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Corpo de Jair Rodrigues chega a cemitério em SP após velório

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Corpo de Jair Rodrigues chega a cemitério em São Paulo. (Foto: Cauê Muraro/G1)Corpo de Jair Rodrigues chega a cemitério em
São Paulo. (Foto: Cauê Muraro/G1)

O corpo de Jair Rodrigues chegou na às 9h15 desta sexta-feira (9) ao Cemitério Gethsêmani, no Morumbi, em São Paulo.

O caixão chegou ao local em um carro aberto do Corpo dos Bombeiros. O filho do cantor, Jair de Oliveira, acompanhou o transporte do corpo e abraçou a irmã, a também cantora Luciana Mello, logo após descer do veículo. Familiares, amigos e fãs aplaudiram Jair Rodrigues no momento da chegada do caixão. Após a chegada ao cemitério, familiares e amigos, como o cantor Roberto Leal, se reuniram na capela do cemitério para uma cerimônia.

O cantor Jair de Oliveira acompanhou o transporte do corpo em um carro aberto do Corpo de Bombeiros. (Foto: Cauê Muraro/G1)O cantor Jair de Oliveira acompanhou o transporte
do corpo em um carro aberto do Corpo de
Bombeiros. (Foto: Cauê Muraro/G1)

Por volta das 8h20, o caixão deixou o saguão principal da Assembleia Legislativa, onde foi velado, sob aplausos. O enterro está marcado para as 11h, apenas para familiares e amigos.

Com mais de 50 anos de carreira e conhecido por sucessos como “Disparada” e “Deixa isso pra lá”, música que rendeu o título de “pai do rap brasileiro”, Jair foi encontrado morto na sauna de sua casa em Cotia (SP), na manhã desta quinta-feira (8). A causa da morte foi infarto agudo do miocárdio, informou a assessoria de imprensa do cantor, que tinha 75 anos. 

O velório teve início da noite desta quinta. Família e amigos do artista pediram privacidade e ficaram sozinhos, antes que a cerimônia fosse aberta ao público.

A viúva Claudine Mello; os filhos Jair Oliveira e Luciana Mello; e a nora Tania Khalill homenagearam Jair. “É uma responsabilidade muito grande cuidar do legado que meu pai deixou. Ele tinha muita leveza e minha principal lembrança é o sorriso”, disse o filho do cantor. Jairzinho lembrou que o pai costumava dizer que era “o homem mais feliz do mundo”.

Parentes, amigos e fãs rezam durante velório de Jair Rodrigues (Foto: G1)Parentes, amigos e fãs rezam durante velório de
Jair Rodrigues (Foto: G1)

Amparada pelo filho, Claudine chorou em frente ao caixão. Ele disse que com o tempo a mãe vai conseguir sorrir de novo. “Ela vai se lembrar do sorriso do meu pai e vai sorrir também”, comentou.

O rapper Rapin Hood, a atriz Angelina Muniz e o cantor Max de Castro também estiveram na Assembleia Legislativa. “É inacreditável, mas quando o cara lá de cima decide a gente tem que ir. Ele jamais vai sair do meu coração. E que minha Silvinha receba ele lá em cima”, disse o cantor Eduardo Araújo.

O apresentador da TV Globo Serginho Groisman disse que fará uma homenagem em seu programa “Altas Horas”. “É uma pequena homenagem frente à alegria e à generosidade que ele sempre teve”, disse.

Jairzinho fala com jornalistas no velório do corpo de Jair Rodrigues (Foto: G1)Jairzinho fala com jornalistas no velório do corpo de
Jair Rodrigues (Foto: G1)

“É dificil acreditar que ele morreu, não pela idade, mas pela vitalidade”, acrescentou. Apesar da tristeza, o cantor deve ser lembrado com um sorriso. “Um homem que nessa idade ainfa ficava plantando bananeira é para a gente lembrar sorrindo mesmo.”

O publicitário Washington Olivetto comentou que teve privilégio de conhecer Jair e seus filhos. “Foi uma surpresa imensa, porque ele estava saudabilíssimo. Vi recentemente e estava exuberante. Jair é síntese da alegria do povo brasileiro”, resumiu Olivetto. “Era um cara muito humilde, um exemplo para os artistas”, elogiou Rapin Hood.

Chorando muito, a cantora Roberta Miranda diz que Jair Rodrigues era uma pessoa a quem dava muito valor e por quem tinha gratidão. “Grata a Jair por ter jogado Roberta Miranda no mercado musical e em uma posição digna”, afirmou, citando a gravação de “A Majestade, O Sabiá”.

Coroas de flores no velório do cantor Jair Rodrigues, nesta quinta-feira (8), em São Paulo (Foto: Fabiana de Carvalho / G1)Coroas de flores no velório do cantor Jair
Rodrigues (Foto: Fabiana de Carvalho / G1)

O músico Juca Chaves disse estar “muito triste, muito triste mesmo”. “Quando se morre de amor, não se morre. E ele era uma pessoa tão querida. Mais do que um grande artista, era um grande homem.”

A cantora Simoni, que participava da Turma do Balão Mágico ao lado de Jairzinho quando os dois eram crianças, lembrou da convivência com o cantor.

“Eu o conhecia desde pequena, sempre convivi com a família dele. Era querido demais, uma pessoa incrível e um palhaço também”, diz.

Por volta das 22h30, o apresentador Raul Gil chegou à Assembleia Legislativa ao lado de Ary Toledo. Foram recebidos pelo cantor Juca Chaves.

“Eu e Jair crescemos juntos na vida artística. Eu tinha 23 e ele 22. Ele frequentava minha casa e quem inventou o apelido de Cachorrão fui eu. Tinha por ele o carinho de um irmão. Há pouco tempo fui ao aniversário dele,  cantamos juntos e eu ainda disse, ‘Olha a gente ai, firme com essa idade”, afirmou Raul Gil. Com voz trêmula, quase chorando, finalizou: “É uma tristeza muito grande. O Brasil perdeu seu cara mais alegre. Olha que eu o conheço há mais de 50 anos e nunca o vi triste”.

Ary Toledo elogiou o cantor: “Se enganam as pessoas que acham que ele viveu 75 anos. Ele morreu com 75, mas viveu 500. Era o eterno moleque. O maior intérprete e o artista mais eclético que o Brasil já conheceu”.

Acompanhada do músico Júnior Lima, a dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó também foi ao velório. Júnior disse que se sentia órfão de Jair Rodrigues. “O Jair era o nosso James Brown.” “Sempre pensei que ele fosse viver uns 100 anos, estava sempre impecável, sempre bem cuidado”, afirmou Xororó.

Foram ainda ao velório de Jair Rodrigues a atriz Lúcia Veríssimo, o apresentador Leão Lobo e os cantores Luiza Possi, Agnaldo Rayol e Roberto Leal, que chorou ao se aproximar do caixão.

arte cronologia Jair Rodrigues (Foto: Arte G1)

Começo nos anos 60
Jair Rodrigues de Oliveira nasceu em Igarapava (SP), em 6 de fevereiro de 1939. Pai dos também cantores Jair de Oliveira e Luciana Mello, ele começou sua carreira nos anos 1960, em programas de calouros. Três anos antes, foi crooner em casas no interior de São Paulo.

O primeiro LP é “Vou de samba com você” (1964), que tinha “Deixa isso pra lá”. A canção fez Jair ser considerado pioneiro do rap no Brasil. Com versos mais falados do que cantados, a música, originalmente um samba, ganhou popularidade também graças à coreografia feita com as mãos. Em 1999, foi gravada em parceria com o grupo Camorra.

O registro de estreia do cantor, no entanto, é de 1962. Trata-se de um disco de 78 rotações com as canções “Brasil sensacional” e “Marechal da vitória”, que tinham como tema a Copa do Mundo daquele ano, no Chile, vencida pela seleção brasileira.

Jair Rodrigues também ficou conhecido pelo trabalho ao lado de Elis Regina. Os dois iniciaram a parceria em 1965 e lançaram o disco ao vivo “Dois na bossa”. A boa repercussão do LP rendeu o convite para apresentar o programa O Fino da Bossa, que estreou em maio daquele ano na TV Record. Com Elis, o cantor lançou em 1966 e 1967 outros dois volumes da série “Dois na bossa”.

A vitória no II Festival de Música Popular Brasileira, em 1966, foi outro ponto marcante da trajetória de Jair Rodrigues. Ele concorreu com “Disparada”, escrita por Geraldo Vandré e Teo de Barros. Na final, dividiu o primeiro lugar com “A banda”, composição de Chico Buarque interpretada na ocasião por Nara Leão.

No IV Festival de Música Popular Brasileira, em 1968, Jair Rodrigues também se destacou. Com “A família”, de Chico Anysio e Ari Toledo, ficou em terceiro lugar segundo o júri popular.

Já na década seguinte, o cantor dedicou-se mais intensamente ao samba. Em 1971, saiu o LP “Festa para um rei negro”. Uma das canções era o samba-enredo que deu título ao trabalho, defendido pela escola de samba Acadêmicos do Salgueiro. A música era conhecida pelo refrão “Ô lê lê, ô lá lá/ pega no ganzê/ pega no ganzá”.

Outros álbuns do período são “Orgulho de um sambista”, “Ao vivo no Olympia de Paris”, “Eu sou o samba”, “Estou com o samba e não abro” e “Couro comendo” (1979). Durante esse período, o cantor se tornou pai. Em 1975, nasceu seu filho Jair Oliveira, o Jairzinho, estrela do grupo infantil Balão Mágico e depois passou a cantar MPB. Quatro anos depois, nasceu Luciana Mello. Influenciada pelo pai e pelo irmão, também seguiu a carreira musical. Jair deixa os filhos e a mulher, Clodine.

Na década de 1980, vieram álbuns de temática mais popular e por vezes romântica, caso de “Estou lhe devendo um sorriso”, “Alegria de um povo”, “Jair Rodrigues de Oliveira” e “Carinhoso”. Na década de 1990, houve uma predileção pela música sertaneja e caipira e por uma revisão de gêneros desde o seu início como artista.

Os nomes dos discos do período são autoexplicativos: “Lamento sertanejo”, “Viva meu samba”, “Eu sou… Jair Rodrigues”, “De todas as bossas” e “500 anos de folia – 100% ao vivo”. Em 2012, participou de eventos que lembraram os 30 anos de morte da cantora e antiga parceira. Nos últimos anos, Jair Rodrigues seguia na ativa em projetos com os filhos, em discos lançados por ele e também ao participar de homenagens para Elis Regina.

Ele seguia em turnê para divulgar seu disco mais recente, “Samba mesmo”, que teve dois volumes lançados em março deste ano. Jair tinha apresentações marcadas para os próximos dias em Florianópolis e Contagem (MG). O cantor se despediu dos palcos e da música na última terça-feira (6) durante uma apresentação no Hotel Guanabara, em São Lourenço (MG). Segundo o organizador do show,  Daniel Moura, Jair cantou e dançou por mais de uma hora demonstrando a típica alegria e vitalidade.

Ele plantou bananeira no palco e fez uma homenagem para Elis Regina. Segundo Moura, antes de “Romaria”, conversava com a cantora como se ela estivesse no palco: “Olha Pimentinha, manda um abraço para São Pedro porque eu não estou com pressa”.

Família e amigos velam o corpo de Jair Rodrigues em São Paulo (Foto: Fabiana de Carvalho/G1)Família e amigos velam o corpo de Jair Rodrigues em São Paulo (Foto: Fabiana de Carvalho/G1)Jair Oliveira, parentes e amigos carregam o caixão com o corpo de Jair Rodrigues, na Assembleia Legislativa de São Paulo, nesta quinta-feira (8) (Foto: Leco Viana/Futura Press)Jair Oliveira, parentes e amigos carregam o caixão com o corpo de Jair Rodrigues, na Assembleia Legislativa de São Paulo, nesta quinta-feira (8) (Foto: Leco Viana/Futura Press)Coroa de flores deixada para Jair Rodrigues e o terno com o qual ele deve ser enterrado (Foto: G1)Coroa de flores deixada para Jair Rodrigues e o terno com o qual ele deve ser enterrado (Foto: G1)

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Publicado por em 14 de maio de 2014 em Música

 

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Corpo de Jair Rodrigues chega a cemitério em SP após velório

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Corpo de Jair Rodrigues chega a cemitério em São Paulo. (Foto: Cauê Muraro/G1)Corpo de Jair Rodrigues chega a cemitério em
São Paulo. (Foto: Cauê Muraro/G1)

O corpo de Jair Rodrigues chegou na às 9h15 desta sexta-feira (9) ao Cemitério Gethsêmani, no Morumbi, em São Paulo.

O caixão chegou ao local em um carro aberto do Corpo dos Bombeiros. O filho do cantor, Jair de Oliveira, acompanhou o transporte do corpo e abraçou a irmã, a também cantora Luciana Mello, logo após descer do veículo. Familiares, amigos e fãs aplaudiram Jair Rodrigues no momento da chegada do caixão. Após a chegada ao cemitério, familiares e amigos, como o cantor Roberto Leal, se reuniram na capela do cemitério para uma cerimônia.

O cantor Jair de Oliveira acompanhou o transporte do corpo em um carro aberto do Corpo de Bombeiros. (Foto: Cauê Muraro/G1)O cantor Jair de Oliveira acompanhou o transporte
do corpo em um carro aberto do Corpo de
Bombeiros. (Foto: Cauê Muraro/G1)

Por volta das 8h20, o caixão deixou o saguão principal da Assembleia Legislativa, onde foi velado, sob aplausos. O enterro está marcado para as 11h, apenas para familiares e amigos.

Com mais de 50 anos de carreira e conhecido por sucessos como “Disparada” e “Deixa isso pra lá”, música que rendeu o título de “pai do rap brasileiro”, Jair foi encontrado morto na sauna de sua casa em Cotia (SP), na manhã desta quinta-feira (8). A causa da morte foi infarto agudo do miocárdio, informou a assessoria de imprensa do cantor, que tinha 75 anos. 

O velório teve início da noite desta quinta. Família e amigos do artista pediram privacidade e ficaram sozinhos, antes que a cerimônia fosse aberta ao público.

A viúva Claudine Mello; os filhos Jair Oliveira e Luciana Mello; e a nora Tania Khalill homenagearam Jair. “É uma responsabilidade muito grande cuidar do legado que meu pai deixou. Ele tinha muita leveza e minha principal lembrança é o sorriso”, disse o filho do cantor. Jairzinho lembrou que o pai costumava dizer que era “o homem mais feliz do mundo”.

Parentes, amigos e fãs rezam durante velório de Jair Rodrigues (Foto: G1)Parentes, amigos e fãs rezam durante velório de
Jair Rodrigues (Foto: G1)

Amparada pelo filho, Claudine chorou em frente ao caixão. Ele disse que com o tempo a mãe vai conseguir sorrir de novo. “Ela vai se lembrar do sorriso do meu pai e vai sorrir também”, comentou.

O rapper Rapin Hood, a atriz Angelina Muniz e o cantor Max de Castro também estiveram na Assembleia Legislativa. “É inacreditável, mas quando o cara lá de cima decide a gente tem que ir. Ele jamais vai sair do meu coração. E que minha Silvinha receba ele lá em cima”, disse o cantor Eduardo Araújo.

O apresentador da TV Globo Serginho Groisman disse que fará uma homenagem em seu programa “Altas Horas”. “É uma pequena homenagem frente à alegria e à generosidade que ele sempre teve”, disse.

Jairzinho fala com jornalistas no velório do corpo de Jair Rodrigues (Foto: G1)Jairzinho fala com jornalistas no velório do corpo de
Jair Rodrigues (Foto: G1)

“É dificil acreditar que ele morreu, não pela idade, mas pela vitalidade”, acrescentou. Apesar da tristeza, o cantor deve ser lembrado com um sorriso. “Um homem que nessa idade ainfa ficava plantando bananeira é para a gente lembrar sorrindo mesmo.”

O publicitário Washington Olivetto comentou que teve privilégio de conhecer Jair e seus filhos. “Foi uma surpresa imensa, porque ele estava saudabilíssimo. Vi recentemente e estava exuberante. Jair é síntese da alegria do povo brasileiro”, resumiu Olivetto. “Era um cara muito humilde, um exemplo para os artistas”, elogiou Rapin Hood.

Chorando muito, a cantora Roberta Miranda diz que Jair Rodrigues era uma pessoa a quem dava muito valor e por quem tinha gratidão. “Grata a Jair por ter jogado Roberta Miranda no mercado musical e em uma posição digna”, afirmou, citando a gravação de “A Majestade, O Sabiá”.

Coroas de flores no velório do cantor Jair Rodrigues, nesta quinta-feira (8), em São Paulo (Foto: Fabiana de Carvalho / G1)Coroas de flores no velório do cantor Jair
Rodrigues (Foto: Fabiana de Carvalho / G1)

O músico Juca Chaves disse estar “muito triste, muito triste mesmo”. “Quando se morre de amor, não se morre. E ele era uma pessoa tão querida. Mais do que um grande artista, era um grande homem.”

A cantora Simoni, que participava da Turma do Balão Mágico ao lado de Jairzinho quando os dois eram crianças, lembrou da convivência com o cantor.

“Eu o conhecia desde pequena, sempre convivi com a família dele. Era querido demais, uma pessoa incrível e um palhaço também”, diz.

Por volta das 22h30, o apresentador Raul Gil chegou à Assembleia Legislativa ao lado de Ary Toledo. Foram recebidos pelo cantor Juca Chaves.

“Eu e Jair crescemos juntos na vida artística. Eu tinha 23 e ele 22. Ele frequentava minha casa e quem inventou o apelido de Cachorrão fui eu. Tinha por ele o carinho de um irmão. Há pouco tempo fui ao aniversário dele,  cantamos juntos e eu ainda disse, ‘Olha a gente ai, firme com essa idade”, afirmou Raul Gil. Com voz trêmula, quase chorando, finalizou: “É uma tristeza muito grande. O Brasil perdeu seu cara mais alegre. Olha que eu o conheço há mais de 50 anos e nunca o vi triste”.

Ary Toledo elogiou o cantor: “Se enganam as pessoas que acham que ele viveu 75 anos. Ele morreu com 75, mas viveu 500. Era o eterno moleque. O maior intérprete e o artista mais eclético que o Brasil já conheceu”.

Acompanhada do músico Júnior Lima, a dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó também foi ao velório. Júnior disse que se sentia órfão de Jair Rodrigues. “O Jair era o nosso James Brown.” “Sempre pensei que ele fosse viver uns 100 anos, estava sempre impecável, sempre bem cuidado”, afirmou Xororó.

Foram ainda ao velório de Jair Rodrigues a atriz Lúcia Veríssimo, o apresentador Leão Lobo e os cantores Luiza Possi, Agnaldo Rayol e Roberto Leal, que chorou ao se aproximar do caixão.

arte cronologia Jair Rodrigues (Foto: Arte G1)

Começo nos anos 60
Jair Rodrigues de Oliveira nasceu em Igarapava (SP), em 6 de fevereiro de 1939. Pai dos também cantores Jair de Oliveira e Luciana Mello, ele começou sua carreira nos anos 1960, em programas de calouros. Três anos antes, foi crooner em casas no interior de São Paulo.

O primeiro LP é “Vou de samba com você” (1964), que tinha “Deixa isso pra lá”. A canção fez Jair ser considerado pioneiro do rap no Brasil. Com versos mais falados do que cantados, a música, originalmente um samba, ganhou popularidade também graças à coreografia feita com as mãos. Em 1999, foi gravada em parceria com o grupo Camorra.

O registro de estreia do cantor, no entanto, é de 1962. Trata-se de um disco de 78 rotações com as canções “Brasil sensacional” e “Marechal da vitória”, que tinham como tema a Copa do Mundo daquele ano, no Chile, vencida pela seleção brasileira.

Jair Rodrigues também ficou conhecido pelo trabalho ao lado de Elis Regina. Os dois iniciaram a parceria em 1965 e lançaram o disco ao vivo “Dois na bossa”. A boa repercussão do LP rendeu o convite para apresentar o programa O Fino da Bossa, que estreou em maio daquele ano na TV Record. Com Elis, o cantor lançou em 1966 e 1967 outros dois volumes da série “Dois na bossa”.

A vitória no II Festival de Música Popular Brasileira, em 1966, foi outro ponto marcante da trajetória de Jair Rodrigues. Ele concorreu com “Disparada”, escrita por Geraldo Vandré e Teo de Barros. Na final, dividiu o primeiro lugar com “A banda”, composição de Chico Buarque interpretada na ocasião por Nara Leão.

No IV Festival de Música Popular Brasileira, em 1968, Jair Rodrigues também se destacou. Com “A família”, de Chico Anysio e Ari Toledo, ficou em terceiro lugar segundo o júri popular.

Já na década seguinte, o cantor dedicou-se mais intensamente ao samba. Em 1971, saiu o LP “Festa para um rei negro”. Uma das canções era o samba-enredo que deu título ao trabalho, defendido pela escola de samba Acadêmicos do Salgueiro. A música era conhecida pelo refrão “Ô lê lê, ô lá lá/ pega no ganzê/ pega no ganzá”.

Outros álbuns do período são “Orgulho de um sambista”, “Ao vivo no Olympia de Paris”, “Eu sou o samba”, “Estou com o samba e não abro” e “Couro comendo” (1979). Durante esse período, o cantor se tornou pai. Em 1975, nasceu seu filho Jair Oliveira, o Jairzinho, estrela do grupo infantil Balão Mágico e depois passou a cantar MPB. Quatro anos depois, nasceu Luciana Mello. Influenciada pelo pai e pelo irmão, também seguiu a carreira musical. Jair deixa os filhos e a mulher, Clodine.

Na década de 1980, vieram álbuns de temática mais popular e por vezes romântica, caso de “Estou lhe devendo um sorriso”, “Alegria de um povo”, “Jair Rodrigues de Oliveira” e “Carinhoso”. Na década de 1990, houve uma predileção pela música sertaneja e caipira e por uma revisão de gêneros desde o seu início como artista.

Os nomes dos discos do período são autoexplicativos: “Lamento sertanejo”, “Viva meu samba”, “Eu sou… Jair Rodrigues”, “De todas as bossas” e “500 anos de folia – 100% ao vivo”. Em 2012, participou de eventos que lembraram os 30 anos de morte da cantora e antiga parceira. Nos últimos anos, Jair Rodrigues seguia na ativa em projetos com os filhos, em discos lançados por ele e também ao participar de homenagens para Elis Regina.

Ele seguia em turnê para divulgar seu disco mais recente, “Samba mesmo”, que teve dois volumes lançados em março deste ano. Jair tinha apresentações marcadas para os próximos dias em Florianópolis e Contagem (MG). O cantor se despediu dos palcos e da música na última terça-feira (6) durante uma apresentação no Hotel Guanabara, em São Lourenço (MG). Segundo o organizador do show,  Daniel Moura, Jair cantou e dançou por mais de uma hora demonstrando a típica alegria e vitalidade.

Ele plantou bananeira no palco e fez uma homenagem para Elis Regina. Segundo Moura, antes de “Romaria”, conversava com a cantora como se ela estivesse no palco: “Olha Pimentinha, manda um abraço para São Pedro porque eu não estou com pressa”.

Família e amigos velam o corpo de Jair Rodrigues em São Paulo (Foto: Fabiana de Carvalho/G1)Família e amigos velam o corpo de Jair Rodrigues em São Paulo (Foto: Fabiana de Carvalho/G1)Jair Oliveira, parentes e amigos carregam o caixão com o corpo de Jair Rodrigues, na Assembleia Legislativa de São Paulo, nesta quinta-feira (8) (Foto: Leco Viana/Futura Press)Jair Oliveira, parentes e amigos carregam o caixão com o corpo de Jair Rodrigues, na Assembleia Legislativa de São Paulo, nesta quinta-feira (8) (Foto: Leco Viana/Futura Press)Coroa de flores deixada para Jair Rodrigues e o terno com o qual ele deve ser enterrado (Foto: G1)Coroa de flores deixada para Jair Rodrigues e o terno com o qual ele deve ser enterrado (Foto: G1)

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Publicado por em 9 de maio de 2014 em Música

 

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Cientistas ‘desvendam’ mistério de cemitério de baleias em deserto

Cientistas usaram várias técnicas digitais para registrar e analisar os fósseis de baleia (Foto: Instituto Smithsonian/BBC)Cientistas usaram várias técnicas digitais para registrar e analisar os fósseis de baleia (Foto: Instituto Smithsonian/BBC)

Pesquisadores chilenos e americanos estabeceram uma teoria para explicar a existência de um misterioso cemitério de baleias pré-históricas ao lado da rodovia Pan-Americana, no deserto do Atacama, no norte do Chile.

Os cientistas acreditam que os cetáceos ancestrais podem ter morrido ao consumir algas tóxicas, e que seus corpos foram parar no local que se encontram hoje – conhecido como Cerro Ballena (“Colina da Baleia”) – por causa da configuração geográfica da região.

Os animais estão no local há 5 milhões de anos, e este acúmulo de fósseis seria o resultado de não apenas um, mas de quatro grandes encalhes.

Os dados recolhidos sugerem que todas as baleias ingeriram as algas. Os mamíferos mortos e os que estavam morrendo foram então arrastados para um estuário e, em seguida, para a areia onde, com o passar do tempo, foram enterrados.

Os estudiosos usaram modelos digitais em 3D dos esqueletos no sítio arqueológico e, depois, retiraram os ossos do local para mais análises em laboratório.

Os resultados da pesquisa foram divulgados pela publicação especializada “Proceedings B of the Royal Society”.

Criaturas bizarras

Centenas de fósseis de baleia ainda precisam ser analisados em Cerro Ballena (Foto: Instituto Smithsonian/BBC)Centenas de fósseis de baleia ainda precisam ser analisados em Cerro Ballena (Foto: Instituto Smithsonian/BBC)

Já se sabia que os fósseis bem preservados de baleias eram comuns nesta área do deserto chileno, e eles podiam ser vistos saindo das rochas.

Mas apenas quando começaram as obras para o alargamento da rodovia Pan-Americana que os pesquisadores tiveram a chance de estudar mais detalhadamente o local onde estavam os fósseis.

Eles tinham apenas duas semanas para completar o trabalho de campo antes do início das obras na rodovia. Por isso, a equipe de cientistas apressou os trabalhos para registrar o máximo possível de detalhes do local e dos fósseis.

Na análise feita no local onde os fósseis estavam foram identificados os restos de mais de 40 baleias. Os cientistas também encontraram, entre estes fósseis de baleia, outros, de predadores marinhos importantes e também de herbívoros.

“Encontramos criaturas extintas como a baleia-morsa – que desenvolveram uma face parecida com a de uma morsa. E também havia estas ‘preguiças aquáticas’ bizarras”, disse Nicholas Pyenson, um paleontologista do Museu Nacional Smithsonian de História Natural.

“Para mim é incrível que, em 240 metros (de uma obra de) abertura de estrada, conseguimos amostras de todas as estrelas do mundo dos fósseis de mamíferos marinhos na America do Sul, no final do período Mioceno. É uma acumulação incrivelmente densa de espécies”, afirmou o cientista à BBC.

Quatro eventos

Esqueletos de baleia estão em ótimo estado de conservação (Foto: Instituto Smithsonian/BBC)Esqueletos de baleia estão em ótimo estado de conservação (Foto: Instituto Smithsonian/BBC)


A equipe de cientistas notou que quase todos os esqueletos estavam completos e as posições em que foram encontrados tinham pontos em comum. Muitos estavam voltados para a mesma direção e de cabeça para baixo, por exemplo.

Tudo isto aponta para a possibilidade de as criaturas terem morrido devido à mesma catástrofe repentina. Mas as pesquisas mostram que as mortes não ocorreram apenas em um evento, foram quatro episódios separados durante um período de milhares de anos.

A melhor explicação que encontraram é que todos estes animais foram envenenados pelas toxinas que podem ser geradas pela proliferação de algas. Essa proliferação é uma das causas prevalentes para grandes encalhes de mamíferos marinhos que vemos hoje.

“Todas as criaturas que encontramos, sejam baleias, focas ou peixes-agulha, estão no topo da cadeia alimentar marinha e aquilo deve ter deixado (estes animais) muito suscetíveis a proliferações de algas tóxicas”, disse Pyenson.

Os pesquisadores também acreditam que a configuração do que era a costa em Cerro Ballena na época da morte dos animais contribuiu para que os corpos das baleias fossem levados para a areia, provavelmente além do alcance de animais marinhos necrófagos, que teriam consumido os cadáveres.

Além disso, por esta ser uma região que agora é um deserto, poucos animais terrestres apareceram nos últimos séculos para roubar os ossos.

Sem a prova ‘definitiva’
No entanto, por enquanto, os pesquisadores não podem afirmar com certeza que algas tóxicas foram responsáveis pelos encalhes. Não há fragmentos de algas nos sedimentos, algo que poderia ser visto como a prova “definitiva”.

Cerro Ballena é uma região considerada como um dos sítios de fósseis mais densos do mundo. Os cientistas calculam que podem existir centenas de espécies na área que ainda precisam ser descobertas e investigadas.

No momento, a Universidade do Chile, em Santiago, está trabalhando para construir uma estação de estudos na área.

Fonte G1

 
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Publicado por em 7 de março de 2014 em Tecnologia

 

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Champignon é sepultado em cemitério de Santos

Mulher de Champignon deixa o velório de Champignon (Foto: AgNews)Mulher de Champignon deixa o sepultamento de Champignon (Foto: AgNews)

O corpo do músico Luiz Carlos Leão Duarte Junior, o Champignon, foi sepultado às 15h30 desta terça-feira (10) no Cemitério Memorial Necrópole Ecumênica em Santos, no litoral de São Paulo. O ex-baixista da Charlie Brown Jr. foi encontrado morto na última segunda-feira (9), dentro da própria casa, em São Paulo. A cerimônia foi acompanhada por familiares e amigos mais próximos. A viúva de Champignon também acompanhou o sepultamento.

Atualmente o músico era o vocalista da banda “A Banca”, e todos os integrantes do grupo acompanharam o velório e sepultamento de Champignon. O corpo do ex-baixista foi coberto com uma bandeira do Brasil . Além dos familiares, participaram da cerimônia o filho de Chorão Alexandre Abrão, o irmão do vocalista do CBJr. Fábio Abrão, além dos músicos Renato Pelado (ex-baterista do Charlie Brown Jr), Fred e Canisso (Raimundos).

Pais de Champignon falam na saída do velório (Foto: AgNews)Pais de Champignon falam na saída de
sepultamento Foto: AgNews)

Ao final do sepultamento, a mãe de Champignon Maria do Carmo, se aproximou da área onde estava a imprensa para agradecer. “Esses 35 anos foram de muitas alegrias, e para a gente ele não morreu. Muito obrigada ao fãs e imprensa, por terem ficado aqui desde ontem. Eu e o pai deles estamos indo para a casa chorar”, lamenta.

Durante a madrugada, outros músicos como o vocalista do NX Zero Di Ferrero, o cantor e compositor Kiko Zambianchi, e o ex-baterista do CBJr. Pinguim estiveram no velório. A primeria parte da cerimônia, realizada no final da noite de segunda-feira (9),  foi restrita aos familiares e amigos, e em seguida, liberada para os fãs. Durante a madrugada foi permitida apenas a entrada da família e amigos de Champignon. Por volta das 12h20, os fãs puderam mais uma vez se despedir do músico.

Arte Champignon vale esse (Foto: Editoria de Arte/G1)

Trajetória
Champignon tinha 35 anos e nasceu em Santos, litoral paulista. O músico lançou vários discos com a banda Charlie Brown Jr, que deixou em 2005, após brigas com o vocalista Alexandre Magno Abrão, o Chorão.

Nessa época, participou de outros projetos, como o grupo Nove Mil Anjos, que tinha Junior Lima (irmão de Sandy) na bateria.

Em 2011, Champignon retornou ao Charlie Brown Jr. fazendo com que a banda voltasse a contar com a presença dos quatro integrantes da formação original de 1992: Marcão, Champignon, Chorão e Thiago Castanho, além do baterista Bruno Graveto, que passou a integrar o grupo em 2008.

Após a morte de Chorão, em 6 de março deste ano, os membros do Charlie Brown lançaram a banda ‘A Banca’, que tinha Champignon como vocalista.

A próxima apresentação do grupo seria no dia 21 de setembro em Recife, Pernambuco, com a turnê “Chorão Eterno”, show que homenageava além de Chorão, toda a trajetória da banda Charlie Brown Jr.

Duas perdas no mesmo ano
Em 2013, Champignon perdeu dois companheiros de banda entre março e maio: o parceiro Chorão e o guitarrista Peu Sousa, ex-colega de Nove Mil Anjos, encontrado morto em maio em sua casa, no bairro de Itapuã, em Salvador.

Chorão morreu por overdose de cocaína, enquanto a morte de Peu foi provocada por suicídio, segundo informou na época a Polícia Civil da Bahia.

Ao G1, Champignon falou sobre as mortes no dia 6 de maio. “Os dois perderam a fé. Quando perdem a fé, perdem a vontade de viver. Foi mais um dia muito triste”, disse o baixista. “Eu acho que as pessoas, em algum momento da vida, perdem a fé. Independentemente se morrem por droga, ou enforcadas. Se perdem a vida sem culpa de ninguém, acredito que em algum momento perderam a fé”, acrescentou.

Fonte G1

 
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Publicado por em 13 de setembro de 2013 em Música

 

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Cemitério preserva refúgio particular da fauna e da flora brasileira em AL

Todo dia o coveiro Paulo Sérgio da Silva arrumava os vasos de flores dos túmulos do cemitério e no outro dia, curiosamente, os recipientes estavam revirados. O “ritual” da arrumação seguida pela bagunça se repetiu por dias. Silva e outros coveiros chegaram a discutir teorias sobre o responsável pela desordem: uns achavam que era o vento, outros acreditavam que a bagunça era causada pelas pessoas que iam visitar os túmulos, e os mais supersticiosos culpavam assombrações e espíritos.

Este fato, que aconteceu em um cemitério particular localizado no bairro do Tabuleiro do Martins, na parte alta de Maceió, poderia acabar virando uma história de mistério e suspense, se não tivesse sido esclarecido. Hoje, a história é contada como exemplo de interação e respeito entre o homem e a natureza.

“Depois de ficarmos intrigados, resolvemos filmar para saber o que causava aquela bagunça (assista ao vídeo). Depois de muita espera, flagramos a ação de gaviões-carcarás que reviravam os vasos em busca de alimentos como minhocas e insetos”, conta o coveiro, aliviado por desvendar o mistério.

Além dos gaviões-carcarás, o cemitério recebe outros visitas ilustres de aves de rapina e de outros tipos de animais raros da fauna brasileira. “Vez ou outra conseguimos ver tejus, camaleões, bichos-preguiça, lobos-guará ‘passeando’ pelo terreno. São bichos que você dificilmente encontra em área urbanizada”, afirma o consultor de jardinagem do cemitério, Alonso Pereira de Farias.

Entre as aves, o anu, o bem-te-vi e o quero-quero estão entre os mais vistos no local. Nas árvores onde os carcarás costumam construir seus ninhos, a gerência do cemitério coloca placas durante a época de reprodução, e às vezes chega até a isolá-las para evitar ataques surpresas dos bichos, que possuem instinto de proteção pelos filhotes.

Aves raras e outros tipos de bichos silvestres são vistos no cemitério. (Foto: Divulgação/ Parque das Flores)Aves raras e outros tipos de bichos silvestres são vistos no cemitério. (Foto: Divulgação/ Parque das Flores)

De acordo com Farias, a maioria dos animais prefere não chegar muito perto dos humanos e fica mais próximo aos 2,5 hectares de reserva da Mata Atlântica, que corta os fundos do terreno do cemitério. “Estamos sempre incentivando nossos funcionários a respeitar e a preservar as espécies. Também orientamos nossos clientes a não agredir ou alimentar os bichos”, destaca.

“Os quero-queros e os anus são nossos parceiros aqui no cemitério. Não fazemos controle de lagartos, pragas e insetos, pois as próprias aves já se encarregam disso quando se alimentam deles”, brinca o consultor.

Cemitério possui cerca de 800 unidades de árvore em seu território. (Foto: Natália Souza/G1)Cemitério possui cerca de 800 unidades de árvore
em seu território. (Foto: Natália Souza/G1)

Diversidade da flora
Com oito hectares de extensão – sendo sete só de área verde, o cemitério faz jus ao nome que lhe foi dado: Parque das Flores. De acordo com o consultor de jardinagem Alonso Farias, há dois anos, durante o último levantamento sobre a flora realizado no cemitério, foram contabilizados 23 tipos diferentes de flores tropicais. “Trabalhamos com flores decorativas, mas, nos jardins, também cultivamos flores tropicais como os Bastões do Imperador”.

Nas cores amarela, roxa e branca, os ipês complementam a beleza natural do lugar. Nove espécies de palmeiras podem ser encontradas nas dependências do cemitério. O destaque é para a Palmeira-azul, originária de Madagascar, país do sudeste da África que possui uma das mais ricas biodiversidades de fauna e flora do mundo.

“A Palmeira-azul é uma das mais bonitas que possuímos aqui. Ela é imponente e é uma das poucas que já vi aqui no Estado. Compramos as sementes de um produtor em Minas Gerais, depois as deixamos em quarentena e plantamos aqui”, conta Farias.

Quaresmeiras, ipês, palmeiras, paus-brasis, nins. São mais de 200 variedades de árvores, entre espécies nativas e raras, que totalizam aproximadamente 800 unidades. “É uma das maiores áreas verdes da parte alta da cidade. São árvores que dão frutos. Toda essa vegetação é aguada por um moderno e automatizado sistema de irrigação, que evita o desperdício de água. Antes, com o sistema convencional, gastávamos 200 mil m³ de água, hoje utilizamos cerca de 70 mil m³. Se todos utilizassem esse sistema, poderíamos evitar um grande desperdício de água no estado”, defende o consultor sobre a preocupação com o meio ambiente.

parque das flores (Foto: Natália Souza/G1)Espaço é rico em plantas e árvores frutíferas (Foto: Natália Souza/G1)

Modelo “parque
Quem vê a área verde no cemitério em plena área urbanizada no Tabuleiro do Martins, não imagina que nem sempre a região foi assim. “Não existia área verde aqui. Há 40 anos, quando o meu avô teve a ideia de construir o cemitério, ele foi buscar nos Estados Unidos a inspiração de cemitérios no modelo de parque”, contou o gerente comercial do cemitério, Bruno Melro Bentes.

“Tirando a mata nativa que corta nosso terreno e que é de nossa responsabilidade também, tudo que vemos aqui hoje foi plantado. Dos oito hectares de terreno, sete são de área verde e optamos por construir os jazigos em apenas 5,6 hectares. Comercialmente não é tão vantajoso, mas sabemos que ecologicamente essa área verde é importante até para o restante do bairro”, afirma.

Cemitério possui mais de 23 tipos de flores tropicais. (Foto: Jonathan Lins/G1 AL)Cemitério possui mais de 23 tipos de flores tropicais.
(Foto: Jonathan Lins/G1 AL)

Além da preocupação ambiental e da busca pela melhor estética, os administradores foram buscar na psicologia, mais uma motivação para manter a arborização no local. “Culturalmente, as pessoas tendem a não gostar de cemitérios, mas há estudos que comprovam que, quando a pessoa perde um ente querido e o enterram em um local com aspecto agradável e em contato com a natureza, o processo de perda e aceitação é mais fácil”, destaca Melro.

Segundo Melro e Farias, há uma certa dificuldade em catalogar todas as espécies de plantas e animais no cemitério, mas existe a intenção de iniciar tal projeto. “Servimos como fonte de pesquisas para universitários de cursos agrícolas e de psicologia, estudantes de escolas do município e do interior, programas de estágios e pesquisas para mestrados”, afirma Melro ao destacar que, no local associado ao repouso dos mortos, há mais vida do que se possa imaginar.

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Publicado por em 6 de setembro de 2013 em Tecnologia

 

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Cemitério preserva refúgio particular da fauna e da flora brasileira em AL

Todo dia o coveiro Paulo Sérgio da Silva arrumava os vasos de flores dos túmulos do cemitério e no outro dia, curiosamente, os recipientes estavam revirados. O “ritual” da arrumação seguida pela bagunça se repetiu por dias. Silva e outros coveiros chegaram a discutir teorias sobre o responsável pela desordem: uns achavam que era o vento, outros acreditavam que a bagunça era causada pelas pessoas que iam visitar os túmulos, e os mais supersticiosos culpavam assombrações e espíritos.

Este fato, que aconteceu em um cemitério particular localizado no bairro do Tabuleiro do Martins, na parte alta de Maceió, poderia acabar virando uma história de mistério e suspense, se não tivesse sido esclarecido. Hoje, a história é contada como exemplo de interação e respeito entre o homem e a natureza.

“Depois de ficarmos intrigados, resolvemos filmar para saber o que causava aquela bagunça (assista ao vídeo). Depois de muita espera, flagramos a ação de gaviões-carcarás que reviravam os vasos em busca de alimentos como minhocas e insetos”, conta o coveiro, aliviado por desvendar o mistério.

Além dos gaviões-carcarás, o cemitério recebe outros visitas ilustres de aves de rapina e de outros tipos de animais raros da fauna brasileira. “Vez ou outra conseguimos ver tejus, camaleões, bichos-preguiça, lobos-guará ‘passeando’ pelo terreno. São bichos que você dificilmente encontra em área urbanizada”, afirma o consultor de jardinagem do cemitério, Alonso Pereira de Farias.

Entre as aves, o anu, o bem-te-vi e o quero-quero estão entre os mais vistos no local. Nas árvores onde os carcarás costumam construir seus ninhos, a gerência do cemitério coloca placas durante a época de reprodução, e às vezes chega até a isolá-las para evitar ataques surpresas dos bichos, que possuem instinto de proteção pelos filhotes.

Aves raras e outros tipos de bichos silvestres são vistos no cemitério. (Foto: Divulgação/ Parque das Flores)Aves raras e outros tipos de bichos silvestres são vistos no cemitério. (Foto: Divulgação/ Parque das Flores)

De acordo com Farias, a maioria dos animais prefere não chegar muito perto dos humanos e fica mais próximo aos 2,5 hectares de reserva da Mata Atlântica, que corta os fundos do terreno do cemitério. “Estamos sempre incentivando nossos funcionários a respeitar e a preservar as espécies. Também orientamos nossos clientes a não agredir ou alimentar os bichos”, destaca.

“Os quero-queros e os anus são nossos parceiros aqui no cemitério. Não fazemos controle de lagartos, pragas e insetos, pois as próprias aves já se encarregam disso quando se alimentam deles”, brinca o consultor.

Cemitério possui cerca de 800 unidades de árvore em seu território. (Foto: Natália Souza/G1)Cemitério possui cerca de 800 unidades de árvore
em seu território. (Foto: Natália Souza/G1)

Diversidade da flora
Com oito hectares de extensão – sendo sete só de área verde, o cemitério faz jus ao nome que lhe foi dado: Parque das Flores. De acordo com o consultor de jardinagem Alonso Farias, há dois anos, durante o último levantamento sobre a flora realizado no cemitério, foram contabilizados 23 tipos diferentes de flores tropicais. “Trabalhamos com flores decorativas, mas, nos jardins, também cultivamos flores tropicais como os Bastões do Imperador”.

Nas cores amarela, roxa e branca, os ipês complementam a beleza natural do lugar. Nove espécies de palmeiras podem ser encontradas nas dependências do cemitério. O destaque é para a Palmeira-azul, originária de Madagascar, país do sudeste da África que possui uma das mais ricas biodiversidades de fauna e flora do mundo.

“A Palmeira-azul é uma das mais bonitas que possuímos aqui. Ela é imponente e é uma das poucas que já vi aqui no Estado. Compramos as sementes de um produtor em Minas Gerais, depois as deixamos em quarentena e plantamos aqui”, conta Farias.

Quaresmeiras, ipês, palmeiras, paus-brasis, nins. São mais de 200 variedades de árvores, entre espécies nativas e raras, que totalizam aproximadamente 800 unidades. “É uma das maiores áreas verdes da parte alta da cidade. São árvores que dão frutos. Toda essa vegetação é aguada por um moderno e automatizado sistema de irrigação, que evita o desperdício de água. Antes, com o sistema convencional, gastávamos 200 mil m³ de água, hoje utilizamos cerca de 70 mil m³. Se todos utilizassem esse sistema, poderíamos evitar um grande desperdício de água no estado”, defende o consultor sobre a preocupação com o meio ambiente.

parque das flores (Foto: Natália Souza/G1)Espaço é rico em plantas e árvores frutíferas (Foto: Natália Souza/G1)

Modelo “parque
Quem vê a área verde no cemitério em plena área urbanizada no Tabuleiro do Martins, não imagina que nem sempre a região foi assim. “Não existia área verde aqui. Há 40 anos, quando o meu avô teve a ideia de construir o cemitério, ele foi buscar nos Estados Unidos a inspiração de cemitérios no modelo de parque”, contou o gerente comercial do cemitério, Bruno Melro Bentes.

“Tirando a mata nativa que corta nosso terreno e que é de nossa responsabilidade também, tudo que vemos aqui hoje foi plantado. Dos oito hectares de terreno, sete são de área verde e optamos por construir os jazigos em apenas 5,6 hectares. Comercialmente não é tão vantajoso, mas sabemos que ecologicamente essa área verde é importante até para o restante do bairro”, afirma.

Cemitério possui mais de 23 tipos de flores tropicais. (Foto: Jonathan Lins/G1 AL)Cemitério possui mais de 23 tipos de flores tropicais.
(Foto: Jonathan Lins/G1 AL)

Além da preocupação ambiental e da busca pela melhor estética, os administradores foram buscar na psicologia, mais uma motivação para manter a arborização no local. “Culturalmente, as pessoas tendem a não gostar de cemitérios, mas há estudos que comprovam que, quando a pessoa perde um ente querido e o enterram em um local com aspecto agradável e em contato com a natureza, o processo de perda e aceitação é mais fácil”, destaca Melro.

Segundo Melro e Farias, há uma certa dificuldade em catalogar todas as espécies de plantas e animais no cemitério, mas existe a intenção de iniciar tal projeto. “Servimos como fonte de pesquisas para universitários de cursos agrícolas e de psicologia, estudantes de escolas do município e do interior, programas de estágios e pesquisas para mestrados”, afirma Melro ao destacar que, no local associado ao repouso dos mortos, há mais vida do que se possa imaginar.

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Publicado por em 2 de setembro de 2013 em Tecnologia

 

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Cemitério preserva refúgio particular da fauna e da flora brasileira em AL

Todo dia o coveiro Paulo Sérgio da Silva arrumava os vasos de flores dos túmulos do cemitério e no outro dia, curiosamente, os recipientes estavam revirados. O “ritual” da arrumação seguida pela bagunça se repetiu por dias. Silva e outros coveiros chegaram a discutir teorias sobre o responsável pela desordem: uns achavam que era o vento, outros acreditavam que a bagunça era causada pelas pessoas que iam visitar os túmulos, e os mais supersticiosos culpavam assombrações e espíritos.

Este fato, que aconteceu em um cemitério particular localizado no bairro do Tabuleiro do Martins, na parte alta de Maceió, poderia acabar virando uma história de mistério e suspense, se não tivesse sido esclarecido. Hoje, a história é contada como exemplo de interação e respeito entre o homem e a natureza.

“Depois de ficarmos intrigados, resolvemos filmar para saber o que causava aquela bagunça (assista ao vídeo). Depois de muita espera, flagramos a ação de gaviões-carcarás que reviravam os vasos em busca de alimentos como minhocas e insetos”, conta o coveiro, aliviado por desvendar o mistério.

Além dos gaviões-carcarás, o cemitério recebe outros visitas ilustres de aves de rapina e de outros tipos de animais raros da fauna brasileira. “Vez ou outra conseguimos ver tejus, camaleões, bichos-preguiça, lobos-guará ‘passeando’ pelo terreno. São bichos que você dificilmente encontra em área urbanizada”, afirma o consultor de jardinagem do cemitério, Alonso Pereira de Farias.

Entre as aves, o anu, o bem-te-vi e o quero-quero estão entre os mais vistos no local. Nas árvores onde os carcarás costumam construir seus ninhos, a gerência do cemitério coloca placas durante a época de reprodução, e às vezes chega até a isolá-las para evitar ataques surpresas dos bichos, que possuem instinto de proteção pelos filhotes.

Aves raras e outros tipos de bichos silvestres são vistos no cemitério. (Foto: Divulgação/ Parque das Flores)Aves raras e outros tipos de bichos silvestres são vistos no cemitério. (Foto: Divulgação/ Parque das Flores)

De acordo com Farias, a maioria dos animais prefere não chegar muito perto dos humanos e fica mais próximo aos 2,5 hectares de reserva da Mata Atlântica, que corta os fundos do terreno do cemitério. “Estamos sempre incentivando nossos funcionários a respeitar e a preservar as espécies. Também orientamos nossos clientes a não agredir ou alimentar os bichos”, destaca.

“Os quero-queros e os anus são nossos parceiros aqui no cemitério. Não fazemos controle de lagartos, pragas e insetos, pois as próprias aves já se encarregam disso quando se alimentam deles”, brinca o consultor.

Cemitério possui cerca de 800 unidades de árvore em seu território. (Foto: Natália Souza/G1)Cemitério possui cerca de 800 unidades de árvore
em seu território. (Foto: Natália Souza/G1)

Diversidade da flora
Com oito hectares de extensão – sendo sete só de área verde, o cemitério faz jus ao nome que lhe foi dado: Parque das Flores. De acordo com o consultor de jardinagem Alonso Farias, há dois anos, durante o último levantamento sobre a flora realizado no cemitério, foram contabilizados 23 tipos diferentes de flores tropicais. “Trabalhamos com flores decorativas, mas, nos jardins, também cultivamos flores tropicais como os Bastões do Imperador”.

Nas cores amarela, roxa e branca, os ipês complementam a beleza natural do lugar. Nove espécies de palmeiras podem ser encontradas nas dependências do cemitério. O destaque é para a Palmeira-azul, originária de Madagascar, país do sudeste da África que possui uma das mais ricas biodiversidades de fauna e flora do mundo.

“A Palmeira-azul é uma das mais bonitas que possuímos aqui. Ela é imponente e é uma das poucas que já vi aqui no Estado. Compramos as sementes de um produtor em Minas Gerais, depois as deixamos em quarentena e plantamos aqui”, conta Farias.

Quaresmeiras, ipês, palmeiras, paus-brasis, nins. São mais de 200 variedades de árvores, entre espécies nativas e raras, que totalizam aproximadamente 800 unidades. “É uma das maiores áreas verdes da parte alta da cidade. São árvores que dão frutos. Toda essa vegetação é aguada por um moderno e automatizado sistema de irrigação, que evita o desperdício de água. Antes, com o sistema convencional, gastávamos 200 mil m³ de água, hoje utilizamos cerca de 70 mil m³. Se todos utilizassem esse sistema, poderíamos evitar um grande desperdício de água no estado”, defende o consultor sobre a preocupação com o meio ambiente.

parque das flores (Foto: Natália Souza/G1)Espaço é rico em plantas e árvores frutíferas (Foto: Natália Souza/G1)

Modelo “parque
Quem vê a área verde no cemitério em plena área urbanizada no Tabuleiro do Martins, não imagina que nem sempre a região foi assim. “Não existia área verde aqui. Há 40 anos, quando o meu avô teve a ideia de construir o cemitério, ele foi buscar nos Estados Unidos a inspiração de cemitérios no modelo de parque”, contou o gerente comercial do cemitério, Bruno Melro Bentes.

“Tirando a mata nativa que corta nosso terreno e que é de nossa responsabilidade também, tudo que vemos aqui hoje foi plantado. Dos oito hectares de terreno, sete são de área verde e optamos por construir os jazigos em apenas 5,6 hectares. Comercialmente não é tão vantajoso, mas sabemos que ecologicamente essa área verde é importante até para o restante do bairro”, afirma.

Cemitério possui mais de 23 tipos de flores tropicais. (Foto: Jonathan Lins/G1 AL)Cemitério possui mais de 23 tipos de flores tropicais.
(Foto: Jonathan Lins/G1 AL)

Além da preocupação ambiental e da busca pela melhor estética, os administradores foram buscar na psicologia, mais uma motivação para manter a arborização no local. “Culturalmente, as pessoas tendem a não gostar de cemitérios, mas há estudos que comprovam que, quando a pessoa perde um ente querido e o enterram em um local com aspecto agradável e em contato com a natureza, o processo de perda e aceitação é mais fácil”, destaca Melro.

Segundo Melro e Farias, há uma certa dificuldade em catalogar todas as espécies de plantas e animais no cemitério, mas existe a intenção de iniciar tal projeto. “Servimos como fonte de pesquisas para universitários de cursos agrícolas e de psicologia, estudantes de escolas do município e do interior, programas de estágios e pesquisas para mestrados”, afirma Melro ao destacar que, no local associado ao repouso dos mortos, há mais vida do que se possa imaginar.

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