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Eddie Vedder encarna ‘tio gente fina’, faz piada e mostra voz potente em SP

14 maio

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O músico Eddie Vedder, ex-Pearl Jam, se apresenta nesta terça-feira (6) em São Paulo. (Foto: Flávio Moraes/G1)O músico Eddie Vedder, líder do Pearl Jam, se apresenta nesta terça-feira (6) em São Paulo. (Foto: Flávio Moraes/G1)

Um banquinho, um violão – e um skate e uma meia dúzia de piadas. Em sua estreia solo no país, Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, não se limitou à proposta alegadamente intimista de sua turnê sem a banda que o consagrou. No show da noite desta terça-feira (6) em São Paulo, usou a voz potente para cantar bem e também para zombar das próprias dificuldades com a língua portuguesa. E não teve vergonha de assumir o lado quase “tiozão do pavê”.

Primeiro, fez graça com uma fã que gritou “casa comigo!” (mesmo tendo entendido, insinuou ter escutado “dorme comigo!”). Depois, brincou com um outro ao dizer que o reconhecia de um filme pornô. Louvou ainda o cheiro da maconha (em termos gerais, não no Citibank Hall). Segundo a organização, todos os ingressos foram vendidos.

Durante 2 horas e 17 minutos, Vedder tocou cerca de 30 músicas, incluindo material de seus dois álbuns: “Into the wild” (2007) e “Ukelele songs” (2011). Mas ganhou o público sobretudo com aquelas que fazem parte do repertório do Pearl Jam – as versões aqui não superam as originais, mas servem para pôr em destaque a força do conservado cantor de 49 anos de idade. Excluído o instrumental denso da banda, resta o essencial: o timbre grave e intenso, sempre muito característico, e belas letras que comovem.

Entre as mais aplaudidas e acompanhadas em coro, estiveram “Better man” (com levada desnecessariamente modificada), “Porch” e “Elderly woman behind the counter in a small town”. Sintomaticamente, são todas do começo dos anos 1990, auge do grunge, movimento do qual o Pearl Jam e Vedder são expoentes.

Ao entrar em cena, sozinho, o músico acena para os fãs, que se levantam mas logo voltam às cadeiras. Ele pega um ukelele, instrumento que é parente havaiano do cavaquinho, e com ele fica por cinco músicas, até trocar por uma guitarra. O número de abertura é a cover “The moon song”, escrita por Karen O, do Yeah Yeah Yeahs. Ao longo da apresentação, virão outras versões, como “The needle and the damage done” (Neil Young), “Good woman” (Cat Power) e “I believe in miracles” (Ramones).

Eddie Vedder (Foto: Flavio Moraes / G1)Eddie Vedder (Foto: Flavio Moraes / G1)

Em português
A decoração “retrô” impõe um clima supostamente sério e de reverência ao ídolo: o palco tem gravador de rolo, umas malas antigas e fogueirinha cenográfica; o telão de fundo exibe ora edifícios antigos, ora um céu estrelado. Mas, depois da sétima música, quando já tinha tocado algumas de “Ukelele” e três do Pearl Jam (“Can’t keep”, “Sometimes” e “Immortality”, nenhuma muito ovacionada), o músico resolve que é hora de fazer o primeiro de seus discursos na língua nativa.

Lendo um papel, confessa com modéstia: “Como vocês podem ver, meu português é uma merda. Então, vou falar muito pouco hoje. Na próxima vez, vou para escola aprender seu bonito idioma”.

O populismo misturado à autoironia rendeu os aplausos mais intensos da noite até ali. E assim o Eddie Vedder arredio e de postura quase messiânica de duas décadas atrás cedeu lugar ao Eddie Vedder relaxado e disposto a rir de si próprio.

Meio atrapalhado, se enroscou num cabo da guitarra ao tirar a jaqueta. Depois, tentou agarrar uma camisa do Brasil que lhe jogaram, mas acabou deixando o presente cair. Também errou algumas introduções. E ninguém pareceu ligar. Numa passagem, apontou para a falsa fogueira e citou fumaça e maconha. Usando o termo “ganja”, afirmou: “Eu, pessoalmente, não fumo, mas aprecio as propriedades aromáticas”. Mais risos.

A descontração incentiva o público a fazer pedidos, que Vedder finge não entender. Ignora descaradamente (o efeito cômico é, de novo, positivo) a solicitação por alguns hits do Pearl Jam. Ouve gente clamar por “Black”, “Last kiss” e “Do the evolution” – faz que não é com ele. Mas aceita tocar “Crazy Mary”.

Uma hora depois de entrar em cena, vem “Porch”, e o cantor é, enfim, aplaudido de pé. Deixa o palco e volta rapidamente – com o skate. Faz um passeio sem muito conhecimento de causa, mas não chega a cair.

No bis, antes de “Sleepless nights” (uma antiga dos Everly Brothers), Vedder convoca o irlandês Glen Hansard, que tinha feito o bom show de abertura e agora irá participar de quatro números. A atração principal fala que o parceiro adora filmes de sexo explícito. Alguém do público berra: “Eu também!”. É a deixa para Vedder brincar que estava reconhecendo o fã por tê-lo visto em alguma produção do tipo.

E disto é feito o show: tiradas meio “apresentador engraçado de programa de entrevistas” aparecem de tempos em tempos, em meio a momentos típicos de rodinha sob as estrelas e em volta da fogueira. Entre uma coisa e outra, um Eddie Vedder menos tenso e mais acessível que o do passado. Disposto inclusive a tolerar que, na última música (“Hard sun”), boa parte da plateia fique de pé e filme tudo com celulares, desobedecendo a ordem da produção.

Nesta quarta-feira (7) e nesta quinta-feira (8), Eddie Vedder toca novamente em São Paulo. Depois, vai para o Rio, onde se apresenta no domingo (11) e na segunda-feira (12).

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Publicado por em 14 de maio de 2014 em Música

 

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