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BNDES destina R$ 146,7 mi do Fundo Amazônia para ações em três estados

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai destinar R$ 146,7 milhões para três projetos de melhoria da gestão ambiental nos estados da Bahia, Rondônia e Pará, de modo a contribuir para o combate ao desmatamento e à degradação florestal.

Os recursos, não reembolsáveis e provenientes do Fundo Amazônia, apoiarão ações em pelo menos 313 municípios.

O apoio à Bahia, no valor de R$ 31,7 milhões, destina-se à implementação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e corresponde a 85% do total a ser investido pelo Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos da Bahia (Inema) no projeto, cujo interveniente é o governo estadual, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (SEMA).

O CAR é o registro eletrônico de informações espaciais georreferenciadas dos imóveis rurais, com delimitação das áreas de proteção permanente, reserva legal, remanescentes de vegetação nativa, área rural consolidada e áreas de interesse social e de utilidade pública. Seu objetivo é traçar um mapa digital, que serve como base para o diagnóstico ambiental.

A operação com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental (Sedam) de Rondônia, no valor de R$ 32,6 milhões, beneficiará 52 municípios, com ações voltadas para a proteção das unidades de conservação estadual e para a consolidação do CAR.

Denominado Programa Municípios Verdes (PMV), o projeto do governo do Pará, apoiado com R$ 82,4 milhões pelo Fundo Amazônia, tem como meta principal reduzir em 80% o desmatamento no Estado até 2020 com a compensação de novos desmatamentos, a partir de tal ano, visando o desmatamento líquido zero.

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Publicado por em 29 de maio de 2014 em Tecnologia

 

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Estudo denuncia como ‘praga’ corte ilegal de árvores na Amazônia do Peru

Imagem de satélite mostra desmatamento em parte da Amazônia no Peru devido à extração de ouro naquela região. (Foto: Divulgação/Nasa)Imagem de satélite mostra desmatamento em parte da Amazônia no Peru  (Foto: Divulgação/Nasa)

A política do governo do Peru para proteger as florestas do corte ilegal de madeira há 14 anos provocou, de forma indireta, um saque de recursos em larga escala, de acordo com estudo publicado na revista “Scientific Reports”.

Os pesquisadores do Centro de Direito Ambiental Internacional em Washington asseguram que o corte ilegal é uma “praga” na bacia do Rio Amazonas, paraíso da biodiversidade e de espécies de madeiras preciosas como o mogno e o cedro.

A legislação vigente no Peru faculta ao governo dar concessões de até 40 anos em terras públicas de 4.000 a 50.000 hectares. Estes contratos incluem condições: os madeireiros devem apresentar uma estratégia de corte de cinco anos, com um plano muito detalhado, que ano a ano identifica cada árvore a cortar mediante um sistema de localização por satélite (GPS).

Ilegalidade
Mas segundo a equipe chefiada por Matt Finer, ‘grande parte da madeira que sai da Amazônia peruana se obtém fora das áreas de concessão autorizadas’.

Os pesquisadores rastrearam dados oficiais e descobriram que, em setembro de 2013, as autoridades peruanas só tinham controlado 388 das 609 concessões madeireiras. Em mais de 68% dos casos estudados foram detectadas “grandes violações” da legislação.

As licenças de exploração foram revogadas em 181 casos. Mais da metade dos cortes ilegais registrados foram para cortar árvores em uma área fora da concessão ou para a extração ilegal de mogno e cedro. A verificação destes abusos por satélite confirma a fraude maciça.

A investigação critica o sistema de controle do governo peruano, que se baseia essencialmente em documentos e no controle portuário ao invés de chegar ao próprio local da concessão.

Estas conclusões deixam claro as dificuldades de se proteger as florestas tropicais, que capturam carbono, um dos objetivos da ONU para combater as mudanças climáticas.

Alguns observadores afirmam que a solução seria colocar as florestas sob o controle das populações locais, que poderiam fazer um acompanhamento mais confiável dos recursos.

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Publicado por em 30 de abril de 2014 em Tecnologia

 

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Nasa conclui que Amazônia absorve mais gás carbônico do que emite

 Árvore antiga é vista na Floresta Nacional do Tapajós; estudo da Nasa conclui que floresta amazônica absorve mais CO2 do que emite (Foto: NASA/JPL-Caltech) Árvore antiga é vista na Floresta Nacional do Tapajós; estudo da Nasa conclui que floresta amazônica absorve mais CO2 do que emite (Foto: NASA/JPL-Caltech)

Um estudo concluído pela Agência Espacial Americana (Nasa) resolveu um longo debate a respeito do papel da floresta amazônica em relação ao aquecimento global. Pesquisadores se perguntavam se a floresta seria capaz de absorver uma quantidade maior de dióxido de carbono (CO2) do que ela emite naturalmente. A resposta obtida pela pesquisa da Nasa divulgada nesta terça-feira (18) mostra que a Amazônia realmente ajuda a reduzir o aquecimento global.

O CO2 é um dos gases responsáveis pelo efeito estufa, que leva ao aumento da temperatura terrestre. Enquanto as árvores vivas absorvem o dióxido de carbono da atmosfera ao longo de seu crescimento, as árvores mortas devolvem o gás para a atmosfera no período de sua decomposição.

A hipótese de que a floresta estaria emitindo mais gás do que absorvendo surgiu na década de 1990, quando se descobriu que enormes áreas da floresta costumam morrer devido a intensas tempestades.

Antes do estudo da Nasa, medições desse balanço entre emissão e absorção do CO2 na floresta amazônica só tinham sido feitas em pequenas porções da floresta, o que tornava os resultados questionáveis.

Para este estudo, a Nasa combinou técnicas de análise de imagens de satélite, medidas coletadas no local e outras tecnologias. A pesquisa concluiu que a emissão total de dióxido de carbono pela floresta durante um ano é de 1,9 bilhões de toneladas. Já a absorção foi estimada por meio de medidas do crescimento da floresta em diferentes cenários. 

De acordo com a Nasa, em todos os cenários, a absorção de CO2 por árvores vivas superou a emissão por árvores mortas, indicando que o efeito geral da floresta é a absorção.

Floresta Amazônica (Foto: AFP)Floresta Amazônica (Foto: AFP)

Uma das estratégias que tornou o levantamento possível foi o desenvolvimento de técnicas para identificar árvores mortas em imagens de sensoriamento remoto. Nas imagens de satélite, por exemplo, as árvores mortas aparecem em cores diferentes em comparação às árvores vivas.

O estudo, publicado nesta terça-feira (18) na revista científica “Nature Communications”,  foi liderada pelo pesquisador Fernando Espírito-Santo, da Nasa, e contou com a colaboração de outros 21 pesquisadores de cinco países.

Fonte G1

 
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Publicado por em 20 de março de 2014 em Tecnologia

 

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Tartaruga da Amazônia corre risco de desaparecer em rio do Amapá

Apenas cinco pares de tartaruga da Amazônia foram encontrados em Oiapoque (Foto: Rubens Portal/Ibama)Apenas cinco pares de tartaruga da Amazônia foram encontrados em Oiapoque (Foto: Rubens Portal/Ibama)

Um levantamento do Instituto de Meio Ambiente (Ibama) no Amapá constatou que a espécie tartaruga da Amazônia (Podocnemis expansa) pode desaparecer do Rio Cassiporé, em Oiapoque, a 590 quilômetros de Macapá. O estudo, realizado em 2013, catalogou apenas cinco pares (macho e fêmea) de tartarugas. O número está muito abaixo do ideal para a sobrevivência estável do ciclo da cadeia reprodutiva, que seria de 200 pares do animal.

O levantamento faz parte do programa “Quelônios da Amazônia”, que visa promover em nove estados brasileiros a preservação de 18 espécies de quelônios. No Amapá, o projeto protege dez espécies desses animais.

Analista ambiental do Ibama, Rubens Portal (Foto: Abinoan Santiago/G1)Analista ambiental do Ibama, Rubens Portal
(Foto: Abinoan Santiago/G1)

Para especialistas, a pesca predatória somada à poluição do Rio Cassiporé, provocada pela atividade ilegal de garimpos no município de Oiapoque, são os causadores do desequilíbrio da cadeia da espécie.

“A tartaruga está sofrendo um risco muito grande e tende a desaparecer. Primeiro por causa da poluição do rio e depois pela pressão de consumo sobre o quelônio”, comentou o analista ambiental do Ibama Rubens Portal.

Projeto visa promover em nove estados brasileiros a preservação de 18 quelônios (Foto: Eliazar Bezerra/Ibama)Projeto visa promover em nove estados brasileiros a preservação de quelônios (Foto: Eliazar Bezerra/Ibama)

Para fomentar a reprodução da espécie em rios do Amapá, o Ibama estendeu o ‘Quelônios da Amazônia’ até a região do município de Oiapoque. A metodologia de preservação das espécies é baseada no uso de mecanismos considerados sustentáveis, como é o caso da transferência dos ovos depositados nas covas às margens dos rios para lugares mais altos, método chamado de ‘translocação’.

Ovos são transferidos da margem de rios a locais mais altos (Foto: Rubens Portal/Ibama)Ovos são transferidos da margem de rios para
locais mais altos (Foto: Rubens Portal/Ibama)

A transferência dos ovos tem o objetivo de proteger os ninhos de fatores ambientais e predatórios, como a incidência de inimigos naturais, principalmente de raposas e gaviões. Na Amazônia, a desova das tartarugas acontece entre os meses de agosto a dezembro.

No entanto para obter resultados no Rio Cassiporé, de acordo com o analista ambiental, seria necessário um longo período. Em Afuá, por exemplo, uma das áreas abrangidas pelo Ibama no Amapá, demorou 20 anos para conseguir estabilizar a cadeia da tartaruga da Amazônia. Nesse período, houve um aumento de 40 para mais de 1 mil pares da espécie.

Novas covas são criadas para promover incubação de filhotes de tartarugas (Foto: Eliazar Bezerra/Ibama)Covas são criadas para promover incubação de
filhotes de tartarugas (Foto: Eliazar Bezerra/Ibama)

No caso do Amapá, o tempo seria maior.  A demora é decorrência do índice de sobrevivência dos animais. Somente cerca de 10% da espécie consegue chegar à fase adulta, quando elas podem alcançar mais de 80 centímetros de comprimento e 60 quilos de peso.

“Partindo de cinco pares vamos precisar de algo em torno de 30 anos para chegarmos a 200 pares. Para isso, precisamos envolver o município, que também é responsável pela conservação do meio ambiente”, mensurou Rubens Portal.

Resultados
Nas demais áreas protegidas pelo programa ‘Quelônios da Amazônia’ no Amapá, segundo o Ibama, foram soltos mais de 1 milhão de quelônios entre 1979 e 2012. O número é o menor entre os estados abrangidos pela iniciativa. O maior saldo é do Pará, com 23 milhões de filhotes soltos em água doce durante o mesmo período.

A maior incidência de soltura realizada pelo Ibama do Amapá aconteceu na região do estado do Pará, no município de Afuá, com 600 mil tartarugas. Pracuúba a segunda maior soltura no período: 400 mil.

“Em 2013, soltamos mais 105 mil filhotes, sendo 104 de tartarugas da Amazônia e mais 1 mil de tracajás”, frisou o analista do Ibama Rubens Portal.

Em Afuá, no Pará, área protegida pelo Ibama do Amapá, foram soltos mais de 100 mil quelônios (Foto: Eliazar Bezerra/Ibama)Em Afuá, no Pará, área protegida pelo Ibama do Amapá, foram soltos mais de 100 mil quelônios (Foto: Eliazar Bezerra/Ibama)

A soltura acontece com conjunto com as populações que vivem às margens dos rios, chamadas de ribeirinhas. Essas comunidades são diretamente afetadas pelo fato de os animais incubados serem incorporados aos estoques naturais pré-existentes.

“No fim do ciclo de incubação, 90% soltamos com a equipe de especialistas, e 10% com a população como se fosse uma espécie de prestação de contas com a comunidade ribeirinha da região onde o projeto é desenvolvido”, concluiu o analista.

Fonte G1

 
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Publicado por em 13 de março de 2014 em Tecnologia

 

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Amazônia mais verde na seca é ilusão de ótica, diz estudo

A última edição da revista “Nature” tem dois artigos sobre a Amazônia. A maior floresta tropical do mundo é também tema da capa da publicação. Uma das pesquisas, liderada por Douglas Morton, da Nasa, aponta que o fenômeno observado em imagens de satélite em que a floresta fica mais verde em época de seca pode ser uma ilusão de ótica.

Trabalhos anteriores chamavam a atenção para essa aparente reação positiva da floresta durante a estiagem. Alguns deles concluíam que o fato de a floresta ficar mais verde quando dispunha de menos água poderia significar que, para a vegetação, ter mais exposição ao sol, com menos nuvens de chuva, era algo mais importante para o crescimento do que a umidade.

No entanto, segundo os autores, trata-se apenas de uma ilusão de ótica causada pela forma como as copas das árvores refletem a luz próxima à ao espectro infra-vermelho. A mata não está mais verde de fato. Essa conclusão corrobora outros estudos que defendem que a água é o principal fator para determinar o crescimento da floresta.

O segundo artigo sobre a Amazônia, que tem como autora principal a brasileira Luciana Vanni Gatti, do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), mostra que a disponibilidade de água influencia o quanto de carbono a floresta libera de carbono na atmosfera. Comparando medições de emissões de carbono de toda a região amazônica entre 2010, que foi extremamente seco, e 2011, que teve pluviosidade normal, os pesquisadores verificaram que, durante a estiagem, a floresta passou a liberar carbono em vez de retê-lo.

A Amazônia é considerada um importante “ralo” de carbono atmosférico – ou seja, pode absorver gases-estufa e mantê-los, contribuindo para manter o clima global –  mas falta compreender melhor o quão sensível é este sistema de retenção às variações meteorológicas. Em 2010, indica o estudo, a floresta amazônica diminuiu sua capacidade de crescimento por falta de água, e liberou mais carbono devido às queimadas.

Vista aérea da floresta amazônica (Foto: AFP)A água é um fator limitante da capacidade de crescimento da floresta amazônica  (Foto: AFP)

Fonte G1

 
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Publicado por em 8 de fevereiro de 2014 em Tecnologia

 

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Espécie de boto recém-descoberta na Amazônia está ameaçada

Espécie Inia aragualiaensis é encontrada no rio Araguaia (Foto: AP/Nicole Dutra, Universidade Federal do Amazonas)Espécie Inia aragualiaensis é encontrada no rio Araguaia (Foto: AP/Nicole Dutra, Universidade Federal do Amazonas)

Após quase um século sem notícias de novas espécies de botos no mundo, cientistas brasileiros descobriram uma na Amazônia que já está ameaçada de extinção pela ação do homem, disse nesta semana à Agência Efe o professor Tomas Hrbek, responsável pela pesquisa.

A espécie, descoberta no rio Araguaia (que nasce no Mato Grosso), tem mais de dois milhões de anos e os pesquisadores acreditam que provém da mesma família dos conhecidos como botos-cor-de-rosa, comuns nas águas do rio Amazonas, por isso durante séculos pensou-se que se tratava do mesmo tipo.

‘Após realizar alguns testes intuímos que os dois golfinhos (os do Amazonas e os do rio Araguaia) eram diferentes. Investigamos e fizemos análise em laboratório e reafirmamos dita conclusão em 2012’, disse Hrbek, professor da Universidade Federal do Amazonas, que recentemente publicou o estudo na revista científica internacional ‘PLoS One’.

Segundo o professor, trata-se do primeiro boto descoberto nos últimos 100 anos, quando os cientistas identificaram na China a espécie conhecida como Lipotes vexillifer, declarada extinta em 2008 após uma expedição em que não foram encontrados mais exemplares.

Hrbek teme que a nova espécie descoberta tenha o mesmo fim que o conhecido popularmente como boto branco chinês.

De acordo com o pesquisador, embora se necessitem mais estudos para falar de perigo de extinção, se trata de uma espécie ‘vulnerável’ que está sendo ameaçada pela presença de hidrelétricas na região e pelos cultivos agrícolas nas proximidades do rio, que aumentam os sedimentos e turvam a água.

‘Os resíduos das hidrelétricas mudam a migração, sua dinâmica, o que afeta os peixes e pode fazer com que os botos fiquem sem comida’, comentou Hrbek.

Segundo os acompanhamentos realizados até o momento pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), existem entre 600 e 1.500 exemplares da nova espécie de boto na região.

O estudo demonstrou que o boto, batizado cientificamente como Inia aragualiaensis, possui características morfológicas e moleculares diferentes às do boto-cor-de-rosa amazônico, reconhecidos por seus pequenos olhos e seu grande crânio.

‘As diferenças morfológicas são pequenas, por exemplo: as proporções do crânio são diferentes, os dentes são menores… O boto do Araguaia é um grupo isolado dos botos-cor-de-rosa’, disse o cientista, que acrescentou que a principal diferença é genética.

A espécie é uma grande atração turística no Amazonas, por seu temperamento afável e sua facilidade de trato com os humanos.

A visita constante de grupos de turistas superalimenta os animais, mas conseguiu reduzir sua caça, já que sua carne servia anteriormente de isca para a pesca em grande escala. EFE

Fonte G1

 
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Publicado por em 28 de janeiro de 2014 em Tecnologia

 

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Plantas da Amazônia são usadas na indústria de cosméticos e perfumes

A viagem em busca dos óleos da floresta começa em um dos cenários mais bonitos da Amazônia, no município de Santarém, no estado do Pará. O mercado municipal de Santarém funciona todos os dias e atrai milhares de compradores e comerciantes que chegam de todos os pontos da região. Por estar em um lugar estratégico, no encontro do rio Amazonas com o Tapajós, é um dos mais ricos e mais completos da Amazônia.

Entre os destaques do mercado estão também os óleos da floresta. Essa riqueza cultural permanece viva em toda a região. De uns anos pra cá, muitos desses produtos começaram a conquistar também compradores maiores. Indústrias utilizam os óleos como ingredientes para fabricação de perfumes, xampus, sabonetes, hidratantes.

A nova fase deu impulso a uma série de projetos que estão melhorando a qualidade de vida de milhares de famílias da região. No município de Manicoré, estado do Amazonas, uma comunidade rural trabalha com o óleo de copaíba. Formada por sítios pequenos, a comunidade de Lago do Atininga reúne 140 famílias de ribeirinhos.

A principal fonte de renda da comunidade é o extrativismo: o uso sustentável dos recursos da floresta. A atividade está crescendo nos últimos anos é extração do óleo de copaíba. A coleta ocorre o ano todo em lugares distantes, na mata.

A tarefa é difícil e, às vezes, até perigosa: entrar na floresta fechada em busca das copaibeiras – as árvores que produzem o óleo. Existem várias espécies no Brasil. Na Amazônia, a mais comum é a copaifera multijuga, também conhecida como copal e pau de óleo. Formado por muitas substâncias, o produto é eficiente no combate a germes. Por isso, entra na fabricação sabonetes, xampus, cremes, perfumes.

O manejo, feito com cuidado,não prejudica a saúde da árvore. Em cerca de um ano, a copaibeira recupera o mesmo volume de óleo. Com o serviço terminado, os produtores fecham o furo com um pedaço de madeira. Em um dia de floresta, eles exploram entre 15 e 20 copaibeiras.

Apesar de ser tradicional, a atividade só começou a ganhar fôlego nos últimos anos. Foi quando os ribeirinhos fundaram uma cooperativa e firmaram contrato com uma indústria de cosméticos, que passou a comprar o óleo de maneira regular. Atualmente, toda produção de óleo é levada para o galpão da cooperativa, em Manicoré. Assim que chega, o produto é pesado, coado e o pagamento é feito na hora, em dinheiro vivo.

O professor Lauro Barata faz parte de um grupo de cientistas que estudam a produção de óleos na Universidade Federal do Oeste do Pará, em Santarém. O trabalho engloba pesquisas botânicas, métodos de fabricação e o cultivo das espécies.

De todas as espécies da Amazônia, a mais estudada pela equipe do professor Barata é o pau-rosa. A árvore é nativa das áreas de mata fechada e quando adulta, pode chegar a 30 metros de altura. Com nome científico Aniba Rosaeodora Ducke, o pau-rosa é da família das lauráceas, parente dos louros e das canelas. Ao longo do século 20, a espécie foi muito explorada para produção de um óleo aromático, elaborado com a madeira triturada. O auge da atividade foi nos anos 60. Na época, os principais compradores da essência eram empresas estrangeiras de perfumes finos.

Com a redução das populações nativas, nos anos 80 e 90, a produção do óleo de pau-rosa diminuiu bastante. Nessa época, as leis ambientais se tornaram mais rígidas, a fiscalização aumentou e dezenas de destilarias fecharam as portas.

Atualmente, o pau-rosa faz parte de uma lista de espécies ameaçadas de extinção. O corte da árvore só é permitido com um plano de manejo sustentável, aprovado pelo Ibama. Nos últimos anos surgiu uma alternativa. Em diferentes lugares da Amazônia, cientistas começaram a estudar o plantio e o uso sustentável da espécie.

Um ponto chave é a produção ecológica do óleo, como conta o professor Barata, um dos pioneiros no assunto. “Nossa técnica é extrair o óleo das folhas. Você corta ramos e extraí numa dorna. A árvore não precisa ser abatida. Ao contrário, você poda uma vez por ano e você uma vez por ano uma fonte de riqueza.”

Uma propriedade no município de Maués, no estado do Amazonas, desenvolve um trabalho que se tornou referência. A família de Carlos Magaldi fabrica óleo de pau-rosa desde os anos 50, em uma usina que fica dentro do sítio. Até pouco tempo, o produto era todo extraído de troncos e galhos que vinham da floresta de áreas manejadas. No campo, as árvores crescem rapidamente. Com quatro anos de idade, o pau-rosa atinge porte e já pode receber a primeira poda. Os ramos cortados rebrotam com facilidade.

Na usina, folhas e ramos secos são triturados. O material sobe por esteiras e vai sendo empurrado em cilindros de metal, os alambiques. Na sequência, o óleo de pau-rosa é separado da água, coado e vai ficando mais claro. Em um ano, a usina produz cerca 2.500 kg de óleo. Tudo é vendido para empresas estrangeiras.

Por tudo isso, Carlos Magaldi acredita que a árvore nativa poderia ser cultivada por muito mais gente. “Eu particularmente vejo como uma alternativa muito viável da Amazônia. Pequenos produtores fazendo pequenos plantios de pau-rosa ou pequenas comunidades pelo seu baixo impacto, pela facilidade de manejo e que traz uma excelente rentabilidade pro produtor.”

Fonte G1

 
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Publicado por em 21 de janeiro de 2014 em Tecnologia

 

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