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Área de árvore incendiada no AM deve levar 300 anos para se recuperar

10 maio

Árvore de cerca de 35 metros de altura e 500 anos de vida foi destruída pelas chamas (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)Árvore de cerca de 35 metros de altura e 500 anos de vida foi destruída pelas chamas (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)

Trezentos anos. Esse é o tempo que a área degradada pelo incêndio de uma árvore centenária na Reserva Florestal Adolfo Ducke (RFAD), em Manaus, precisa para se recuperar dos prejuízos causados pelo fogo à vegetação do local. A estimativa é do botânico do Museu da Amazônia (Musa), Mário Fernandez. A árvore de cerca de 45 metros de comprimento e 500 anos de vida foi destruída pelas chamas supostamente durante um ritual religioso realizado na madrugada de sábado (3).

Da espécie Angelim-pedra, a árvore foi encontrada com a parte interna do tronco em chamas. Uma equipe do Corpo de Bombeiros apagou o fogo na parte externa, no sábado (3), mas não conseguiu conter focos no interior do tronco. Na manhã desta segunda-feira (5), equipes ainda estavam no local para conter focos de brasa na estrutura da árvore e impedir que o fogo voltasse a se alastrar.

Funcionários da reserva florestal suspeitam que árvore foi queimada durante ritual de magia negra (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)Funcionários da reserva florestal suspeitam que
árvore foi queimada durante ritual de magia negra
(Foto: Adneison Severiano/G1 AM)

Na avaliação do botânico do Musa, a área da reserva afetada com o incêndio da árvore vai precisar de, pelo menos, 20 anos para se regenerar inicialmente a partir das plantas de recomposição. Ele estima que o local deve voltar a ter a mesma vegetação de antes do incêndio no período de cem a 300 anos. “A árvore sozinha já é um ecossistema. Uma desse porte tem outros seres vivos que dependem dela, como plantas parasitas e não-parasistas, além de animais que utilizavam da estrutura da árvore, como as aranhas. Assim, a perda é maior. Essa árvore fazia sombra para várias plantas ao redor. Nos próximos 30 dias haverá mortalidade de plantas nessa área por causa do excesso de luminosidade que vai entrar na área. Algumas plantas não vão resistir”, disse. Esse é o primeiro caso do tipo registrado no Amazonas, segundo Mário Fernandez.

Ainda de acordo com o botânico, a árvore poderia chegar a mais de mil anos de vida. “É possível que a idade seja maior que 500 anos. Ficou difícil fazer a verificação de idade, porque os anéis de crescimento foram queimados, o que impossibilita algum especialista estimar precisamente a idade dela, isso acaba atrapalhando a verificação. Uma árvore dessa espécie chega a ter um tempo de vida de mais de mil anos”, informou.

Inicialmente, funcionários do Musa estimavam que a árvore tivesse cerca de 35 metros de altura. Após a árvore tombar no domingo (4), uma nova avaliação da espécie apontou que a árvore destruída tem cinco metros de circunferência, 45 metros de comprimento, incluindo galhos. São 25 metros somente de tronco.

Botânico fez avaliação do local após o incêndio da árvore (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)Botânico fez avaliação do local após o incêndio da árvore (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)


Entenda o caso
A centenária árvore da espécie Angelim-pedra foi encontrada com a parte interna do tronco em chamas. Uma equipe do Corpo de Bombeiros apagou o fogo na parte externa, mas não conseguiu conter  focos no interior do tronco. Velas coloridas e alimentos foram encontrados no local.

O Corpo de Bombeiros foi acionado logo após a descoberta da árvore em chamas. Uma equipe da corporação apagou o fogo. Entretanto, no fim da tarde de sábado, o G1 esteve no local e constatou que ainda havia focos de fumaça e brasas no interior do tronco. “O âmago da árvore continuou sendo consumido pela brasa mesmo após a intervenção dos bombeiros. É lamentável, mas a árvore não sobreviverá e o risco agora é que ela continue queimando, atingindo as demais árvores da mata”, explicou a monitora do Musa, Larissa Rodrigues, na ocasião.

A Reserva Florestal Adolpho Ducke tem uma área de aproximadamente 10 mil hectares. O local tem igarapés e trilhas em meio à mata fechada. A RFAD é administrada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Duas empresas terceirizadas são responsáveis pela segurança da reserva. Porém, há apenas três vigilantes na área, sendo um na guarita da reserva, um no Posto Sabiá 1 e outro segurança no Posto Sabiá 3.

Angelim Pedra foi completamente consumido pelas chamas (Foto: Marcos Dantas/G1 AM)Angelim Pedra foi completamente consumido pelas chamas (Foto: Marcos Dantas/G1 AM)

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Publicado por em 10 de maio de 2014 em Tecnologia

 

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