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Autora de falsas memórias do Holocausto deve pagar R$ 50 milhões

14 maio

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Capa de 'Misha: A mémoire of the Holocaust years' (Foto: Divulgação)Capa de ‘Misha: A mémoire of the Holocaust
years’ (Foto: Divulgação)

A escritora de um best-seller baseado em falsas memórias sobre o Holocausto foi condenada por um tribunal dos Estados Unidos a devolver US$ 22,5 milhões, o equivalente a quase R$ 50 milhões, a sua editora.

A autora em questão é a belga Misha Defonseca, autora do livro “Misha: A mémoire of the Holocaust years” (Misha: memórias dos anos do Holocausto, na tradução literal), publicado em 1997.

O livro conta a história – supostamente verdadeira – de uma menina judia que, entre outras coisas, foi criada por lobos e matou um soldado nazista durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A decisão do tribunal de apelação de Massachusetts foi emitida no último 29 de abril e leva a assinatura do juiz Marc Kantrowicz, segundo uma cópia do documento publicada no Courthouse News Service.

A autobiografia de Misha Defonseca, que na verdade se chama Monique de Wael, tornou-se um sucesso instantâneo na Europa e foi traduzida em mais de vinte línguas. Em 2007, a obra ganhou uma adaptação para o cinema, “Sobrevivendo com lobos”.

Em fevereiro de 2008, Defonseca admitiu que muitas das coisas escritas eram falsas, começando pelo fato de que não era judia e de que nunca havia deixado sua casa na Bélgica durante a guerra. Ela se justificou garantindo que esta foi sua forma de sobreviver à tragédia vivida à época.

“Este livro, esta história, é minha. Não é a realidade real, mas foi a minha realidade, minha maneira de sobreviver”, afirmou a escritora em 2008.

A saga judicial nos Estados Unidos começou com um processo aberto pela própria Defonseca e por uma pessoa que deveria ajudá-la a escrever a versão em inglês, Vera Lee, que denunciaram a editora Mt. Ivy Press L.P por quebra de contrato.

Um primeiro parecer favorável à Defonseca e Lee deu US$ 22,5 milhões à belga (R$ 49,93 milhões) e US$ 9,9 milhões (R$ 27,97 milhões) a Lee.

Mas a derrota judicial levou Jane Daniel, presidente da editora, a buscar evidências de fraude na história, da qual muitos já tinham duvidado.

Após a apelação da editora, o caso passou à segunda instância, onde a sentença em favor de Defonseca foi revertida e anulada.

A escritora recorreu ao tribunal de apelação, que resolveu manter a decisão de anular a primeira sentença.

“Este caso é único. A falsidade da história é indiscutível”, avaliou o juiz Kantrowitz em sua sentença de 29 de abril.

“Não opinamos sobre se é ‘razoável’ a crença de Defonseca na veracidade de sua história”, informou o juiz, alegando que “a introdução da evidência dos fatos atuais de sua história no processo poderia ter feito uma diferença significativa nas deliberações do júri”.

“Esperamos que agora a saga tenha chegado ao fim”, conclui a sentença de nove páginas.

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Publicado por em 14 de maio de 2014 em Brasil

 

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