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Pesquisas apontam as diferenças entre o açaí produzido no AM e no PA

09 out

A reportagem especial que marca os 13 anos das edições diárias do Globo Rural traz o melhoramento genético do açaí. Há diferenças entre o fruto das palmeiras do Pará e do Amazonas.

A voadeira, uma canoa com motor na popa, navega pelo Rio Solimões em direção às comunidades da região de Manacapuru, no centro-leste do Amazonas, onde há moradores que vivem da extração do açaí. A palmeira que predomina na região é chamada de açaí do Amazonas ou açaí solteiro. A planta da espécie euterpe precatoria é caracterizada por possuir uma única estipe, que é como os pesquisadores chamam o caule.

Alguns frutos caem naturalmente pelo caminho durante o transporte. Sem perceber, os coletores semeiam pés de açaí pela floresta. As mudas que não foram plantadas crescem ao acaso e contribuem para o aumento da quantidade de açaizeiros justamente em áreas aonde há extração do fruto. Os pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em Manaus, tentam esclarecer as dúvidas dos produtores. O instituto realiza estudos com o objetivo de conhecer melhor a espécie para buscar o aumento da produtividade.

“Eu coleto populações de açaí ao longo do Rio Solimões e vou comparar a genética dessas populações. Essa é a primeira informação a ser gerada para o melhoramento genético. É muito diferente do açaí do Pará”, diz a Poliana Perrut, pesquisadora do INPA.

Na Ilha do Combu, no Pará, é possível encontrar o açai do pará, um tipo de palmeira da espécie euterpe olerácea que não há no Amazonas. A principal característica dos açaizais das regiões de várzea é o que os especialistas chamam de perfilhamento ou brotação. O estipe da palmeira, como é chamado o tronco dessa espécie, multiplica-se rapidamente e dá origem a vários outros estipes na mesma planta.

“Uma característica da palmeira açaí é a presença nesse tipo de solo úmido, solo úmido, hidromófico alagado. A presença de água e a quantidade de matéria orgânica que aqui existe faz com que várias bactérias se associem ao sistema radicular da palmeira formando esse conjunto de bactérias que vão ajudar na oxigenação da planta. Por esse motivo ela cresce intensivamente”, diz o engenheiro florestal Mário Augusto Jardim.

O extrativista Rosivaldo Quaresma, que pertence a uma família de extrativistas no Combu, usa com habilidade a peconha, espécie de corda feita com cordas da palmeira que fica presa aos pés e apoiada no tronco. A peçonha é utilizada facilitar a subida aos cachos. Ele faz a colheita de açaí preto e de açaí branco, que na verdade fica verde quando está maduro. Os açaizeiros rendem 4,5 mil frutos por cacho, também chamado de touceira.

Com tantas palmeiras brotando de uma mesma planta, Rosivaldo Quaresma não tem motivos para reclamar nem na entressafra, período em que extrai o palmito da parte mais alta e nova do açaizeiro. Com um facão, ele corta o caule até chegar a um ingrediente usado em várias receitas. “A gente derruba os palmitos da adulta e os perfilhos ficam dando fruto pra poder continuar a colheita”, diz.

Há 30 anos, a Embrapa realiza estudos de domesticação do açaí do Pará. As pesquisas resultaram em um banco de germoplasma que tem mais de 800 mudas de açaí plantadas numa área de terra firme, em Belém. Depois, foram selecionadas 25 plantas de elite, que deram mais frutos e de melhor qualidade. Os estudos da formação e do material genético da planta melhoraram a produção das sementes, que deram origem a outras duas plantações de açaí.

Os resultados já começaram a surgir. As palmeiras já estão frutificando precocemente, ou seja, um ano e meio mais cedo do que os açaizeiros encontrados na floresta. O próximo passo é verificar em laboratório se esses frutos têm mais polpa e mais antocianina, um corante natural muito benéfico à saúde.

Fonte G1

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Publicado por em 9 de outubro de 2013 em Tecnologia

 

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