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Brasiguaios impedem demarcação de áreas para sem-terra no Paraguai

26 mar

Grupo de agricultores deve permanecer acampado no local para impedir que técnicos do Indert tenham acesso à Colônia Santa Luzia (Foto: Wilson Ferreira / Arquivo Pessoal)Grupo de agricultores deve permanecer acampado no local para impedir que técnicos do Indert tenham acesso à Colônia Santa Luzia (Foto: Wilson Ferreira / Arquivo Pessoal)

Fazendeiros brasileiros e paraguaios que vivem em Minga Porã, distrito de Itakyry, no Paraguai, a cerca de 120 km da fronteira com Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, impediram nesta segunda-feira (24) que técnicos do Instituto de Desenvolvimento Rural e da Terra (Indert), acompanhados da Polícia Nacional, entrassem na área conhecida como Colônia Santa Luzia para uma nova demarcação. Cerca de 200 agricultores permanecem acampados no acesso para impedir a entrada dos técnicos. O governo paraguaio pretende transferir para a região 540 famílias de sem-terra que atualmente vivem em Ñacunday.

Palco de uma disputa por terra que se estende há cerca de 15 anos, grande parte da área de Ñacunday, a 80 km da fronteira, pertence ao brasileiro Tranquilo Favero, o maior produtor de soja do Paraguai. As constantes invasões e as disputas na Justiça levaram o governo paraguaio a decidir pela transferência dos chamados ‘campesinos’ para a região de Itakyry, outra área também em disputa. Inicialmente serão 100 famílias, que aguardam a medição dos lotes e a ordem para a ocupação.

De acordo com o Indert, dos 4.150 hectares que compreendem a colônia, apenas 900 hectares teriam títulos de proriedade, o restante estaria sendo ocupado ilegalmente por agricultores para o cultivo extensivo de soja e milho. Diante da resistência dos produtores, foi preciso deflagrar, no dia 11 de março, uma operação para a recuperação das terras. Desde então, grupos que se dizem donos das áreas fazem protestos na região e comitivas tentam, sem sucesso, acordos com o governo na capital Assunção.

Filho de brasileiros, o paraguaio Carlos Gurgel, de 29 anos, é um dos produtores ameaçados pela decisão do governo paraguaio. “Das cerca de 180 famílias que vivem aqui, umas 60 têm os títulos das terras, o restante tem os documentos de negociação como o recibo de compra, como eu. Comprei as terras do próprio Indert em 2003 e desde então tento conseguir o título definitivo, mas sempre tem algum problema e a documentação não sai”, disse ao G1 ao reforçar que os agricultores não vão entregar as propriedades para o governo.

Em nota publicada depois de receber a comitiva de produtores da colônia, o presidente do Indert, Justo Cárdenas, afirma que todas as ações estão sendo feitas respeitando aqueles que possuem o título das terras. “Todos os títulos que foram expedidos pelo Indert e que estão inscritos nos Registros Públicos, vamos respeitar em um sinal claro de que estamos promovendo o Estado de Direito e o respeito à propriedade privada”, destacou. “Esta é a nossa linha de trabalho e não mudamos de opinião nem de parecer desde o início deste processo”, reiterou.

Fonte G1

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Publicado por em 26 de março de 2014 em Brasil

 

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