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Opinião: qual é o serviço mais completo de cloud?

04 fev

AppId is over the quota
Como diferenciar, dentre os principais players do mercado mundial, qual é o mais indicado para a necessidade de sua empresa?

Muito tem sido falado sobre cloud computing e incontáveis buzzwords disparadas para defender as diferentes vertentes de serviços na nuvem. Que a computação em nuvem é o futuro está claro e que dentro em breve a maioria das empresas rodará, total ou parcialmente, seus sistemas em infraestrutura externa como serviço é uma certeza. Mas como diferenciar, dentre os principais players do mercado mundial, qual é o mais indicado para a necessidade de sua empresa?

Ofereço aqui uma breve análise do mercado de Nuvens Públicas, ou seja, serviços de computação em nuvem oferecidas por um cloud provider ao público em geral.

Analisando os serviços oferecidos, podem ser apontados como os principais fornecedores globais de serviços na nuvem: Amazon Web Services (AWS), Google App Engine (GAE) e Microsoft Windows Azure. Essa afirmação vem não só do porte e nome das organizações envolvidas, como também pelo potencial de investimento na corrida pela liderança neste mercado global estimado, segundo a Forrester Research, em 241 bilhões de dólares até 2020. Investimentos garantem fôlego para evoluções constantes, novas features e intensa inovação, além de escala. Obviamente existem outros que eventualmente podem ser melhores em determinados nichos, mas a seleção aqui apresentada levou em conta principalmente a pluralidade dos serviços de cada um deles.

No mercado de Tecnologia da Informação, é perigoso afirmar que determinada solução é melhor ou pior que outra. Dada a amplitude de possibilidades e requisitos que negócios e sistemas apresentam, a análise mais madura gira em torno da adequação. “Que serviço é mais adequado para as minhas necessidades atuais e futuras?”, deve se perguntar o executivo de TI responsável por selecionar fornecedores de cloud. E, para chegar a esta resposta, o CIO precisa, fundamentalmente, olhar para os seus sistemas e aplicativos – os atuais e os futuros.

Aspectos como requisitos de segurança e confidencialidade de informações são essenciais e, de maneira geral, são as principais preocupações que rondam esta decisão. Custos, sem dúvida, também estão entre os fatores-chave. Mas, assim como as questões de segurança, são oferecidos de forma muito parecida e commoditizada pelos principais players, salvo pequenas diferenças em detalhes muito específicos ou contratos corporativos de grande porte. Todos prometem – e cumprem – eliminar investimentos em infraestrutura na largada, nenhum comprometimento contratual de longo prazo e pagamento limitado aos recursos consumidos (pay-per-use).

Focando a análise em empresas que dependem muito de desenvolvimento e integração de sistemas sob medida, para onde deve ser, então, o direcionamento da atenção na seleção do fornecedor de infraestrutura na nuvem? Arrisco a dizer: na amplitude dos serviços oferecidos.

Antes de entrarmos em uma análise dos players, é importante esclarecer a diferença entre infrastructure as a service (IaaS) e platform as a service (PaaS), os modelos, juntamente com software as a service (SaaS), tipicamente oferecidos quando se fala em cloud computing.

IaaS é um modelo em que o provedor de serviço oferece infraestrutura para suportar operações, incluindo armazenamento de dados (storage), hardware, software básico (sistema operacional), servidores, componentes de rede, etc. O provedor é dono dos equipamentos de um datacenter e responsável por operar e mantê-los, enquanto o cliente aluga, administra e paga pelos serviços de acordo com o consumo destes recursos (pay-per-use). De maneira superficial, o cliente aluga os servidores de acordo com a tecnologia necessária, mas instala e administra os serviços e sistemas que rodarão nele. Muito próximo ao modelo tradicional de colocation em um datacenter, porém oferecido e pago de forma elástica na nuvem. Exige maior conhecimento técnico e trabalho para instalar e administrar os ambientes, mas oferece em contrapartida liberdade quase total.

Platform as a service (PaaS) é um modelo de oferta através da internet de um ambiente que empacota hardware, sistema operacional, armazenamento e capacidade de rede, permitindo ao cliente alugar capacidade de processamento e serviços associados para rodar as aplicações, sem se preocupar em instalar e administrar os ambientes. O PaaS oferece uma infraestrutura configurada, pronta e montada, onde o cliente desenvolvedor precisa apenas instalar o seu sistema e utilizar/integrar os serviços disponíveis. Porém, a liberdade de customizar ambientes, servidores, linguagens e interfaces é limitada – ou praticamente nula. Ou o sistema usa os serviços e ambientes da forma que o provedor estabelece, ou não consegue usar o provedor.

O modelo Software as a Service (SaaS) não será tratado neste artigo, pois se limita a oferecer acesso a aplicações de software na rede como serviço, com pouquíssima ou nenhuma gerência do cliente.

Entrando em casos práticos, vamos aos provedores mencionados. Se a sua empresa opera exclusivamente com sistemas na plataforma Windows, provavelmente a Microsoft Windows Azure conseguirá oferecer uma solução mais completa e adequada para sua necessidade – tanto no modelo PaaS quanto no IaaS. Observe e atente para o “se” acima. Sua empresa realmente opera hoje, e irá operar futuramente, exclusivamente com servidores e bancos de dados Windows? O Azure oferece somente ambientes em servidores Windows, que também podem ser usados para rodar sistemas em Java e PHP, mas estas linguagens, notoriamente, têm melhor performance – e de forma mais barata – em servidores de aplicação e sistemas operacionais open-source (Linux, JBoss, Zend PHP, etc), não oferecidos pelo Azure.

O Google App Engine é uma boa alternativa para quem precisa de um ambiente pronto, pré-configurado, com uma boa quantidade de serviços prontos e bem documentados, para se preocupar em apenas adaptar e rodar o seu sistema, um genuíno PaaS. O GAE, como todo PaaS, é bem engessado e obriga que o seu sistema funcione do jeito que o GAE determina, com a infraestrutura que o GAE disponibiliza, inclusive no banco de dados dele e somente nas versões de linguagem e ambiente disponíveis. Zero de possibilidade de customização, adaptação ou atualização nos recursos: é ame-o ou deixe-o. A grande vantagem é poder começar muito rápido, perdendo quase nada de tempo e dinheiro com infraestrutura – foque somente no sistema. O maior problema é que a empresa fica totalmente presa e vinculada à infraestrutura do GAE. Retirar o sistema de lá para colocar em outro ambiente vai demandar muito esforço e custo. Outros detalhes importantes: as linguagens disponíveis são Java e Pyhton apenas, com uso limitado ao Datastore do Google, banco de dados proprietário não-relacional.

Com um roadmap de novas features bastante agressivo, a Amazon Web Services tem se mostrado como uma alternativa mais ampla e madura para o mercado corporativo. Tem uma oferta interessante de PaaS para a linguagem Java, o serviço AWS Elastic Beanstalk, que oferece em uma infraestrutura pronta e auto-gerenciável as funcionalidades dos serviços Amazon EC2 (web server), Amazon S3 (armazenamento), Amazon Simple Notification Service (mensageria), Elastic Load Balancing (distribuição de carga), com elasticidade e deploy automáticos. O serviço Amazon Relational Database Service (Amazon RDS) disponibiliza mySQL, Oracle e – em breve – SQL Server como recursos para bancos de dados relacionais de forma simples para configurar, com custo muito baixo para administrar.

Para um mercado corporativo mais exigente de flexibilidade, pluralidade e controle, o hall de serviços IaaS da Amazon oferece um leque de ferramentas e oportunidades atraentes: de Java a C#, passando por Ruby, ASP, Python e PHP, virtualmente qualquer sistema web pode ser instalado e rodado, em qualquer versão, em seus servidores. O mesmo vale para os bancos de dados, e com licenciamento no modelo pay-per-use: Oracle e SQL Server, com custo de licenciamento incluso no valor/hora de utilização. Bancos de dados open-source como o PostgreSQL também são facilmente instalados e administrados através de servidores Amazon EC2, sem uso do Amazon RDS, infelizmente.

Para melhor analisar as alternativas de serviços de nuvem disponíveis e identificar a mais adequada, é importante que a empresa já tenha executado um estudo bastante detalhado sobre as aplicações existentes na organização. Cada sistema deve ser cuidadosamente analisado, identificando requisitos de infraestrutura para o seu funcionamento e impactos que mudanças de arquitetura poderiam gerar, inclusive em suas integrações com outros softwares. Dados dos sistemas devem ser classificados de acordo com sua criticidade e sensibilidade para o negócio, de modo a obter uma matriz de segurança para a sua disponibilização. Requisitos de disponibilidade devem ser formalizados, com definição de acordos de nível de serviço (SLA), e, assim como aspectos de segurança, são cruciais nesta fase: políticas de criptografia, firewalls, detecção de invasões, prevenção a perdas, análise de vulnerabilidade, gerenciamento de identidades, etc.

Escolhida a melhor solução, é agora preciso executar um estudo de adequação da arquitetura, incluindo os serviços do cloud provider que serão utilizados, como processamento, armazenamento, backup, serviços de rede, com seus consequentes impactos e necessidades de adequação nos sistemas existentes. Não basta colocar o sistema atual na nuvem e esperar que ele saia rodando sozinho!

O caminho de migração da infraestrutura tradicional para alguma das modalidades de cloud computing parece longo e trabalhoso. E de fato é, principalmente quando falamos de migrações de sistemas críticos das organizações. Mas a jornada sendo feita de forma criteriosa e cautelosa, embasada por bom conhecimento técnico dos benefícios e trade-offs que a computação em nuvem impõe, promete como recompensa ao seu final agilidade, flexibilidade e redução de desperdícios.

Tenha sempre em mente o lema máximo da computação em nuvem: “think big, start small, scale fast” ou “pense grande, comece pequeno, escale rapidamente”.

(*) Marcos Alves é gerente de Novos Negócios e Relacionamento da Dextra Sistemas. Foi gerente de desenvolvimento de sistemas da Globo.com e também integrou a equipe da DBA.

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Publicado por em 4 de fevereiro de 2012 em Tecnologia

 

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