alemanha a abandonar, em 20 anos, a energia nuclear, e as fontes renováveis a se tornarem 80% da produção elétrica até 2050.

Merkel, que espera se eleger para um terceiro mandato nas legislativas de 22 de setembro, reivindica o popular abandono da energia atômica.

Mas esta política energética vai privar os produtores de eletricidade, EON e RWE em primeiro lugar, de ganhos proveitosos obtidos com suas usinas atômicas. A empresa energética alemã RWE quer fechar seis usinas na Alemanha e a EON pretende se mudar para a Turquia.

E a partir de agora, ela transforma suas usinas de gás e carvão, marginalizadas pela concorrência das renováveis, em fontes de prejuízo. “Muitas de nossas usinas operam no prejuízo”, afirmou recentemente o diretor financeiro da RWE, Bernhard Günther.

Como consequência, a RWE pretende fechar várias usinas na Alemanha e na Holanda, que representam uma capacidade acumulada de 4.300 Megawatts (Mw). E outras podem seguir o mesmo caminho, acrescentou Günther.

A Agência de Redes, que deve avaliar estes fechamentos, recebeu desde o fim de 2012 quinze pedidos de fechamento, segundo um porta-voz. A norueguesa Statkraft, entre outras, anunciou que fechará duas instalações na Alemanha.

Em função do boom de energia solar nos últimos anos, devido a um regime generoso de subsídios, a capacidade instalada das renováveis atualmente é tal que, se o vento soprar ou o sol brilhar, inclusive ao mesmo tempo, a Alemanha pode em algumas oportunidades deixar de usar suas usinas convencionais.

Eólica e solar são prioridades
O apoio às renováveis se traduz, sobretudo, na prioridade dada à própria energia que alimenta a rede. Tudo o que as eólicas e os painéis solares produzem deve passar, enquanto a produção de carbono e gás só serve para tapar buraco.

Em função do boom de energia solar nos últimos anos, devido a um regime generoso de subsídios, a capacidade instalada das renováveis atualmente é tal que, se o vento soprar ou o sol brilhar, inclusive ao mesmo tempo, a Alemanha pode em algumas oportunidades deixar de usar suas usinas convencionais.

Entre abril e maio, algumas usinas da RWE funcionaram a menos de 10% de sua capacidade, explicou Günther. Como o preço do atacado da eletricidade é o mais baixo da Europa, isto se traduz em perdas substanciais.

Recentemente, o problema dizia respeito às usinas a gás, mas, segundo ele, a partir de agora até mesmo o carvão não é mais obrigatoriamente rentável.

A EON brigou durante meses com as autoridades regionais sobre o destino de sua usina a gás de Irshing, na Bavária. Inaugurada em 2010, a central funciona precariamente. O grupo concordou em mantê-la em serviço, como desejavam reguladores e poder público em uma solicitação de garantia de abastecimento, mediante o pagamento de uma compensação.

Garantia de abastecimento
A Agência de Redes advertiu que não aprovará mais fechamentos de usinas no sul do país, onde a demanda é maior. A geração a partir de fontes renováveis é inteiramente dependente do clima e as fontes convencionais precisam garantir o abastecimento quando estas falham. Quando isto ocorre, os operadores pedem compensação.

Atualmente, as usinas do grupo EON “trabalham por nada”, lamentou recentemente o diretor Johannes Teyssen, que estuda outros cenários de fechamento e – por que não? – transferir a empresa para a Turquia, onde o grupo está solidamente implantado. “Eu acredito que é sempre uma ameaça, será muito, muito complicado, e me espantaria que pensassem nisso seriamente’, comentou uma fonte do setor.

Neste período pré-eleitoral, as ameaças fazem parte do jogo. Todo o setor espera do futuro governo uma revisão profunda das modalidades da transição energética. “Todos os problemas são conhecidos e identificáveis, não haverá descanso para o futuro governo”, advertiu Hildegard Müller, presidente da federação do setor, BDEW.

G1 visitou a Alemanha
Em 2011, o G1 visitou o estado de Baden-Württemberg, no sul da Alemanha, e mostrou projetos do país voltados à geração de energia limpa e que terão a responsabilidade de substituir, principalmente, as usinas nucleares em operação por todo o território alemão (veja reportagens).

O emprego das energias renováveis no país, como a solar, eólica e biomassa, saltariam para 80% até 2050, segundo o plano oficial. A potência instalada de fontes renováveis deverá chegar a 163,3 GW.

É como se em quatro décadas a Alemanha construísse o equivalente a mais de 14 usinas com a mesma potência da de Belo Monte, que terá capacidade para produzir 11,2 GWh de energia no Rio Xingu, no Pará.

À esquerda, exemplos de turbinas de energia eólica que funcionam em regiões da Alemanha; à direita, casas sustentáveis que são abastecidas com luz solar em bairro de Freiburg (Foto: Eduardo Carvalho/Globo Natureza)À esquerda, exemplos de turbinas de energia eólica que funcionam em regiões da Alemanha; à direita, casas sustentáveis que são abastecidas com luz solar em bairro de Freiburg (Foto: Eduardo Carvalho/G1)

Fonte G1

 
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Publicado por em 22 de setembro de 2013 em Tecnologia

 

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Como melhorar a eficiência energética do data center?

Tecnologias e práticas de gestão podem ajudar a reduzir o consumo de energia em centro de dados.

Energia é o elemento básico para o funcionamento de qualquer data center. Porém, a energia elétrica de que precisam provoca mais calor e exige mais capacidade de refrigeração. Uma maneira de medir a eficiência energética nesses ambientes é por meio do Power Usage Effectiveness (PUE), razão entre a potência total consumida pela instalação de TI, refrigeração, iluminação etc, dividida pela eletricidade dos equipamentos de tecnologia. O melhor PUE é próximo de 1,0, embora 2,0 seja o mais comum entre os centros de dados.

Para melhorar o PUE e garantir eficiência energética, empresas como Google, Apple e Microsoft, em parceira com provedores de hosting, têm instalado seus centros de dados em locais adequados. A Google, por exemplo, aloca muitos de seus servidores no meio do Oceano Pacífico, prática que não é recomendada por muitos especialistas em razão de tsunamis, e também adotado técnicas para resfriamento por evaporação.
Além disso, o desenho de muitos dos datas centers mais eficientes do mundo inclui o uso de outras fontes de energia que não consomem combustível ou que tenham emissão reduzida de carbono. É o caso da Verne Global, que criou um data center neutro de carbono na Islândia, que se nutre de energia hidrelétrica e geotérmica [obtida a partir do calor proveniente da Terra].

Miguel Angel Ordonez, diretor do CPD da IBM Espanha, observa que o uso de tecnologias de refrigeração baseadas em ar externo é favorável ao meio ambiente. “A fase de seleção do local para um novo centro de dados está agora levando em conta fatores energeticamente favoráveis, como áreas com fontes mais baratas, energia renovável, edifícios mais sustentáveis de energia e certificável. O progresso tem sido significativo”, avalia.

A adoção de tecnologias de virtualização, com refrigeração de hardware ou a introdução de sistemas avançados de gerenciamento de energia no centro de dados são outros pontos de atenção desse mercado.

Outras tendências

No entanto, nem todos os analistas desse mercado concordam com a ideia de mudar centros de dados para outros países com o objetivo de reduzir os custos com energia. Jordi Torres, pesquisador do Centro Nacional de Supercomputação (BSC-CNS) em Barcelona, na Espanha, lembra que “a proximidade do data center com os usuários é essencial para garantir maior controle e disponibilidade da informação”.

Segundo José Luis Martorell, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Schneider Electric, tendências podem contribuir para melhorar a eficiência energética em centros de dados. “A fabricação de sistemas de baixa potência de computador, fornecimento eficiente de energia, refrigeração de equipamentos linha de base e/ou otimizados são alguns exemplos”, lista.

O Data Infrastructure Management Center (DCIM), prossegue, também tem sido destaque. O DCIM integra as disciplinas de TI e instalações, efetuando o acompanhamento inteligente da capacidade dos sistemas críticos.

Esse desenho permite que os gerentes de TI avaliem o consumo de energia. “Assim, é possível otimizar a localização de equipamentos de TI, tendo em conta os requisitos de energia, refrigeração e espaço. Essas capacidades são a chave para os processos de negócios em mudança de CPD,
melhorando assim a eficiência”, explica.

Mais eficiência com cloud

Para Martorell, o modelo de computação em nuvem “pode e deve ser um aditivo na jornada para a eficiência energética”. De acordo com ele, o primeiro passo para a cloud é a virtualização. “Cloud computing vai um passo além, ao adaptar as capacidades de TI aos requisitos de negócios, por isso é também um passo adiante em termos de eficiência operacional de TI e nível de energia”, acrescenta.

O executivo ressalta que a otimização da eficiência energética só será possível se houver alinhamento da infraestrutura com os equipamentos de TI. “Além disso, somente por meio de ferramentas DCIM é possível ter a visibilidade necessária para avaliar em que estágio está o ambiente”, completa.

Data centers modulares

Outra tendência crescente é a introdução de centros modulares de dados. Vários fornecedores já estão adotando essa estratégia, como IBM, HP, Oracle, Huawei e Dell.

O diretor de Desenvolvimento de Negócios de Cloud Computing da HP, Esther de Nicolas, afirma que a proposta da empresa para esse segmento, chamada de Ecopod, permite implementação de um data center em três meses e que os custos são 75% menores em comparação com o investimento realizado para a construção de um centro tradicional de dados. A economia de energia, de acordo com ele, chega a 95%.

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Publicado por em 14 de outubro de 2012 em Tecnologia

 

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Máxima eficiência energética é a meta dos data centers brasileiros

A corrida é por reduzir os custos com energia e ganhar competitividade. Na estratégia, planejamento, alta tecnologia e criatividade fazem a diferença

O protótipo do data center do futuro ainda não cabe no bolso, mas tem metragem quadrada reduzida, consolidação de máquinas e densidade de processamento. É o que estima o instituto de pesquisas Gartner. Segundo ele, os mais atuais têm 400% a mais de capacidade, usando 60% a menos de espaço  e estão cada vez mais modulares, pequenos e construídos por zonas [múltiplas camadas] e escaláveis verticalmente.

Em contrapartida, deverão gerar mais calor e, portanto, consumirão mais energia. O grande desafio dessa nova geração dos centros de dados será construir estratégias em busca da eficiência energética.

Henrique Cecci, diretor de Pesquisas do Gartner, aponta a refrigeração como grande vilã. “Ela representa, hoje, 50% do consumo energético de um data center. Considerando que o custo de energia cresce em torno de 15% a 20% ao ano, encontrar a fórmula para o equilíbrio é vital”, aponta.

O consumo de energia por metro quadrado será maior, em razão da concentração do volume do processamento. Sendo assim, será necessário ter esse processo estruturado, afirma Bruno Arrial dos Anjos, analista sênior de Mercado da Frost & Sullivan.

Segundo Cecci, o mais importante é medir a eficiência e estabelecer metas. Para essa medição, de acordo com o executivo, existe o Power Usage Effectiveness (PUE), índice que avalia a eficiência energética de um data center, e indica se houve consumo em equilíbrio com o que foi gerado.

Criado pelo Green Grid, uma organização norte-americana sem fins lucrativos, dedicada a promover a eficiência dos recursos no data center, o PUE é a razão entre a potência total consumida pela instalação de TI – refrigeração, iluminação etc – dividida pela eletricidade consumida pelos equipamentos de tecnologia. O melhor PUE é o mais próximo possível de 1.0.

“Minha primeira recomendação para os CIOs é realizar uma avaliação do data center para quantificar o que o uso de energia significa para a companhia”, diz John Tucillo, presidente e chairman do conselho do Green Grid. “Você não precisa ser sofisticado para quantificar o consumo de energia básica. Compreender o PUE pode fornecer uma perspectiva sobre como você pode ser mais eficiente”, completa.

Como medir o Pue

Em muitos países, essa equação precisa ser aprimorada. A média no Brasil é 2.4, enquanto nos Estados Unidos e Europa o PUE está entre 1.4 e 1.5. “No Facebook, por exemplo, o índice é 1.07”, garante Ray Paquet, vice-presidente administrativo do Gartner, que esteve pessoalmente no data center, localizado em Washington, nos Estados Unidos.

Hugo Zanon Junior, diretor da Terremak, diz que existem muitas formas de medir o PUE. “No site [Data center  Dinamics], tem pelo menos quatro critérios, então é difícil contratar os data centers por meio do PUE”, avisa. Ele explica: “Se dois provedores tiverem PUE diferentes, aquele que tem o maior, terá preço maior. O que possuir PUE mais baixo, terá uma margem maior, e, portanto, preço menor”.

Zanon aponta que o índice varia em função do tipo de data center. Nos de outsourcing ou de e-commerce, prossegue, é possível otimizar a arquitetura e então alcançar ótimo PUE. “Conforme o data center expande, as últimas salas têm desempenho melhor do que as outras. No nosso caso, se fizéssemos uma radiografia, teríamos vários PUEs”, relata e avisa: “Não divulgamos nossa média de PUE”. 

Cecci diz que hoje já existem data centers no Brasil até mais eficientes que 1.6 e 1.8. “Mas acho que ainda vamos percorrer cerca de dois anos para alcançarmos média de 1.6. E, depois disso, poderemos atingir 1.3.”

“Fomos à Europa, Estados Unidos e Ásia para entender as melhores práticas de construção de data center e isso nos ajudou bastante. Optamos por Liquid Cooling Package (LCP), um rack climatizado, por água gelada, próprio para ambientes de alta densidade, com blade, virtualização”, diz Alexandre Siffert, presidente da Ativas.

Siffert comenta que com a densidade, o calor aumentou muito. “Há dez anos, o consumo por metro quadrado no data center era de 500 watts, hoje são 3 mil watts.” Mas com o LCP, da fabricante alemã, Rittal, a empresa pretende atingir PUE de 1.7.

Outro ponto de vantagem da Ativas é ter a concessionária mineira Cemig como acionista. “Sendo assim, somos providos por duas estações de energia distintas, e isso nos proporciona tranquilidade em relação à continuidade”, aponta.

É preciso estar atento às tendências, entende Siffert. “Há três anos, participo da conferência do Gartner, nos Estados Unidos, junto com nossos acionistas para termos certeza de que estamos no caminho certo. Precisamos saber o que o mundo está pensando e querendo. É nossa bússola”, afirma.

A Level 3 prepara-se para ter a energia do futuro. É o que revela Vagner Moraes, diretor da unidade de Data Center da empresa. “Estamos construindo nossa subestação. Vamos transformar a energia de alta tensão [138 mil Megawatts] para a tensão da Eletropaulo, que é de 13 mil Megawatts. Dessa forma, proporcionando capacidade de transformação de energia até 20 Megawatts”, explica.

Com esse investimento, a empresa vai garantir o funcionamento estável da rede de energia e a consequente disponibilidade. “O data center e a rede de alta tensão mantêm-se a uma distância de um quilômetro. E por estarmos nos domínios da Eletropaulo, todo o cabeamento instalado será doado para uso da concessionária”, diz o executivo, acrescentando que a obra teve início no final do ano passado e deverá estar concluída no início de 2013.

Contingência

A modernização do data center da Sonda IT, que inclui construção alinhada ao conceito de Green IT, recursos para eficiência e contingência enérgica e perenidade da estrutura, consumiu cerca de 50% do investimento na operação. É o que afirma Ricardo Barone, vice-presidente da unidade de Serviços de TI da Sonda IT.

O executivo destaca que o sistema de ar-condicionado é a gás, granular e inteligente. “Os equipamentos se revezam, de acordo com a leitura da temperatura do ambiente, o que gera economia significante. O importante é que focamos na melhor plataforma tecnológica e de climatização para nos tornarmos mais competitivos”, diz.

Ele dá a dica: “Em ambientes de alta densidade, é vital o gerenciamento ativo da ocupação, otimizando a operação com a eliminação da ociosidade dos equipamentos e desligando os que já não são mais necessários”.

A iniciativa com maior nível de eficiência energética é o cloud computing, na análise de Marcelo Safatle, diretor-executivo da Hostlocation. A organização, segundo ele, aumentou sensivelmente a densidade com virtualização de servidores e no último ano obteve economia de 66% de energia.

O executivo aposta ainda na evolução da indústria, que tem colocado no mercado máquinas que suportam temperaturas mais elevadas, capazes de baixar muito os gastos com refrigeração. “Trabalhar com dois ou três graus acima pode representar significativa economia. Se eu tenho consumo de 1 KVA [Kilo Volt Amperes] por equipamento, tenho de reservar o mesmo para refrigerá-lo”, diz Safatle, que no momento está modernizando a plataforma com servidores blade.

José Geraldo Coscelli, COO da Globalweb Outsourcing, equaliza os gastos energéticos com operação no Brasil e também nos Estados Unidos. “O custo do KVA daqui é mais alto do que o norte-americano. Dessa forma, consigo oferecer melhor eficiência ao cliente.”

Ele diz que a estratégia da empresa está pautada em soluções baseadas em cloud, virtualização e servidores blade. “Procuramos otimizar ao máximo o ambiente para ter um menor gasto energético”, afirma.

Na Locaweb, o momento é de avaliação. Estudam a possibilidade de cogeração de energia com gás natural, por meio de geradores, aproveitando resíduos para gerar ar frio. E ainda free cooling, que é basicamente usar o ar para resfriamento. “Mas podemos ter a combinação dessas duas alternativas”, revela Marco Fonseca, gerente de Operações da empresa.

A meta da companhia é obter economia de cerca de 30% com energia. “Estamos expandindo, tornando nosso ambiente de alta densidade e, portanto, é fundamental a modernização do sistema de climatização”, explica.

O executivo gaba-se do PUE de 1.6, que foi conquistado, segundo ele, sem muito esforço tecnológico, pois a chave está na combinação de planejamento, tecnologia e criatividade. “É uma questão de melhor distribuição dos servidores, aliada ao confinamento do ar quente. Nenhuma reinvenção da roda”, brinca.

Armando Amaral, diretor de Operações, Engenharia e Infraestrutura da UOL Diveo conta que já na construção do data center, o projeto previu uma arquitetura que favorecesse a eficiência energética. “Porque depois de construído, fica muito complicado implementar um projeto moderno de refrigeração”, avisa.

O PUE de 1.6 [com data center cheio] foi conquistado graças à virtualização, software de gerenciamento de energia, sistema de refrigeração com corredores de ar quente e frio, piso elevado, máquinas modernas de ar-condicionado e recurso de vaporização do ambiente. “A meta é reduzi-lo com o novo sistema de climatização que estamos avaliando e também soluções de cloud.”

Fabiano Droguetti, diretor de Soluções e Tecnologia da Tivit, também concorda ser uma vantagem importante já incluir no planejamento do data center características que promovam eficiência energética. “Nosso sistema de refrigeração é composto por um tanque de água gelada. Se quiséssemos implementá-lo depois, seria uma tarefa complicada”, diz.

Impulso da nuvem

O executivo destaca que um dos grandes apoios para a redução do consumo de energia é cloud computing, que, segundo ele, otimiza a produção de TI por metro quadrado do data center. “Mais de 20% de todos os nossos serviços são prestados por meio de uma plataforma virtualizada, minimizando a dissipação de calor e a necessidade de resfriar servidores.”

Medir o PUE é uma tarefa realizada três vezes ao dia na Logica, afirma Gilberto Encinas, gerente de Data Center da corporação. Em fase de expansão, com estimativa de dobrar a capacidade, o sistema de refrigeração inclui corredores de ar quente e frio, com ar-condicionado. “Mas estamos avaliando o uso do conceito de
Rack cooling e Row cooling para aumentar nossa eficiência. Temos índice de 1.6 e com a atualização pretendemos baixá-lo”, afirma.

“Hoje, olho para a infraestrutura energética com lupa. A preocupação é muito maior. Trata-se de um investimento significativo e fundamental para o negócio”, revela Flávio Duarte, executivo de Serviços da IBM.

A empresa usa em seus racks porta de troca de calor refrigerada a água. Ela pode retirar até 27 KVA de um rack. “Considerando que eles consomem 27 KVA, temos essa equação zerada e a eficiência aumentada”, diz o executivo.

O PUE da IBM está perto de 2.0, mas o objetivo é cair bastante esse índice, segundo Duarte. A IBM vem buscando redução de custos operacionais para se tornar mais competitiva e a eficiência energética ajuda nessa meta. Soma-se a essa estratégia o forte investimento em virtualização, consolidação e gerenciamento eficiente. “Tudo isso gerou para a IBM na última década uma economia de 1 bilhão de dólares.”

A Alog optou por um projeto que alia a eficiência de energia às características de ocupação do seu data center. “Nosso sistema é modular, composto de equipamentos de alta eficiência energética, com apoio de corredores de ar quente e frio, usando técnica de confinamento e também sistema de climatização a água. E no data center de Tamboré, com ocupação total, nosso PUE deverá variar entre 1.6 e 1.7”, relata Peter Catta Preta, diretor de Infraestrutura da Alog.

A estratégia da HP tem como base três pilares. Desenvolvimento de uma nova geração de infraestrutura que consome menor quantidade de energia, usando na arquitetura os servidores ProLiant Gen8, que, segundo o diretor de Marketing da área de servidores, Alexandre Kazuki, “são totalmente automatizados e de baixíssimo consumo de energia”. Consultoria e projetos para a construção de data centers de última geração que conseguem utilizar de forma otimizada os recursos de energia e refrigeração. “E ainda a criação de software de gerenciamento que permitem maior inteligência dos servidores.”

A busca por resfriamento ideal promete esquentar. Todos querem tornar seus ambientes altamente eficientes com consumo menor de energia e um PUE cada vez mais próximo de 1.0. De acordo com consultores, o mais importante nessa arena, é que o mercado nacional está borbulhando, atraindo a atenção internacional e, o que é mais valioso, se tornando mais amadurecido e profissional. Aguarde.

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Publicado por em 13 de junho de 2012 em Tecnologia

 

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