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Pesquisador do Sul de Minas trabalha para construir ‘nova internet’

08 out

Projeto Nova Gênesis nasceu no Inatel em Santa Rita do Sapucaí (Foto: Renan Barbosa)Projeto Nova Gênesis nasceu no Inatel em Santa
Rita do Sapucaí (Foto: Renan Barbosa)

A internet provocou uma revolução na forma com que as pessoas se comunicam em todo o mundo. A rede mundial de computadores transformou o planeta em uma grande aldeia global, onde informações em forma de texto, vídeo ou foto, circulam livremente em questão de segundos. No entanto, quase duas décadas após a internet começar a ser difundida e virar o fenômeno que conhecemos hoje, pesquisadores trabalham para desenvolver do ponto zero uma nova rede capaz de substituir a atual.

Um dos projetos em andamento vem do Sul de Minas, de Santa Rita do Sapucaí (MG). Um pesquisador do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) trabalha no desenvolvimento de uma nova internet mais rápida e mais segura. O projeto, apelidado de “NovaGenesis”, significado de “Novo Começo”, promete trazer ao usuário comum possibilidades ainda não vistas. No novo ambiente virtual, seria possível por exemplo conectar sua casa e seus eletrodomésticos para que eles possam ser gerenciados pela rede, ou então, estimular os cinco sentidos humanos à distância.

“A comunicação máquina com máquina vai superar a comunicação humana”

“A ‘NovaGenesis’ terá um sistema sensorial com base nos cinco sentidos. A tendência é de que cada vez mais coisas do mundo real sejam ligadas à internet. A tendência para o futuro, inclusive, é de que todos nós estejamos conectados à internet. Não existe limite do que poderá estar na rede. A comunicação máquina com máquina vai superar a comunicação humana, com a possibilidade de inteligência artificial. O computador pode, por exemplo, organizar sozinho o seu arquivo de vídeo, fotos e de músicas, já sabendo da sua preferência. O computador vai gerenciar o conteúdo para o usuário, como um piloto automático”, diz Antônio Marcos Alberti, professor e pesquisador do Inatel.

A ideia de se projetar uma nova internet brasileira que possa ser usada em todo o mundo começou há cerca de 5 anos.

O professor e pesquisador Antônio Marques Alberti desenvolve a "nova internet" (Foto: Lucas Soares / G1)O professor e pesquisador Antônio Marques Alberti desenvolve a “nova internet” (Foto: Lucas Soares / G1)

“Passei a buscar novas ideias, da necessidade de uma nova internet a partir de 2008. A partir de 2010 peguei uma folha em branco e comecei a pensar como seria uma nova rede do zero”, conta o pesquisador

No final de 2011, através de um programa de pós-graduação oferecido pelo Inatel, o pesquisador conseguiu uma parceria com uma universidade da Coreia do Sul que desenvolvia um projeto parecido. Aliando a ideia brasileira ao que já havia sido estudado do outro lado do mundo, o professor conseguiu conectar a “NovaGenesis” em duas universidades sul-coreanas. Os resultados desta experiência foram trazidos para o prosseguimento do projeto no Brasil. Entre os quesitos testados, está a segurança do usuário comum.

“A nova rede está sendo reprojetada desde o início. Na época em que a internet convencional foi concebida, não havia tanta preocupação com segurança, os equipamentos que existiam tinham memórias precárias. O que estamos fazendo é reprojetar para que esta rede possa ser segura desde o começo, adicionando novos mecanismos neste processo. Novos algoritmos estão sendo criados para que a segurança seja reforçada desde o início. Mesmo os hackers terão maior dificuldade de invasões, já que rastros que podem ser deixados na internet atual estarão mais difíceis de ser acessados. No entanto, é preciso ressaltar que não existe internet 100% segura”, diz Alberti.

A Nova Gênesis terá nomes auto-certificáveis para que as máquinas se comuniquem substituindo o IP (Foto: Lucas Soares / G1)A Nova Gênesis terá nomes auto-certificáveis para que as máquinas se comuniquem substituindo o IP (Foto: Lucas Soares / G1)

Outro detalhe é que o TCP-IP, protocolo que baseia a troca de informações da internet, deixaria de existir na “NovaGenesis”. Ao contrário do que acontece hoje, quando todos os computadores possuem um IP, como se fosse uma identidade na rede, na “NovaGenesis” eles se concentrariam em nomes.

“Nós já chegamos ao limite do Fusca Convencional? Não, você pode melhorá-lo, adicionando acessórios, etc. A Nova Gênesis é um novo Fusca, com novos equipamentos, mais seguro, mais rápido desde a fábrica, com tudo o que um Fusca convencional não oferece”

“Isso trará uma maior flexibilidade e auto-organização. A ‘NovaGenesis’ terá nomes auto-certificáveis para que as máquinas possam se comunicar substituindo o IP. Ele vai propiciar uma evolução dentro do próprio sistema, como se fosse um ecossistema digital, em que a evolução acontece dentro dele mesmo”, diz o pesquisador.

Embora ousado, o projeto da “Nova Genesis” continua sendo desenvolvido apenas com recursos do Inatel. Não há investimento por parte de governos ou de parceiros interessados.

“Os experimentos na Coreia do Sul provaram que várias técnicas novas funcionam. Se o projeto tiver sucesso e várias pessoas usarem, ele pode se dissipar. No entanto, não há como prever, não há como fazer um teste em escala global. Se fosse para compararmos a ‘NovaGenesis’ com a internet atual eu diria o seguinte: nós já chegamos ao limite do Fusca Convencional? Não, você pode melhorá-lo, adicionando acessórios, etc. A ‘NovaGenesis’ é um novo Fusca, com novos equipamentos, mais seguro, mais rápido desde a fábrica, com tudo o que um Fusca convencional não oferece”, completa o pesquisador.

A nova rede, testada em março deste ano na Coreia, deverá ter a segunda versão finalizada no ano que vem. Ainda não há uma previsão de quando ela será testada entre universidades brasileiras.

Ao lado do ajudante, o pesquisador desenvolve a "nova internet" no Inatel (Foto: Lucas Soares / G1)Ao lado do ajudante, o pesquisador desenvolve a “nova internet” no Inatel (Foto: Lucas Soares / G1)

O começo de tudo
A internet como conhecemos hoje surgiu primeiramente no meio militar. Em 1956, o lançamento do primeiro satélite artificial na órbita da Terra, o Sputnik 1, pela União Soviética, teve como consequência a criação por parte dos Estados Unidos da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada (Darpa, na sigla em inglês), que tinha como objetivo resgatar a liderança tecnológica perdida para os soviéticos durante a Guerra Fria. Os estudos conduzidos nesta agência levaram à criação da Arpanet, uma das primeiras redes da história, que conectou computadores de laboratórios de universidades americanas.

Em 1985, entrou em operação a primeira rede de grande extensão baseada no TCP/IP, protocolo de troca de informações utilizado como base da internet até os dias de hoje. A ligação era baseada em um conjunto de redes universitárias interconectadas a 56 kilobits por segundo (kbps). Antes restrita somente ao ambiente de pesquisa, a abertura da rede para interesses comerciais começou a se tornar realidade nos Estados Unidos em 1988 e a popularização da rede só aconteceria no início da década de 1990. A adesão de universidades, colégios e empresas com o intuito de troca de informações fez com que a internet se desenvolvesse e se transformasse no fenômeno que é hoje.

Objetivo da Nova Gênesis é levar ao usuário possibilidades ainda não vistas (Foto: Lucas Soares / G1)Objetivo da ‘NovaGenesis’ é levar ao usuário possibilidades ainda não vistas (Foto: Lucas Soares / G1)

No Brasil, o Comitê Gestor de Internet foi criado em 1995. No mesmo ano, começam a surgir os primeiros sites de empresas no país. Em 1996, o cantor Gilberto Gil lançou uma música pela internet e em 1997, a Receita Federal disponibilizou pela primeira vez a possibilidade do contribuinte entregar a declaração do Imposto de Renda pela rede.

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1 comentário

Publicado por em 8 de outubro de 2013 em Tecnologia

 

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Uma resposta para “Pesquisador do Sul de Minas trabalha para construir ‘nova internet’

  1. Guilherme Lopes

    8 de outubro de 2013 at 15:00

    Republicou isso em TI e Tendências Web.

     

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