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Pesquisador de uma nova espécie de anta diz que estudos continuam

21 jan

A nova espécie foi reconhecida oficialmente em 2013, mas estudos eram realizados há mais de 10 anos. (Foto: Suzi Rocha/G1)A nova espécie foi reconhecida oficialmente em 2013, mas estudos eram realizados há mais de 10 anos. (Foto: Samuel Nienow/Arquivo Pessoal)

O autor principal do estudo que descobriu a ‘anta pretinha’ – como popularmente é chamada a Tapirus Kabomani – Mário Cozzuol, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), diz que as pesquisas devem continuar. “Não temos registros dessa espécie onde há somente floresta. Por isso, os estudos continuam”, diz o pesquisador. A nova espécie encontrada na divisa dos estados de Rondônia e Amazonas é de grande porte, podendo chegar a 120 quilos.

O fato é considerado, no campo da zoologia, o mais importante do ano de 2013 por se tratar da primeira nova espécie da ordem Perissodactyla – grupo de antas, cavalos, zebras e rinocerontes – encontrada nos últimos 150 anos. A descoberta foi reconhecida em dezembro pelo Journal of Mammalogy.

A pesquisa começou em 2002, quando Cozzuol era professor da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e iniciou, em parceria com a aluna de iniciação científica, Elizete Holanda, um estudo sobre a coleção de crânios de Tapirus (antas), pertencentes ao laboratório de pesquisa da Unir. Durante os estudos, um dos crânios chamou a atenção, devido ao seu tamanho – menor que o comum e aparentando ser de uma anta jovem, mas que já tinha todos os dentes molares nascidos e com coroas bem desgastadas – o que levou a dupla a concluir que era um animal não tão jovem, mas de tamanho inferior.

Para comprovar a existência da nova espécie, a ciência exigia mais amostras de crânio e de tecidos e, para isso, os pesquisadores contaram com o apoio dos índios karitianas, que vivem em uma aldeia localizada na BR-364. As descrições feitas pelos indígenas eram semelhantes entre si. Segundo os pesquisadores, os índios relataram a existência de dois tipos de anta – a ‘Rosilha’ – conhecida como ‘anta brasileira’ – e a ‘Pretinha’. Essas descrições foram determinantes para o surgimento da hipótese de se tratar de uma espécie ainda não descrita pela ciência.

O biólogo Samuel Nienow, na época aluno de Mário Cozzuol, afirma que foram necessárias análises genéticas para se chegar a uma evidência mais forte, e que para isso um professor foi convidado para analisar a raiz do dente do crânio. “A primeira tentativa de identificação genética não teve sucesso por não se tratar de um material genético fresco”, disse Nienow. Ainda assim, o professor Cozzuol percebeu que se tratava de uma espécie similar à chamada ‘anta brasileira’, a Tapirus Terrestris, porém com algumas diferenças.

Não podíamos ficar apenas no relato da comunidade local. Todos já sabiam da existência dessa anta, nós precisávamos provar”Mário Cozzuol, autor principal do estudo

Oito autores de áreas distintas colaboraram com a pesquisa e, segundo Cozzuol, todos foram imprescindíveis para o resultado. “No começo achávamos que era excesso de descrição da comunidade local, e pensávamos se tratar de uma variação da espécie de anta já conhecida”, diz Cozzuol. As pesquisas ainda continuam. “Não podíamos ficar apenas no relato da comunidade local. Todos já sabiam da existência dessa anta, nós precisávamos provar”, enfatiza o professor.

Características
A nova espécie, segundo a pesquisa, apresenta patas mais curtas, além de tamanho e peso menores do que a ‘anta brasileira’, e apresenta uma crista menos proeminente. A coloração dela é mais escura quando comparada à ‘anta brasileira’, sendo por isso chamada de ‘anta pretinha’ por algumas comunidades amazônicas.

De acordo com os pesquisadores, a anta pretinha já havia sido caçada no norte do Mato Grosso, no início do século XX. O animal capturado, à época, faz parte da coleção do Museu Americano de História Natural, em Nova York, nos Estados Unidos. “Uma publicação descreve o animal da mesma forma que o descrevemos agora, mas ele foi considerado uma variação da anta já descrita e não uma nova espécie”, explica Cozzuol.

Ainda não é possível registrar quantos animais vivem na região, mas sabe-se que a anta pretinha já foi vista na Amazônia Colombiana, no Acre e na Bolívia. Há também relatos da existência no Pará e Amapá. O habitat preferido da anta é onde acontece, simultaneamente, áreas abertas e florestas. “Não temos registros dessa espécie onde há somente floresta. Por isso, os estudos continuam”, fiz Cozzuol que ressalta que os estudos pretendem identificar as afinidades ecológicas, ambientes, alimentação, dentre outras coisas.

Fonte G1

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Publicado por em 21 de janeiro de 2014 em Tecnologia

 

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