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Sites de namoro não são tão científicos quanto dizem, alertam pesquisadores

04 mar

Os usuários correm para os sites de relacionamento em números cada vez maiores, mas apesar de seus anúncios publicitários, serviços como Match.com e eHarmony talvez não ofereçam potenciais parceiros(as) por meio de métodos científicos rigorosos, afirma um grupo de psicólogos e sociólogos da Universidade de Rochester.

“As companhias não tornaram seus algoritmos (para encontrar parceiros potenciais) para o público, nem para as autoridades reguladoras. Ninguém sabe como são esses algoritmos˜, afirmou o professor de psicologia da universidade, Harry Reis. “É certamente possível que eles tenham alguma fórmula mágica que ninguém nunca viu que possa realmente ser eficiente. No entanto, não há evidências sobre isso.”

Reis e outros psicólogos e sociólogos publicaram um extenso review de estudos científicos que foram realizados na última década sobre namoro online, que será publicado na edição de fevereiro da revista Psychological Science in the Public Interest. Encomendado pela Associação de Ciência Psicológica, o estudo revisa e resume mais de 400 estudos psicológicos e pesquisas de interesse público que foram realizados sobre o assunto.

Os próprios sites apontam o sucesso estatístico dos seus serviços, mesmo se recusando a revelar os algoritmos proprietários de combinação que levam ao seu sucesso. Como outros serviços da Internet – como a Google – os sites de namoro online guardam muito bem seus algoritmos como verdadeiros segredos. Mas tanto sigilo deveria evitar que eles fizessem afirmações de eficiência científica, alegam os pesquisadores.

“Os sites de relacionamento/namoro estão rapidamente tornando-se uma das principais maneiras pelas quais as pessoas conhecem seus parceiros(as). Está crescendo de modo muito rápido”, afirma Reis. “As pessoas sempre tentaram ajudar as outras a conseguirem namorados e namoradas. Por isso, as práticas que muitos sites adotam são apenas versões modernas do que está acontecendo desde tempos imemoráveis.”

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Ao longo dos últimos 10 anos, os sites de namoro online tornaram-se a segunda maneira mais popular para se conhecer parceiros, superado apenas pelo encontro por meio de amigos, descobriram os pesquisadores. No início dos anos 1990, menos de 1% da população se conhecia por meio de serviços comerciais de namoro, incluindo anúncios pessoais impressos. Na época, ainda havia um estigma quanto a essa prática, notam os autores do estudo.

Atualmente, esse estigma já desapareceu em grande parte. Em 2005, 37% dos americanos(as) adultos solteiros haviam saído com alguém que tinham conhecido online. E em 2009, 22% dos casais heterossexuais e 61% dos casais do mesmo sexo haviam encontrado seus parceiros pela web.

Os sites de namoro online fornecem a conveniência – e a diversão – de se examinar uma lista de potenciais pretendentes, verificando dezenas deles em poucos minutos. Mas os pesquisadores alertam que essa abordagem possui algumas limitações. As pessoas ficaram condicionadas a uma mentalidade de compra, em que podem apenas escolher os recursos desejados a partir de uma lista.

“A amplitude de escolhas pode ser algo positivo, ao dar para as pessoas muito mais opções de uma maneira muito eficiente em termos de tempo”, diz Reis. “Mas também pode encorajar uma mentalidade em que a pessoa olha para uma lista de possíveis parceiros da mesma maneira que olharia uma relação de livros na Amazon. E geralmente esse tipo de abordagem não é útil.”

Um aspecto dos serviços online de namoro que os pesquisadores destacaram foi a frequência com que eles sugeriam em suas anúncios e materiais promocionais que sua habilidade de encontrar parceiros e parceiras para os usuários é baseada em algoritmos científicos. O site eHarmony, por exemplo, alega `combinar` os candidatos usando `29 dimensões de compatibilidade`, juntando as pessoas por fatores como energia emocional, adaptabilidade, paixão romântica e outros fatores.

Os pesquisadores não destacaram especificamente o eHarmony no estudo, “mas ele é certamente o site que faz as alegações mais fortes sobre possuir uma base científica para os algoritmos que utiliza”, explica Reis. “Presumo que o site faça uma ciência real ao desenvolver seu algoritmo, mas nunca tornaram seu trabalho disponível para a comunidade científica, por isso ninguém sabe o que realmente há nele. Em outras palavras, o eHarmony “vende” seu serviço com a legitimidade científica, mas nunca passaram por uma revisão científica padrão para ser verificado válido cientificamente.

Em vez da pesquisa publicada, os sites podem postar pesquisas em seus próprios sites, não esclarecendo os método de estudo e coleta de dados. “Eu comparo isso com uma situação de uma empresa farmacêutica lançar um remédio, fazer uma afirmação sobre ele, e então não dizer a ninguém o que há no remédio”, afirma Reis.

O problema com tais afirmações é que as pessoas pensarão que, por meio de descobertas científicas, elas vão encontrar o parceiro perfeito, uma atitude que pode encorajar pontos de vistas irreais e até mesmo destrutivos quanto a relacionamento. Quando um relacionamento não sai exatamente como esperado, as pessoas podem se sentir frustradas e inseguras, afirmam os pesquisadores.

Alem disso, a abordagem se apoia na noção de que um parceiro perfeito pode ser encontrado ao se identificar traços comuns ou complementares, um pensamento questionado pelos pesquisadores.

“É altamente improvável que o que você descobre sobre duas pessoas antes de elas se conhecerem possa corresponder a pouco mais do que uma quantidade insignificante do que determina se um relacionamento dará certo por um longo período”, diz Reis. “O sucesso de um relacionamento a longo prazo depende de como as duas pessoas interagem uma com a outra. Depende do que acontece nas suas vidas, as adversidades e sucessos que encontram juntas, a maneira como suas vidas amadurecem e crescem. Essas simplesmente não podem ser descobertas antes de elas se conhecerem.

Procurado pela nossa reportagem, o eHarmony se recusou a comentar especificamente o estudo. “O sistema de combinação do eHarmony é baseado em anos de pesquisas clinicas e empíricas com casais”, afirmou uma porta-voz da empresa que não quis ter seu nome revelado. Ela afirmou que os algoritmos do eHarmony unem seus parceiros potenciais com base em aspectos de personalidade, valores e interesses “que mais proféticos quanto a satisfação do relacionamento.

Em média, 542 casais que se conheceram no eHarmony se casam diariamente nos Estados Unidos, de acordo com um estudo realizado para o site pela Harris Interactive. A companhia também postou estatísticas de números sobre como e porque os relacionamentos são bem-sucedidos, usando seus próprios dados.

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Publicado por em 4 de março de 2012 em Tecnologia

 

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