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Jair Rodrigues ‘inaugurou’ rap e fez samba, sertanejo, MPB e bossa nova

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Precursor do rap, apresentador de um programa de TV que marcou a história da MPB, parceiro de Elis Regina, vencedor do Festival de Música Popular Brasileira, sambista, cantor sertanejo e parceiro de ídolos do hip hop. A versatilidade foi a marca de Jair Rodrigues, encontrado morto nesta quinta-feira (8). Ele teve um infarto agudo do miocárdio, informou a assessoria de imprensa do cantor.

Ao longo dos 57 anos de carreira, ele ficou conhecido pela irreverência e pelo timbre marcante. Com voz forte, gravou sucessos como “Deixa isso pra lá”, “Disparada”, “Tristeza”,  “O menino da porteira”, “Boi da cara preta” e “Majestade o Sabiá”.

Nascido em Igarapava (SP) em 6 de fevereiro de 1939, começou no final da década de 1950, como crooner em casas do interior de São Paulo. Nos anos 1960, participou de programas de calouros na TV.

Seu site oficial lista 44 discos gravados (veja abaixo a discografia completa). O primeiro LP é “Vou de samba com você” (1964), que tinha “Deixa isso pra lá”. A canção fez Jair ser considerado pioneiro do rap no Brasil. Com versos mais declamados (ou falados) do que cantados, a música, originalmente um samba, ganhou popularidade também graças à coreografia feita com as mãos. Em 1999, foi gravada em parceria com o grupo Camorra.

arte cronologia Jair Rodrigues (Foto: Arte G1)

O registro de estreia do cantor, no entanto, é de 1962. Trata-se de um disco de 78 rotações com as canções “Brasil sensacional” e “Marechal da vitória”, que tinham como tema a Copa do Mundo daquele ano, no Chile, vencida pela seleção brasileira.

Jair Rodrigues também ficou conhecido pelo trabalho ao lado de Elis Regina. Os dois iniciaram a parceria em 1965 e lançaram o disco ao vivo “Dois na bossa”. A boa repercussão do LP rendeu o convite para apresentar o programa O Fino da Bossa, que estreou em maio daquele ano na TV Record. Com Elis, o cantor lançou em 1966 e 1967 outros dois volumes da série “Dois na bossa”.

A vitória no II Festival de Música Popular Brasileira, em 1966, foi outro ponto marcante da trajetória de Jair Rodrigues. Ele concorreu com “Disparada”, escrita por Geraldo Vandré e Teo de Barros. Na final, dividiu o primeiro lugar com “A banda”, composição de Chico Buarque interpretada na ocasião por Nara Leão.

No IV Festival de Música Popular Brasileira, em 1968, Jair Rodrigues também se destacou. Com “A família”, de Chico Anysio e Ari Toledo, ficou em terceiro lugar segundo o júri popular.

Já na década seguinte, o cantor dedicou-se mais intensamente ao samba. Em 1971, saiu o LP “Festa para um rei negro”. Uma das canções era o samba-enredo que deu título ao trabalho, defendido pela escola de samba Acadêmicos do Salgueiro. A música era conhecida pelo refrão “Ô lê lê, ô lá lá/ pega no ganzê/ pega no ganzá”.

Outros álbuns do período são “Orgulho de um sambista”, “Ao vivo no Olympia de Paris”, “Eu sou o samba”, “Estou com o samba e não abro” e “Couro comendo” (1979).

Durante esse período, o cantor se tornou pai. Em 1975, nasceu seu filho Jair Oliveira, o Jairzinho, que foi estrela do grupo infantil Balão Mágico e depois passou a cantar MPB. Quatro anos depois, nasceu Luciana Mello. Influenciada pelo pai e pelo irmão, também seguiu a carreira musical. Jair deixa os filhos e a mulher, Clodine.

Na década de 1980, vieram álbuns de temática mais popular e por vezes romântica, caso de “Estou lhe devendo um sorriso”, “Alegria de um povo”, “Jair Rodrigues de Oliveira” e “Carinhoso”.

Na década de 1990, houve uma predileção pela música sertaneja e caipira e por uma revisão de outros gêneros com que ele vinha trabalhando desde o seu início como artista.

Os nomes dos discos do período são autoexplicativos: “Lamento sertanejo”, “Viva meu samba”, “Eu sou… Jair Rodrigues”, “De todas as bossas” e “500 anos de folia – 100% ao vivo”.

Nos últimos anos, Jair Rodrigues seguia na ativa em projetos com os filhos, em discos lançados por ele. Também se envolveu com homenagens a Elis Regina. Em 2012, participou de eventos que lembraram os 30 anos de morte da cantora e antiga parceira.

Atualmente, ele seguia em turnê para divulgar seu disco mais recente, “Samba mesmo”, que teve dois volumes lançados em março deste ano. O cantor estava com apresentações marcadas para os próximos dias em Florianópolis (SC) e Contagem (MG). Jair Rodrigues se despediu dos palcos e da música na última terça-feira (6) durante uma apresentação no Hotel Guanabara, em São Lourenço (MG).

Discografia de Jair Rodrigues listada em seu site oficial
“Vou de samba com você” (1964)
“O samba como ele é” (1964)
“Dois na bossa – Elis Regina e Jair Rodrigues” (1965)
“Dois na bossa vol. 2 – Elis Regina & Jair Rodrigues” (1966)
“O sorriso do Jair” (1966)
“Dois na bossa vol. 3 – Elis Regina & Jair Rodrigues” (1967)
“Jair” (1967)
“Menino rei da alegria” (1968)
“Jair de todos os sambas” (1969)
“Jair de todos os sambas nº 2” (1969)
“Talento e bossa de Jair Rodrigues” (1970)
“É isso aí” (1971)
“Festa para um rei negro” (1971)
“Com a corda toda” (1972)
“Orgulho de um sambista” (1973)
“Abra um sorriso novamente” (1974)
“Jair Rodrigues dez anos depois” (1974)
“Ao vivo no Olympia de Paris” (1975)
“Eu sou o samba” (1975)
“Minha hora e vez” (1976)
“Estou com o samba e não abro” (1977)
“Pisei chão” (1978)
“Antologia da seresta” (1979)
“Couro comendo” (1979)
“Estou lhe devendo um sorriso” (1980)
“Antologia da seresta nº 2” (1971)
“Alegria de um povo” (1981)
“Jair Rodrigues de Oliveira” (1982)
“Carinhoso” (1983)
“Luzes do prazer” (1984)
“Jair Rodrigues” (1985)
“Jair Rodrigues” (1988)
“Lamento sertanejo” (1991)
“Viva meu samba” (1994)
“Eu sou… Jair Rodrigues” (1996)
“De todas as bossas” (1998)
“500 anos de folia” (1999)
“500 anos de folia vol. 2” (2000)
“Intérprete” (2002)
“A bossa nova” (2004)
“Alma negra” (2005)
“Festa para um rei negro” (2009)
“Samba mesmo vol. 1” (2014)
“Samba mesmo vol. 2” (2014)

Jair Rodrigues durante show da Virada Cultural em 2009 (Foto: Vagner Campos / Futura Press)Jair Rodrigues durante show da Virada Cultural em 2009 (Foto: Vagner Campos / Futura Press)

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Publicado por em 14 de maio de 2014 em Música

 

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Aos 66 anos, musa da bossa nova vive como andarilha em Ipanema

AnaMaria na década de 70 e nos dias de hoje, aos 66 anos (Foto: Lívia Torres/G1)A bela Anamaria em um registro da década de 70 e nos dias de hoje, aos 66 anos (Foto: Lívia Torres / G1)

Ela poderia ter sido a “Garota de Ipanema”, eternizada na música de Tom Jobim, quando desfilava pelo bairro ostentando charme e beleza. Anamaria Carvalho, mais conhecida como a “Mulher de Branco”, cresceu no meio artístico e efervescente do Rio na década de 70. Foi vizinha de Tom, casada com o compositor Marcos Valle e ajudou a divulgar a bossa nova pelo mundo. Hoje, ela perambula sem rumo pelas ruas de Ipanema, sempre munida de um carrinho de feira, esbanjando carisma e distribuindo sorrisos para os passantes.

Ana Maria na praia de Ipanema durante filmagem do documentário (Foto: Divulgação )Anamaria na praia de Ipanema durante filmagem do
documentário (Foto: Divulgação )

O G1 localizou Anamaria na tarde desta quinta-feira (5), sentada em um bar da Rua Vinícius de Moraes, em Ipanema, na Zona Sul do Rio. Dividindo a mesa com mais dois amigos, ela parecia se divertir mais sozinha. Ela, que já morou em Paris e na Califórnia, contou como vive há quase 66 anos, prestes a serem completados no dia 15 de setembro.

“Minha juventude foi musical. Ao longo do tempo fui aprendendo a tocar vários instrumentos. Fui vizinha do Tom Jobim no Leblon e em Los Angeles. Eu nunca compus, mas ele me mostrava tudo que ele fazia. Eu conheci o Marcos Valle em uma reunião em Ipanema, quando eu era solteira. Nós nos conhecemos e seis meses depois estávamos casados. Ficamos juntos por quatro anos e cantávamos muito.”

Documentário
Ana voltou ao cenário cultural há dois anos, quando o jornalista Chico Canindé lançou o documentário “Anamaria – A mulher de branco de Ipanema”. O filme foi exibido pela primeira vez em setembro de 2011, com duas sessões lotadas.

“Eu sempre quis desvendar a história da Mulher de Branco de Ipanema. Acompanho de longe os passos dela desde o início da década de 90. Em 2009, com a ajuda do publicitário e produtor Álvaro Saad Peixoto, o projeto criou forma e decidimos começar a rodar o documentário. Convencê-la a participar das filmagens não foi problema algum. Anamaria tem muita desenvoltura frente às câmeras e também adora posar para fotos. Algo que certamente traz da época em que vivia sob os holofotes”, contou Chico.

Filha do radialista Luis de Carvalho, Ana diz que tem três filhos biológicos e um adotivo. “A minha família está por aí. Eu os vejo quando Deus nos liga de novo. Netos, que eu saiba, ainda não tenho.”

‘Mulher de azul’
O apelido “Mulher de Branco” não faz mais jus às roupas que ela veste, já que agora ela adotou o azul como cor oficial de suas indumentárias. “Eu me vestia de branco porque minha avó tinha falecido e o branco é o luto japonês. Embora eu não seja japonesa, eu não quis usar preto naquela época. A gente fica muito frustrado quando perde um parente que a gente gosta. Eu mudei do branco para o azul por causa de uma música [de Wilson Simonal] ‘Vesti azul, minha sorte então mudou’. O azul é a cor da nobreza celestial”, revelou.

Canindé ficou próximo de Ana por filmá-la durante dois anos. O que tirou Anamaria dos holofotes ainda é um motivo desconhecido e que ela mesma desconversa ao ser questionada.

“Na minha opinião, em determinado momento de sua vida, Anamaria saiu do lugar comum criando um universo próprio, em paralelo, cheio de poesia e, ainda, com muita música, uma de suas paixões. Ana tem muitos amigos em Ipanema, famosos e anônimos. Ela viveu a década de 70 envolvida no movimento de contracultura”, opina o jornalista.

Ao contrário do que muitos pensam, Anamaria não mora na rua, mas em um apartamento em Ipanema. “Hoje em dia eu me hospedo, eu não moro. Porque eu tenho uma vida muito agitada.” Agitada ou não, o que fica visível ao esbarrar com Ana por Ipanema é que até “no peito dos desafinados também bate um coração”, parafrasendo outra música do eterno poeta Tom Jobim.

Ana Maria em um bar da Rua Vinícius de Moraes, em Ipanema (Foto: Lívia Torres/G1)Anamaria em um bar da Rua Vinícius de Moraes, em Ipanema (Foto: Lívia Torres/G1)

Fonte G1

 
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Publicado por em 9 de setembro de 2013 em Música

 

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