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Estudo aponta que ondas de rádio afetam aves migratórias

Exemplar de tordo, ave que participou do experimento (Foto: Tony Wills/Wikimedia Commons)Exemplar de tordo, ave que participou do experimento (Foto: Tony Wills/Wikimedia Commons)

Ondas de rádio interrompem o “compasso” magnético das aves, revelou um estudo feito com tordos publicado na revista “Nature”, que pode alimentar a discussão sobre a segurança dos dispositivos eletrônicos. Em um experimento longo e cuidadoso, cientistas alemães descobriram que os tordos migratórios ficaram desorientados quando expostos a campos eletromagnéticos em níveis muito abaixo do limite de segurança para os seres humanos.

As frequências estavam na faixa das ondas médias usadas na rádio AM, não utilizada nos celulares, que tem a segurança contestada por alguns ativistas. “Durante décadas, tem-se discutido acaloradamente se os campos eletromagnéticos produzidos pelo homem afetavam processos biológicos, inclusive a saúde humana”, escreveram os autores do estudo, da Universidade de Oldenburg.

Os testes demonstraram “um efeito replicável de ruído eletromagnético antropogênico [produzido pelo homem] no comportamento de um vertebrado intacto”.

Há muito tempo se acredita que as aves navegam utilizando a luz e o campo magnético da Terra. Onde está seu “compasso” magnético e como ele funciona permanece um mistério e pesquisas feitas com pombos-correio sugerem que possa se originar em um cristal rico em ferro em seus bicos denominado magnetita.

Sete anos atrás, cientistas de Oldenburg ficaram surpresos ao descobrir que os tordos europeus (Erithacus rubecula) ficavam confusos ao fazer uma parada no campus da universidade.

Intrigados, os cientistas prepararam uma gaiola de madeira com folhas de alumínio cobrindo suas paredes e fixada à terra por um cabo. Isto, virtualmente, eliminou a radiação eletromagnética em um raio de 50 quilohertz a 20 Mega hertz, mas não teve efeitos no campo magnético da Terra.

Resultados
Após sete anos, experimentos demonstraram que quando a blindagem funcionava, as aves na cabana adotavam sua posição migratória normal. Mas quando a blindagem era removida ou as aves eram expostas a um dispositivo emitindo ruído de fundo eletromagnético, elas ficavam desorientadas.

A interrupção ocorreu em fracos sinais eletromagnéticos a níveis equivalentes ao do voo da ave a uma distância de cerca de 5 quilômetros de um radiotransmissor de rádio AM de 50 quilowatts.

Esta intensidade é muito abaixo dos níveis de segurança para humanos, estabelecidos pela Comissão Internacional de Proteção contra Radiação Não-ionizante (ICNIRP), que determina diretrizes para dispositivos elétricos, de aparelhos de rádio a computadores, linhas de transmissão e telefones celulares.

Os cientistas estão convencidos de que a interrupção foi produzida pelo homem e não por uma fonte natural. Segundo um estudo prévio, poderosas tempestades solares – provocadas por partículas emitidas pelo Sol que atingem o campo magnético da Terra – podem causar um ruído de rádio que atravessa a ionosfera e afeta os pombos-correio.

As descobertas podem alimentar alegações de que os dispositivos eletrônicos são inseguros ou causam interferência, afirmou Joseph Kirschvink, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), em um comentário publicado na Nature.

“Os charlatães modernos, sem dúvida, vão usar este estudo como argumento para proibir o uso de celulares, apesar das diferentes faixas de frequência envolvidas”, alertou Kirschvink.

Segundo ele, desde que os experimentos alemães sejam corroborados por outros testes, uma resposta mais razoável, no entanto, seria abandonar gradativamente o uso de quaisquer partes causadoras de problemas no espectro de energia para ajudar as aves migratórias a encontrar seu caminho.

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Publicado por em 14 de maio de 2014 em Tecnologia

 

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Estudo aponta que ondas de rádio afetam aves migratórias

Exemplar de tordo, ave que participou do experimento (Foto: Tony Wills/Wikimedia Commons)Exemplar de tordo, ave que participou do experimento (Foto: Tony Wills/Wikimedia Commons)

Ondas de rádio interrompem o “compasso” magnético das aves, revelou um estudo feito com tordos publicado na revista “Nature”, que pode alimentar a discussão sobre a segurança dos dispositivos eletrônicos. Em um experimento longo e cuidadoso, cientistas alemães descobriram que os tordos migratórios ficaram desorientados quando expostos a campos eletromagnéticos em níveis muito abaixo do limite de segurança para os seres humanos.

As frequências estavam na faixa das ondas médias usadas na rádio AM, não utilizada nos celulares, que tem a segurança contestada por alguns ativistas. “Durante décadas, tem-se discutido acaloradamente se os campos eletromagnéticos produzidos pelo homem afetavam processos biológicos, inclusive a saúde humana”, escreveram os autores do estudo, da Universidade de Oldenburg.

Os testes demonstraram “um efeito replicável de ruído eletromagnético antropogênico [produzido pelo homem] no comportamento de um vertebrado intacto”.

Há muito tempo se acredita que as aves navegam utilizando a luz e o campo magnético da Terra. Onde está seu “compasso” magnético e como ele funciona permanece um mistério e pesquisas feitas com pombos-correio sugerem que possa se originar em um cristal rico em ferro em seus bicos denominado magnetita.

Sete anos atrás, cientistas de Oldenburg ficaram surpresos ao descobrir que os tordos europeus (Erithacus rubecula) ficavam confusos ao fazer uma parada no campus da universidade.

Intrigados, os cientistas prepararam uma gaiola de madeira com folhas de alumínio cobrindo suas paredes e fixada à terra por um cabo. Isto, virtualmente, eliminou a radiação eletromagnética em um raio de 50 quilohertz a 20 Mega hertz, mas não teve efeitos no campo magnético da Terra.

Resultados
Após sete anos, experimentos demonstraram que quando a blindagem funcionava, as aves na cabana adotavam sua posição migratória normal. Mas quando a blindagem era removida ou as aves eram expostas a um dispositivo emitindo ruído de fundo eletromagnético, elas ficavam desorientadas.

A interrupção ocorreu em fracos sinais eletromagnéticos a níveis equivalentes ao do voo da ave a uma distância de cerca de 5 quilômetros de um radiotransmissor de rádio AM de 50 quilowatts.

Esta intensidade é muito abaixo dos níveis de segurança para humanos, estabelecidos pela Comissão Internacional de Proteção contra Radiação Não-ionizante (ICNIRP), que determina diretrizes para dispositivos elétricos, de aparelhos de rádio a computadores, linhas de transmissão e telefones celulares.

Os cientistas estão convencidos de que a interrupção foi produzida pelo homem e não por uma fonte natural. Segundo um estudo prévio, poderosas tempestades solares – provocadas por partículas emitidas pelo Sol que atingem o campo magnético da Terra – podem causar um ruído de rádio que atravessa a ionosfera e afeta os pombos-correio.

As descobertas podem alimentar alegações de que os dispositivos eletrônicos são inseguros ou causam interferência, afirmou Joseph Kirschvink, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), em um comentário publicado na Nature.

“Os charlatães modernos, sem dúvida, vão usar este estudo como argumento para proibir o uso de celulares, apesar das diferentes faixas de frequência envolvidas”, alertou Kirschvink.

Segundo ele, desde que os experimentos alemães sejam corroborados por outros testes, uma resposta mais razoável, no entanto, seria abandonar gradativamente o uso de quaisquer partes causadoras de problemas no espectro de energia para ajudar as aves migratórias a encontrar seu caminho.

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Publicado por em 10 de maio de 2014 em Tecnologia

 

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Falta de comida ameaça ave símbolo das Ilhas Galápagos, aponta estudo

Exemplar da ave patola-de-pés-azuis, que habita ilhas do Pacífico, principalmente na região da América tropical (Foto: Marc Figueras/Wikimedia Commons)Exemplar da ave patola-de-pés-azuis, que habita ilhas do Pacífico, principalmente na região da América tropical (Foto: Marc Figueras/Wikimedia Commons)

Uma das aves emblemáticas das ilhas Galápagos, a patola-de-pés-azuis, enfrenta uma incomum redução de sua população devido à escassez de alimento, revelou um estudo científico apoiado pelas autoridades do arquipélago localizado no Equador.

“Estamos extremamente preocupados com o que está acontecendo com esta população”, afirma Víctor Carrión, diretor de Ecossistemas do Parque Nacional de Galápagos (PNG), localizado a 1.000 km da costa equatoriana.

Pesquisa conduzida pelo biólogo americano Dave Anderson, publicado na revista especializada “Avian Conservation & Ecology”, que teve trechos reproduzidos pelo jornal “El Comercio de Quito”, emitiu alerta sobre as patolas-de-pés-azuis.

Esta ave silvestre e endêmica das ilhas Galápagos, Patrimônio Natural da Humanidade, está em risco devido à redução de indivíduos de sua espécie, advertida por autoridades do PNG e documentada na pesquisa.

Onde está minha sardinha?
Segundo as pistas que os especialistas seguiram, a redução pode estar diretamente relacionada com a e

“A pesca predatória no norte do Peru, de onde as correntes arrastam a fonte de alimento para as patolas, poderia ser uma razão para a diminuição da população”, afirmou Carrión por telefone.

Os responsáveis pelo estudo calculam que a população desta espécie alcançasse em 2012 os 6.400 exemplares adultos contra 20.000 indivíduos adultos contabilizados em 1960.

No entanto, explicou Carrión, os dados mais recentes não podem se comparar com os de décadas atrás pela diferença de método, se são um sinal inequívoco de que algo preocupante está acontecendo com as patolas-de-pés-azuis, cuja imagem ilustra os postais do arquipélago equatoriano, berço da Teoria da Evolução.

As patolas-de-pés-azuis não são aves migratórias, embora em 1982 e 1998 tenham sido forçadas a deixar seu território devido à escassez de alimento causada pelo El Niño, um fenômeno climático caracterizado pelo aumento das temperaturas no oceano Pacífico, fortes chuvas e debilitação dos ventos.

A partir da pesquisa chefiada por Anderson, as autoridades do PNG decidiram monitorar periodicamente a população de patolas-de-pés-azuis e suas áreas de reprodução para determinar se a redução está vinculada a causas temporárias ou permanentes, segundo Carrión.

A ave emblemática de Galápagos é considerada como ‘uma espécie de preocupação’ pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), que elabora a lista vermelha dos animais ameaçados de extinção.

O diretor de Ecossistemas do PNG confia em que a situação pode ser revertida através de medidas de proteção que evitem a inclusão da patola-de-pés-azuis na lista vermelha.

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Publicado por em 2 de maio de 2014 em Tecnologia

 

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Relatório aponta que 60% da água subterrânea da China está poluída

Cerca de 60% da água subterrânea da China está muito poluída para ser bebida sem um tratamento prévio, segundo um relatório ministerial sobre a qualidade da água, informou a agência Xinhua, estatal do país.

No ano de 2013, a qualidade da água era “muito pobre” ou “relativamente pobre” nas 203 cidades onde foi testada, indicou o relatório anual do ministério de Terra e Recursos. A porcentagem de água não potável cresceu de 57,4% em 2012 a 60% em 2013, acrescentou.

O boom econômico da China provoca uma preocupação crescente pelas questões do meio ambiente, em um país com partes inteiras cobertas frequentemente por uma espessa névoa e com as águas e terras poluídas. O ministério do Meio Ambiente chinês indicou na semana passada que 16% das terras do país também estavam contaminadas.

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Publicado por em 30 de abril de 2014 em Tecnologia

 

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Artigo da ‘Science’ aponta avanços e retrocessos do novo Código Florestal

Cerrado em Itirapina (Foto: César Fontenele/EPTV)Cerrado em Itirapina: pesquisadores mostram preocupação com aumento do desmatamento em biomas como o cerrado e a caatinga (Foto: César Fontenele/EPTV)

Uma análise feita por sete pesquisadores brasileiros e um americano publicada na edição desta quinta-feira (25) da revista “Science” afirma que o novo Código Florestal, aprovado em maio de 2012, diminui a área de floresta desmatada ilegalmente que deveria ser restaurada no país em 58%: de 50 milhões de hectares (500 mil km²) para 21 milhões de hectares (210 mil km²). Além disso, diz o texto, a lei permite o desmatamento legal de mais 88 milhões de hectares. Por outro lado, o artigo aponta para avanços ambientais alcançados pela lei, como a possibilidade de comercializar títulos referentes a propriedades que conservam a mata nativa.

A diminuição das áreas que devem ser reflorestadas deve-se à parte do Código que libera da recomposição da mata os pequenos proprietários que tenham praticado desmatamento ilegal antes de 2008. Segundo a lei, enquadram-se na categoria de pequenas propriedades desde terras de 20 hectares no sul do país até propriedades de 440 hectares na Amazônia. Dessa forma, 90% das propriedades rurais brasileira se qualificam para receber o benefício.

“Essas perdas podem ter um grande impacto na conservação da biodiversidade e programas de reflorestamento, especialmente na Mata Atlântica, onde restam apenas de 12% a 16% da cobertura florestal original”, diz o artigo, que tem como autor principal o pesquisador Britaldo Soares-Filho, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Segundo o texto da “Science”, o novo Código também torna especialmente vulneráveis o Cerrado e a Caatinga. Isso porque a lei determina que propriedades que ficam nesses biomas devem manter apenas 20% de reserva legal de mata nativa (na Amazônia, o mínimo é de 80%). Como esses biomas ainda têm grandes áreas de cobertura vegetal, lá existe espaço para ampliação do desmatamento legal.

Avanços
Soares-Filho enfatiza que, embora o novo código tenha apresentado alguns retrocessos, mecanismos introduzidos por ele, como o das cotas de reservas ambientais (CRA), representam avanços.

O sistema permite que propriedades que tenham mata nativa com áreas superiores à reserva florestal determinada pelo código (80% em propriedades na Amazônia e 20% em propriedades em outros biomas) possam vender títulos referentes a esse excedente a propriedades que estejam em dívida ambiental, como forma de compensação. “O grande sonho da conservação é agregar valor à floresta em pé. Hoje, a floresta só tem valor quando é derrubada para a exploração da madeira ou para pastagem”, diz Soares-Filho.

Para os autores do artigo, a alegação por parte de proprietários rurais de que o cumprimento do novo código poderia gerar grande prejuízo ao agronegócio é “infundada”. Levando em conta, por exemplo, os 4,5 milhões de hectares de matas ciliares que devem ser restaurados, apenas 1% está atualmente ocupado por plantações.

“Continuar sabotando o código é um tiro no pé do produtor. A produtividade agrícola depende da estabilidade do clima”, completa Soares-Filho.

Demora
Na opinião de Soares-Filho, um ponto crítico em relação ao Código Florestal é o fato de ele ainda não ter sido regulamentado e colocado em prática, dois anos após sua aprovação. “O texto é difícil de ser interpretado e não há uma diretiva clara do governo sobre quando ele será regulamentado. Isso gerou um impasse: muita gente que estava fazendo a recuperação ambiental paralisou, pois não se sabe mais quais regras seguir.”

Um dos principais entraves que impede que o código seja posto em prática, segundo o pesquisador, é a falta de regulamentação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), sistema que pretende reunir informações sobre todas as propriedades rurais brasileiras. “É preciso desenvolver um sistema transparente, integrado e federal de registro eletrônico das propriedades. Já existem vários sistemas estaduais, mas falta transparência”, diz o pesquisador.

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Publicado por em 29 de abril de 2014 em Tecnologia

 

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Lagoa natural mais profunda do país fica no ES, aponta estudo

A lagoa natural mais profunda do Brasil fica em Linhares, na região Norte do Espírito Santo, de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Entre as descobertas, também está o potencial dessas águas na criação de peixes. A Lagoa Palmas tem 50 metros de profundidade e é uma das 60 lagoas do município.

O estudo começou em 2010 e envolveu pesquisadores da Ufes, o Instituto Estadual do Meio Ambiente (Iema), a Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e a Associação dos Aquicultores de Linhares (Aqualin). De acordo com um dos participantes do estudo, a descoberta surgiu por acaso. “O intuito não era esse, de encontrar a profundidade da lagoa, mas sim a capacidade de suporte dessas lagoas para que a gente pudesse ter segurança na nossa produção de peixes”, disse o presidente da Aqualin Euder Pedroni.

O coordenador da equipe do projeto, Gilberto Barroso, afirmou que o objetivo do grupo é estudar como as lagoas funcionam e a qualidade das águas. “A característica dela ser mais profunda em termos de lagos naturais é apenas uma particularidade. O mais interessante pra gente são os dados que temos levantados a respeito do formato da bacia, uma depressão cheia de água. Essas características influenciam bastante no aspecto físico, químico e biológico dos lagos. A nossa proposta é subsidiar as melhores formas de uso desses ecossistemas aquáticos”, afirmou.

Um outro dado apontado pelos pesquisadores é que quanto maior a profundidade das águas, menor é a quantidade de oxigênio. “Isso não significa dizer que aqui não tenha peixes, apenas que eles estão mais perto da superfície”, disse Barroso.

A pesquisa já foi apresentada em diversos estados do país, mas ainda está em andamento. O projeto também envolve outras quatro lagoas da região de Linhares, Colatina e Aracruz. As lagoas Juparanã, Nova, Palminhas e Terra Alta também estão incluídas no estudo. Segundo a Ufes,  a ideia é de que mais cinco lagoas sejam estudadas. Ao todo, a região tem 165 km² de espelho d’água no Baixo Rio Doce.

Ainda dee acordo com os pesquisadores, a segunda lagoa natural mais profunda do país, o lago Dom Helvécio, fica em Minas Gerais e tem 39 metros de profundidade.

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Fonte G1

 
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Publicado por em 20 de março de 2014 em Tecnologia

 

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Maioria dos rios brasileiros tem baixa qualidade, aponta estudo

Limpeza lago ibirapuera (Foto: Epitácio Pessoa/Agência Estado)Água do Lago do Ibirapuera, no parque de mesmo nome localizado em São Paulo, tem a qualidade ruim, segundo levantamento da ONG SOS Mata Atlântica (Foto: Epitácio Pessoa/Agência Estado)

Estudo divulgado nesta quarta-feira (19) pela organização SOS Mata Atlântica analisou a qualidade da água de 96 rios, córregos e lagos de 7 estados das regiões Sul e Sudeste e aponta que 41% desses cursos d’água foram classificados como ruins e péssimos.

Apenas 11% dos rios e mananciais mostraram boa qualidade – todos eles localizados em áreas protegidas e que contam com matas ciliares preservadas.

As principais fontes de poluição e contaminação, segundo a ONG, são decorrentes da falta de tratamento de esgoto doméstico, produtos químicos lançados nas redes públicas e da poluição proveniente do lixo.

Em São Paulo, foram feitas 34 coletas em rios das 32 subprefeituras da cidade. O levantamento apontou que em fevereiro deste ano 23,53% dos rios tinham qualidade péssima, 58,82% estavam com qualidade ruim e 17,65% tinham qualidade regular. Nenhum rio teve índice bom ou ótimo.

A qualidade do Lago do Ibirapuera foi classificada como ruim, assim como a água da represa Billings, na região de Cidade Ademar.

Outros nove cursos d’água, como o Rio Tamanduateí, no trecho da Sé, o Riacho Podre e o Córrego do Oratório, na Vila Prudente, tinham qualidade péssima.

Um dia após as fortes chuvas que causaram alagamentos, queda de energia e outros problemas no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (25) era possível ver do alto a poluição no canal da Joatinga, localizado na Barra da Tijuca (Foto: Genilson Araujo/Parceiro/Agência O Globo)Ppoluição no canal da Joatinga, localizado na Barra
da Tijuca (Foto: Genilson Araujo/Parceiro/Agência O Globo)

No Rio de Janeiro, foram analisados 15 pontos de coleta também em fevereiro e 100% das amostras eram ruins e regulares.

A água dos canais do Jockey, no Jardim Botânico, e do Mangue, na Vila Isabel, do Rio Comprido, no bairro de mesmo nome, e do Rio Joana, na Vila Isabel, foi classificada como de qualidade ruim.

Os córregos e rios da capital fluminense desaguam diretamente no mar. Em alguns casos, a água passa por um tratamento prévio antes de se encaminharem para emissários submarinos, que também lançam os efluentes no oceano, mas longe da costa.

“Os dados têm o principal objetivo de alertar para que coloquemos a água numa agenda estratégica para a sociedade e para os governantes. Para que o assunto vire pauta das eleições para criação de políticas públicas”, disse Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica.

Evolução na preservação
O estudo fez uma comparação entre 2010 e 2014 de 88 pontos em 34 cidades de São Paulo e Minas Gerais. De acordo com o relatório, o número de rios de qualidade péssima caiu de 15 para 7 no período; cursos d’água classificados como bom eram 5 e agora são 15; pontos analisados que tinham classificação regular caíram de 50 para 37.

No entanto, a quantidade de rios de qualidade ruim subiu de 18 para 29. “Não é que aumentou o ruim. Tivemos a diminuição da quantidade de classificações péssima”, disse Gustavo Veronesi, um dos organizadores do levantamento.

Rio Paraíba do Sul, em Resende (Foto: Reprodução/TV Rio Sul)Rio Paraíba do Sul, em Resende, no trecho do Vale
do Paraíba fluminense (Foto: Reprodução/TV Rio Sul)

Água para o Sistema Cantareira
Na coletiva, a porta-voz da SOS Mata Atlântica comentou sobre a reunião entre o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e a presidente Dilma Rousseff, que debateu uma possível transposição do Rio Paraíba do Sul, que abastece o Rio de Janeiro e o Vale do Paraíba.

Alckmin se reuniu com Dilma em Brasília e pediu que a água do rio, que é interestadual, fosse despejada no Sistema Cantareira, que está em estado crítico devido à escassez das chuvas. A medida depende da autorização Agência Nacional de Águas (ANA).

Segundo Malu, o assunto da transposição já está em debate há 8 anos e é considerado um método arriscado para sanar o problema de falta de água. Para ela, isso “não deve ser discutido no gabinete da presidente, mas sim com os integrantes das bacias hidrográficas”.

Ela compara o risco de transpor o Paraíba do Sul ao que aconteceu quando a represa Billings foi criada. Segundo Malu, canais do Rio Tietê foram desviados para formar o reservatório, que ajuda na geração de energia da Baixada Santista, mas acabou “matando o Rio Pinheiros, que agora recebe muito esgoto”.

Guerra pela água
Toda essa discussão, segundo ela, faz com que o Brasil e a Região Metropolitana de São Paulo sejam vistos por organizações internacionais como um dos locais com alto potencial de conflito pelo uso da água. “Essa disputa entre Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo e Minas Gerais faz com que cada gota da água seja preciosa”, explica.

Sobre a viabilidade do projeto de transposição do Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira – que receberia investimentos para construção de canais e túneis para passagem da água – Malu Ribeiro disse que é preciso avaliar a viabilidade do projeto com um estudo de impacto ambiental.

Fonte G1

 
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Publicado por em 19 de março de 2014 em Tecnologia

 

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